Ailton Villanova

20 de janeiro de 2018

Mudança legal

      Tímido desde novinho (ele nasceu na parte praieira do bairro Mangabeiras, Maceió), o Estregonóvio Hofernes anda às voltas com um problema sério – hoje completando 10 anos -, que começou quando ele caiu nas garras de um advogado chamado Alfran Tozzo, dono de um papo capaz de derrubar até helicóptero supersônico.

      Estrogonóvio, cujo pai era chef de restaurante e mãe cozinheira profissional, jamais teve uma namorada em razão desta sua timidez. Bem que algumas mulheres se manifestaram pela sua pessoa, mas, ele, covardão, sempre tirando o corpo fora. Tempos se passaram até que, aos 46 anos, ele começou a sentir dores estranhas na região pubiana, popularmente conhecida como “pé do pente”. Aconselhado por um amigo, ele resolveu procurar certo urologista, para ver direitinho essa situação.

       Acontece que dada a sua timidez, aliada a uma miopia graúda, Estrogonóvio confundiu um escritório de advocacia com a clínica do médico especialista que lhe fora indicado. Ele entrou justamente na sala do tal Alfran Tozzo.

       – Às suas ordens, amigo! – disse o advogado. – Me diga qual o seu problema!

       E o tímido Estrogonóvio, de cabeça baixa:

       – Eu… eu tenho tido uma dificuldade…

       – Eu sei como é isso, meu amigo. Acontece em todas as famílias… Essa coisa de mulher reclamando o dia inteiro, a filha com namorado até altas horas…

       – Mas acontece que eu não tenho nem mulher e nem filha…

       – Mas tem prima, tem vizinha… tem irmã, não tem irmã?

       – Irmã não tenho. Sou filho único. Agora, prima eu tenho, sim.

       – Ahrrááá… É aí onde reside o problema! Prima gosta muito de dar “pitaco” na vida da gente!

       – Mas minha prima nem mora aqui, doutor! É que…

       – Já sei! A vizinha! Pense numa peste! Pensou? Pois é, vizinha é peste e meia!

       – O caso é outro, doutor. É bem mais sério do que o senhor pode imaginar… É de ordem sexual.

       – Não precisa dizer mais nada! Já sei o que fazer. Vou ligar para o cartório e vamos resolver tudo direitinho! São apenas 5 mil reais e nada mais por enquanto, fora a consulta, é claro!

        Horas mais tarde, o Estregonóvio encontrou-se com o amigo que lhe havia indicado o urologista.

        – E aí, campeão? Fez o exame de próstata? Demorou muito para encontrar o consultório do médico?

        E o Estrogonóvio:

        – Vou te contar, meu irmão: não achei o urologista, mas fiz a consulta com um advogado mesmo!

        – Como?! Que história é essa?

        – Entrei numa sala, arriaram as minhas calças, limparam os meus bolsos, estou devendo 5 mil reais, mudaram meu nome  e agora me chamo Estefânia!!!

Um inventor muito chato

      Papo de bêbado é papo sem nexo; divertido, na maioria das vezes.

      No Bar do Rubão, duas personalidsades do mundo alcoolífero batiam uma caixa cavernosa, em redor de uma mesa abarrotada de cascos vazios de cerveja. Em dado momento, uma dessas personagens perguntou à outra:

      – Ô Asnóbrio, tu que é caboco sabido, me diz aí: quem foi que inventou o trabalho?

       – Ih, meu! Você agora me invocou! Sou puto com o cara que inventou o trabalho! Trabalho é um negócio muito cruel!

       – Nesse caso, tu sabe mesmo quem inventou o trabalho, certo?

       – Errado. Mas quem inventou o trabalho pode ter sido um cara muito do imbecil, que não tinha o que fazer!

Apenas um pequeno erro    

      Aquele prefeito sertanejo José Florisvaldo, o notório Zé Flor, sempre se achou o bacana, mas era burro pra cacete! Um dia, ele teve um chilique quando o entregador de encomendas do armazém de seu Irineu Machado entrou na sua sala e deixou num canto um saco de cal.

       – Uquié isso, seu cabra? – berrou ele.

       E o entregador:

       – A sua secretária disse que era pro senhor temperar o seu sanduiche. Achei estranho, mas…

       – Ela tá doida! Eu pedi um saquinho de sal! Saaal, está me ouvindo?

       Nesse momento, eis que a sobredita secretária entrou na sala e esclareceu:

       – Mas não foi isso o que o senhor escreveu, seu prefeito. Está aqui no papel, ó: “um saco de cal”!

       O prefeito olhou o papel e baixou a crista:

        – É, você tem razão… A culpa foi minha… Eu esquecí de botar o “cedrilha” no C!

Com Diego Villanova