Ailton Villanova

13 de janeiro de 2018

Um freguês complicado!

      Se você acha que vida de dono de bar é uma maravilha, está redondamente enganado. Eita vida danada de difícil! Começa com a infelicidade de ter que suportar abuso de bêbado. Essa classe, o leitor sabe, é difícil de ser entendida e mais ainda, de ser tolerada. “Bêbado é armada do cão!”,  já disse o filósofo de circunstância Aldegundes Alfácio.

      Todo bêbado é rico, todo bêbado é valente, todo bêbado é bonito. Tem deles que quando está esborrando o limite alcoólico, acha até que é o dono do mundo. E quando ele entende de discursar!

       Tem dono de bar que merecia ganhar o Prêmio Nobel da Tolerância. Bem que o comitê de Oslo poderia levar em consideração essa ideia.

       Bem a propósito de bêbado, aqui vai um causo pinçado dentre os mais pitorescos do nosso vastíssimo repertório.

       Seguinte:

       Depois de ter ganhado uma grana preta na loteria esportiva, o popular Percival Araújo considerou de bom alvitre adquirir um bar. Logo um bar! Na primeira semana depois dessa aquisição, ele já estava arrependido e com metade dos cabelos da cabeça toda grisalha. Mas, sujeito de opinião, não deu o braço a torcer. Continuou firme no batente, com o apoio do compadre Ramiro, que assumiu a função de garçom-chefe.

        Numa segunda-feira, ambiente tranquilo no bar, eis que ingressa no sobredito o tal de Antônio Inácio, visivelmente embriagado. Ele puxou uma cadeira, sentou a bunda nela, estalou o dedo e chamou o garçom Ramiro:

         – Ô rapaz, vem cá!

         Ramiro encostou nele:

         – Pronto, meu amigo! O que vai querer?

         E o cara, cheio de direito:

         – Primeiramente eu vou querer que você mande desligar o ar-condicionado. O ambiente está mais frio do que o Polo Norte!

         – Pois não, senhor – respondeu o Ramiro. – O que mais o senhor deseja?

         – Um uísque duplo. E, olha, do mais puro e legítimo escocês, está me ouvindo?

        Minutos depois, o cara estava chamando o Ramiro, novamente:

        – Garçom, agora o ambiente ficou quente demais! Ligar o ar…!

        Daí a pouco olha, o freguês:

        – Ô garçom, meu filho… Tá gelado de novo!

        – Deixa comigo!

        A esta altura o freguês que ocupava a mesa do lado, já estava puto com o freguês. Mesmo assim, não deixou de cumprimentar o Ramiro, em tom baixo de voz, quando este passava:

         – Você está de parabéns pela paciência! Esse sujeito é realmente abusado!

         E o Ramiro:

         – Nem tanto… Nós nem temos ar-condicionado!

Mãe radical

      No salão de cabeleireiros do Astolfo, três madames conversavam enquanto aguardavam a vez de serem atendidas. Em dado momento, uma delas suspirou:

       – Aaahhh! Nesses últimos dias ando tão aliviada com o meu filho Valdinho…

       – É? O que foi que aconteceu com ele? – quis saber uma das mulheres.

       – Deixou de roer as unhas!

       – Ah, mas que felicidade! Parabéns! Que remédio você usou para ele parar com o vício?

       – Mandei arrancar todos os seus dentes…

Ô coitado!

      O Turíbulo é um cara altamente sentimental. Desde novinho. Poeta nas horas vagas, ele trabalha como balconista numa loja do comércio da capital. Um dia, ele voltou pra casa com o maior ar de tristeza, dado o fato de que perdera o seu melhor amigo, o Cloraldo, acometido que fora, de um ataque fulminante do coração. Ao dar a infausta notícia à esposa, ele acrescentou a seguinte indagação:

      – Reginalda, meu amor, quando eu morrer também, você vai chorar muito?

      E ela:

      – Claro, meu nego! Você não sabe que eu choro por qualquer merda?

Importante é a conta

      Soldados da briosa Polícia Militar flagraram um taxista num ato criminoso repugnante e lhe deram um pau seguro. Em seguida, o conduziram à presença da autoridade policial, na delegacia de plantão.

      O delegado ouviu a escabrosa história contada pelos militares, encarou o acusado e berrou:

      – Bonito, não é, seu safado? Você estuprou, matou e esquartejou a passageira do seu taxi… não foi? O que você tem a dizer, seu degenerado?

       E o cara:

       – Eu quero saber quem é que vai pagar a corrida do meu taxi… só isso!

Com Diego Villanova