Ailton Villanova

25 de maio de 2017

Cavaleiros bundões

Nascidos e criados no sertão alagoano, os irmãos Obdálio e Obdúlio eram muito unidos, desde os tempos de rapazotes, na região de Santana do Ipanema, Dois Riachos e Cacimbinhas. Morreram com mais de 80 anos, primeiro o Obdázio e, depois, o Obdúlio.

      Na época em que eles tinham 20 e 25 anos de idade, respectivamente, e, portanto, solteiros, não perdiam um forró, naquelas paragens. Um dia, ouviram falar de um furdunço esperto pelas bandas de Palmeira dos Indios e resolveram baixar por lá. Mas, havia um problema: só podiam dispor de um cavalo para se deslocarem até o pagode. Foi de Obdálio a ideia:

      – A gente vâmo montado no cavalo véio do pai!

      – Mas será qui ele guenta?

      – Guenta! Ele guenta!

      De tardezinha, montaram no animal e foram à tal festa. Chegaram lá, prenderam o cavalo numa área específica e entraram no ambiente festivo, onde rolava muita cachaça e muito tira-gosto de costela de bode. O mulherio era danado de bom.

      Os manos comeram e beberam e lá pelas tantas, já estavam bastante embriagados. De modo que resolveram voltar pra casa.

      Obdálio e Obdúlio voltaram ao estacionamento dos animais e se depararam com um monte de cavalos, todos iguais.

      – E agora, Bidúlio? – indagou Obdálio.

      – Possa dexá cumigo! – respondeu o outro.

      Obdúlio aproximou-se de um cavalo, levantou o rabo e disse: 

       – Esse num é!

       E seguiu fazendo isso com vários cavalos, até que Obdálio, intrigado, perguntou:

      – Mas qui peste é isso qui tu tá fazendo, Bidúlio? Cuma é qui tu vai discubrí o nosso cavalo levantando o rabo dos bicho?

      E o irmão:

      – É fáci! Quando a gente tava chegando, o portêro do estacionamento falô pro sujeito qui tava do lado: “Danô-se! Tá chegando ôtro cavalo cum dois bundão!”

 

Honestamente doente

      Embarcadiço da Marinha Mercante, Massaoka, um japonesinho safadinho, baixou na antiga zona do meretrício do Jaraguá entrou num dos bordéis e dirigiu-se à cafetinha-chefe:

      – Tem murezinha doente aí?

      – Sai pra lá, japonês! Aqui só tem mulher com saúde!

      Massaoka dirigiu-se a outro bordel:

      – Tem murezinha doente aí?

      Mais uma vez encorraçaram o nipônico.

      E ele insistindo:

      – Zapon quer sabe se tem murezinha doente, né?

      Até que depois de muitas voltas no meretrício, Massaoka entrou no famigerado “Duque de Caxias”, escorou-se na porta de um lupanar meio derrubado, onde havia uma puta com dois peitões, dando sopa. Aí, indagou dela:

      – Quero muré doente, tem aí?

      Malandrona, a prostituta respondeu que tinha, sim, e apresentou-se com a tal.

      – Inton, vamo? – alegrou-se o japa.

      Foram pra cama. Terminado o trabalho, a mulher começou a rir. Aí, o japonês ficou curioso:

      – Do que muré tá rindo?

      Ela respondeu:

      – É que eu disse pra você que tava doente, e não estou!

      E o japonês:

      – Mas, zapon tá!

 

O olho é o culpado!

      Sem ter coisa melhor para fazer, o Praseodélio Patrício passava a vista num jornal e aí viu um anúncio de emprego, pelo qual se interessou. Anotou o endereço, jogou o jornal de lado e se mandou para o local indicado no anúncio.

      Portador de um tique nervoso estranho, Praseodélio  apresentou-se ao encarregado das entrevistas. Piscando um olho (esse era o seu tique nervoso), ele manifestou que estava precisando muito trabalhar e que a vaga que estavam ofertando, caía bem na sua pretensão. O funcionário manjou no seu tique e perguntou:

      – Mas como é que o senhor quer que o contratemos assim?

      Praseodélio esclareceu:

      – Mas é só eu tomar uma aspirina, que passa. Por sinal, eu tenho uma aqui no bolso!

      Ocorre que, ao esvaziar os bolsos, Praseodélio começou a tirar pacotinhos e mais pacotinhos de camisinhas.

      – Parece que o senhor vive na farra com mulheres, hein?

      – Que nada, meu amigo. Não consigo pegar nenhuma!

      – E porque tanta camisinha nos bolsos?

      – Alguma vez o senhor já experimentou entrar numa farmácia e pedir uma caixinha de aspirinas piscando um olho?

 

Ou paga, ou…

      Depois de 25 anos morando no Brasil, o português Joaquim Prata ganhou 100 mil reais na loteria. Ele havia adquirido o bilhete premiado por apenas 1 real. Dia seguinte ao da extração, ele estava perturbando na Caixa Econômica:

      – Quero o meu dinheiro!

      Joaquim Prata não gostou quando o funcionário da Caixa explicou que, de conformidade com o regulamento do concurso, ele só teria a retirada imediata de 10 mil. O restante, ele receberia em nove suave prestações mensais.

       – Não sinhoire! Eu quero os 100 mil agora!

       – Mas não pode, meu amigo!

       – Pode! Eu quero meu dinheiro!

       – Regulamento é regulamento! Não temos autoridade para mudá-lo!

       Aí, o português invocou-se de vez:

      – Ou vocês me pagam os 100 mil, ou me dão o meu 1 real de volta!

 

Sem queixa alguma!

      Tarde de sábado, a birosca intitulada “Bar do Siri”, encontrava-se  abarrotada de pinguços, cada um mais biritado que o outro. E chegando mais. Num canto, um tal de Capilé reclamava da demora do atendimento:

      – Ô garçom da bobônica, esse meu pedido vem hoje, ou só vai chegar na próxima semana?

      A galera caiu na gaitada com a piada do Capilé e um outro freguês,  conhecido como Venta de Burro, entendeu de fazer o seguinte comentário:

       – Coitado do garçom! Todo mundo tira onda com a cara do infeliz! Diabo era quem queria ser garçom, não eu! Eita empreguinho difícil!

       Aí, entrou em cena um terceiro, chamado Borogodó:

       – O amigo tem razão. Bom é o meu trabalho. Até hoje ninguém se queixou dele…

       E Venta de Burro, curioso:

        – E qual é a profissão do amigo?

        – Coveiro!