Ailton Villanova

17 de fevereiro de 2017

Esperteza portuguesa, com certeza!

 Não há lugar mais divertido do que estação de passageiros de aeroporto internacional. É aí onde se junta gente todo canto do mundo, numa mistura de línguas as mais complicadas e engraçadas. Quando o caro leitor estiver num desses aeroportos, comece a prestar atenção nas conversas dos passageiros estrangeiros.

        Determinado dia, no aeroporto de Guarulhos, São Paulo, duas distintas figuras internacionais do setor da astrologia batiam um descontraído papo, enquanto aguardavam aeronave para os seus respectivos destinos. Eram um mestre português e um cientista brasileiro. A certa altura da conversa, o lusitano, que se chamava Joaquim Silveira, revelou ao brasileiro:

           – Tu sabes, ó colega, nosso peís acaba de teire uma ideia genial…

           – É mesmo? – manifestou o cientista brasileiro. – Mas que idea é essa?

           E o português:

           – Estamos a organizaire a primaira viagem ao Sol!

           – Impressionante! – admirou-se o brasileiro. – Mas como seria essa viagem ao Sol?

           – Ainda estamos a bolaire.

          – Não vai dar certo!

          – Como não vai daire, ora pois?

          – É simples. Qualquer pessoa que tentar se aproximar do Sol vai morrer torrada!

           Então, o português soltou um risinho irônico e completou:

           – E o senhoire está a pensaire que somos mesmo burros?

             – Não, não é isso…

             – Pois fique o sinhoire sabendo que já pensamos nessa possibilidade. De modo que vamos planejaire tudo direitinho pra nave chegaire lá de noite!           

 

Fax explosivo

      Aeroporto internacional de Brasília, um certo dia 21 de agosto. Eu me encontrava na estação de embarque, aguardando o avião que me traria de volta à Maceió. Pertinho de mim conversavam um japonês e um americano. Um pouco mais adiante, um brasileiro com cara de baiano, escutava atentamente a conversa dos dois. De repente, tocou um bip, o japonês pediu licença, fez aquele gesto de quem atende um telefone (dedo mínimo junto ao lábio e polegar no ouvido), falou pouco e depois se desculpou:

        – Meu minicelular, maravilha da tecnologia. Implantei nas unhas! Fica muito prático pra carregar.

        Em seguida, outro bip, bip! O americano põe o dedo no dente incisivo e começar a falar. Termina, explica:

        – Meu minicelular, wonderfull miniturization. Implantei no dente e no ouvido médio. Muito prático.

        Nesse momento, ouve-se uma sonora explosão anal – prrroorrrooot – violentíssima. O brasileiro com cara de baiano que se encontrava próximo aos dois, imediatamente se desculpa:

         – Acaba de chegar um fax! Mas eu não vou ler agora!

 

Taí no que deu!  

      O tal de Uberlinaldo sempre foi metido a santo. Só quer ser o exemplo de fidelidade. Faz questão de exibir a todos que é leal à esposa, dona… Deixa pra lá!

        Outro dia, ao entrar no estacionamento para pegar o automóvel, encontrou no parabrisa um bilhete escrito com letra bem bonitinha:

         “Meu nome é Neide Aparecida, celular 9911 5577. Me ligue pra gente se acertar”.

          O puritano pegou aquele papel com a ponta dos dedos, fez cara de nojo e o queimou com a chama do isqueiro. Feito isso, entrou no carro e saiu dirigindo de volta ao lar, todo orgulhoso.

           Ao descer do carro na porta de casa, quase morreu de susto. Toda a banda direita do veículo estava completamente amassada.

 

A família dela foi a culpada!

      Aos 20 anos de idade, o Vilibaldo Tricolino era um rapaz normalíssimo. Só tinha, então, um defeitozinho safado: era donzelo. Um dia, conheceu o tal de Degenaldo Floriano, que o apresentou à também virgem Margarida Maria, uma flor de garota. Injustiça seria dizer que a referida foi a sua perdição. Ah, isso não!

        Verdade é que Vilibaldo começou a degenerar a partir do terceiro mês de namoro com Margarida, porque o Degenaldo o induziu a práticas não compatíveis com o decoro, com a moral e os bons costumes.

         No primeiro mês de namoro, o garotão sequer tomava cafezinho na casa da namorada. Tímido, as únicas frases que, então, pronunciava eram “por favor” e “muito obrigado”.

         Veio o mês seguinte e ele já se sentia mais à vontade na residência da Magáu. Tomava café, comia bolinho, abria a geladeira sozinho e não tirava os olhos das belas coxas da cunhada.

          No quarto mês já chegava de bermuda à casa da namorada e se permitia soltar arrotos à mesa de refeições. Passou também a dar palpites nas conversas do sogro e da sogra.

           Quinto mês. Servia-se sozinho na hora das refeições e limpava a boca na toalha da mesa. O sofá da sala era o seu local predileto para transar com a namorada. Aliás, foi na fofura desse sofá que ele mandou pro beleléu a virgindade da Magáu.

             Bem dizer, ele morava na casa dela. Além do mais, usava e abusava do carro de seu Atanagildo, o sogro. Peidava no sofá sem o menor constrangimento e só tratava dona Palmira, a sogra, de “gorducha velha”. Era o mês número seis.

              No sétimo, já dormia no quarto dos sogros. Nos finais de semana, pegava a Margarida, montava com ela no carro do velho Atanagildo e os dois só voltavam na segunda-feira, na maior ressaca. Nessa fase, Vilibaldo degenerou de vez. Só ia à mesa de refeições de cueca.

               Quando completou o oitavo mês de namoro, teve uma briga com a sogra, só porque esta reclamou que ele estava mandando ver um cocozão com a porta do banheiro aberta. A cunhada quis se meter na discussão e levou uma porrada no meio da cara.

                 No nono mês, seu relacionamento com os sogros piorou por causa de uma reclamaçãozinha: o folgado não dava mais descarga na privada. Só pra contrariar, ele limpava o pênis na cortinas todas as vezes que acabava de comer a Magáu.

                 Quando chegou o décimo mês, o infeliz do sogro já estava com a conta suspensa no banco, tantos foram os empréstimos que lhe concedera, sem retorno algum.

                  Décimo primeiro mês. Vilibaldo assumiu o controle da casa e botou a cunhada pra fora, só porque ela não quis dormir com ele na cama dos pais dela.

                   Ao completar um ano de namoro com Margarida, Vilibaldo resolveu se mandar. Acabou o relacionamento sob a alegação de que a família dela era chata demais!