Ailton Villanova

16 de fevereiro de 2017

Orelha mijona

      O leitor que se der ao trabalho ou a curiosidade de reparar como são atendidos os coitadinhos nos postos da previdência social, certamente irá, no mínimo, decepcionar-se. Um bom número de servidores encarregados da recepção, com raras exceções, é lógico, não tem o menor respeito por esses infelizes. Atende mal demais! Falta à essa turma sensibilidade, educação e, sobretudo, amor ao próximo.

       Outro dia, um popular desse bem jogados, entrou afobado num dos tais postos de atendimento e cumprimentou uma dona toda emperequetada, que tomava conta da superlotada sala de espera:

        – Bom dia!

        E a dona, com cara de quem comeu e não gostou:

        …’dia. Quê que c’ê quer?

       O infeliz explicou:

       – Tô com um “poblêma” no meu pau!

       Dando uma de ofendida, a recepcionista soltou os cachorros pra cima do cara:

        – Cretino! Vagabundo! Canalha! Isso são maneiras de falar? Olhe quanta gente tem aqui, seu maloqueiro!

        – Sou cego não, moça. Tô vendo! A senhora perguntou qual era o meu “poblêma” e eu falei…           

        – Não repita, seu desgraçado! Nós não usamos essa linguagem chula neste local!

        – Mas…

        – Cale-se idiota, eu já disse! Agora saia e volte dizendo que tem um problema na orelha, por exemplo…

          Humilhado, o sujeito saiu, foi até a calçada e voltou em seguida. Novamente, a “delicada” e “gentil” servidora perguntou:

          – Uquié que você tem?

          – Tenho um “poblêma” na orelha…

          – E que tipo de problema é esse?

          – É que toda vez que eu mijo, espalha pra todo lado. Quando termino, fica pingando!

 

Era a própria!

      O telefone tocou na central de enfermagem de certo hospital de Maceió e a enfermeira de plantão atendeu:

      – Pois não?

      Do outro lado da linha, uma voz ansiosa indagou:

      – Por favor, minha filha, poderia me dizer como vai passando dona Arquibalda, que está internada no 201 e quando ela vai ter alta?

      A enfermeira respondeu:

      – Ela está bem melhor, senhora. Provavelmente terá alta amanhã à tarde. Quem está querendo saber, por favor?

      – Eu mesma, a Arquibalda. É que o médico nunca me responde, quando eu pergunto!

 

Mudou de nome, foi?

      Professora Cecy Díllia entrou na sala de aula e flagrou um dos seus alunos muito à vontade, com os pés em cima do tampo da carteira escolar. Aí, resolveu iniciar por ele a arguição que havia programado:

      – Cláudio Roberto, me diga o nome de um mamífero que comece pela letra ‘I’.

       O garoto sapecou de lá:

        – Ipopótamo, professora!

        – Errado! Hipopótamo se escreve com ‘H’.

        Cláudio Roberto replicou:

         – Quer dizer que agora é Agapótamo?

 

Perdida e sumida

      Recém saído da academia, o policial Pauliran Poliedro foi designado para prestar serviço na Delegacia de Menores. Logo no primeiro dia, a titular da especializada, a saudosíssima Aureni Moreno, o encarregou de averiguar o desaparecimento de uma garotinha de 8 anos, no bairro do Jacintinho.

        – Olhe, meu filho, eu quero todo o seu empenho nesse caso. Ao final do expediente você me faça um relatório de tudo o que fez hoje. – acrescentou a delegada.

        O bravo Pauliran caiu em campo com gosto de gás. Terminado o primeiro dia de investigações, ele mandou ver no relatório:

        “Depois de uma diligência exigente e completa pelo bairro, refazendo todo o percurso da pequena vítima, da casa até a escola, não encontrei nenhum indício de que ela tenha realmente se perdido, a não ser o fato de que desapareceu…”

 

Um grande doutor

      Seu Baltazar Felício tem se orgulhado de um amigo competente e famoso: o ortopedista Luiz Fernando Silva de Barros, que também é perito legista e torcedor fanático do CRB.

       Pois bem, sabendo que o primo Andreólio andava com a espinhela meio troncha, ele foi logo indicando:

         – Procure o doutor Luiz Fernando e diga que fui eu quem pediu pra ele consertar a sua espinha!

         E o primo Andreólio:

         – E esse doutor é mesmo bom?

         – Se é? Eu lhe garanto, rapaz! Vou lhe contar uma coisa: ano passado eu ia ser operado, mas tava fraco de grana. Aí o doutor Luiz Fernando resolveu o problema… E nem precisei operar!

         – Foi mesmo? E o que foi que ele fez?

         – Só fez retocar as radiografias. Fiquei ótimo!

 

Morreu com muito tato!

      Funcionário destacado de uma grande empresa do ramo da construção civil,  o mestre-de-obras Luís Liberalino sofreu um acidente gravíssimo de tráfego e veio a falecer. Aí, o chefão da firma chamou um dos auxiliares do inditoso determinou que ele fosse transmitir a infausta notícia à viúva:  

        – Olha Vaneuzo, você tem comunicar a morte do Liberalino com muito tato, entendeu? A mulher dele pode ser cardíaca.

        – Entendi, doutor. Com muito tato!

        – É isso aí! Agora vá!

        Vanezo foi. Assim que chegou à casa do Liberalino, ele chamou na campanhia, e quando a esposa do recém-finado atendeu, ele disparou:

         – Boa tarde, madame. É o seguinte… o carro do seu Liberalino saiu da estrada, bateu num poste, capotou cinco vezes e ele foi jogado a mais de dez metros de distância! Aí, esborrachou-se todo, no asfalto e morreu! Mas morreu com muito tato, dona Maria… com muito tato!