Ailton Villanova

15 de fevereiro de 2017

Pisou no tubo, matou o velho!

 Nos bons tempos do histórico Jaraguá, o telegrafista Francelino Rodrigues, o França, era tido e havido como o maior boêmio do pedaço.

       Antigo funcionário da The Western Telegraph, esse distinto cidadão mandava e desmandava nos bordéis que ocupavam os andares superiores dos edifícios coloniais da principal artéria jaragualina e artéria paralela posterior, o famoso “Duque de Caxias.

        Em síntese, França era o rei da zona do meretrício.

        Os anos se passaram, ele se aposentou da vida boêmia e passou a viver só das lembranças dos “bons tempos”. Ocorre que, por haver exagerado na bebida, seu fígado requereu falência e Francelino Pereira virou homem doente, sobrevivendo às custas de remédios.

         Um dia, mergulhou numa profunda horizontal hospitalar e passou a ser mantido às custas e oxigênio engarrafado. Sentindo que o infeliz estava irremediavelmente a caminho da tumba, seus familiares mais próximos requisitaram a presença do padre amigo Luís Osório para ministrar-lhe a extrema-unção.

          O reverendo chegou e sentou-se à cabeceira do moribundo. Nisso, seu estado de saúde começou a deteriorar-se rapidamente. E ele, freneticamente, fazendo gestos, dando a entender que precisava escrever algo com urgência.

           – Por favor, minha gente! Arrume aí um pedaço de papel e uma caneta que o França está querendo escrever alguma coisa importante! –  pediu o sacerdote.

           Imediatamente chegou às mãos do moribundo um bloquinho e uma esferográfica, que ele agarrou com avidez. E começou a rabiscar. Mal acabou de escrever, esticou as canelas. O padre ministrou-lhe a extrema-unção e guardou o bloquinho no bolso da batina, sem se dar ao trabalho ou ao cuidado de ler.

            Dia seguinte, no cemitério, imediatamente após o enterro, o vigário mexeu no bolso, encontrou o bloquinho e lembrou-se que o finado tinha escrito algo. Então, aproveitando a presença de todos, falou:

             – Nosso França deixou uma mensagem nesse bloco, minutos antes de falecer.

             – Oooohhh…! – reagiram todos.

             – Suponho que vocês gostariam da saber qual foi o seu último pensamento.

             Dito isto, o sacerdote abriu o bloco, temperou a goela e leu em voz alta:  

             “Você está pisando no meu tubo de oxigênio, seu filho da puta!

             Quase enterraram o padre junto com o defunto.

 

Confissão implícita!

      Mataram um cabra lá pras bandas do Arranca Todo, pedaço encardido do bairro Bebedouro. Aí, a polícia pegou um suspeito e levou à presença do delegado titular do então 1° Distrito de Polícia da Capital, o saudoso Rivaldo Lins de Oliveira.

        – Você admite que é o culpado? – interrogou Rivaldo.

        E o cara:

        – Mas o que é isso, excelência?!  Eu não admito nada!

        – Tem um álibi?

        – O que é álibi, excelência?

        – Bem, alguém viu você cometer o crime?

        – Ninguém, graças a Deus!

 

… E cinco na mãe!

      O chato horário de verão tinha acabado de ser anunciado e dona Diagnózia, que não estava por dentro da medida inventada pelo governo federal, se achava acompanhada da sua neta Mirinha, num ponto de ônibus, em Bebedouro. Perto delas, dois camaradas conversavam besteira. De repente, um deles disso pro outro:

       – Com a demora desse ônibus acho que vou chegar atrasado no trabalho. Que horas são, Teobaldo?

       E o indagado, querendo ser explícito:

       – Sete na nova e oito na velha…

       Entendendo que aquele papo se referia a ela e sua neta, dona Diagnózia reagiu em cima da bucha:

       – E cinco na sua mãe, seu filho da puta!

 

Que venham mais!

      Barzinho do Dique Estrada, relógio marcando 4 horas da tarde. Numa das mesas, já biritados, os amigos Audálio, o popular Boca de Bagre e Osório, também conhecido como Vampiro, trocavam ideas entre um gole e outro de cachaça. Daí a pouco, Vampiro saltou com esta:

       – Vou te contar uma coisa, Boca… Tu sabe que eu sou azulino roxo!

       – É, tô por dentro.

       – Vibrei semana passada, lá no trabalho. Chegaram quinze regatianos!

       – Que barato, meu!

       – Tô torcendo pra que cheguem mais vinte, ou trinta…

       O camarada que bebia na mesa ao lado, certamente muito curioso, entrou no papo sem pedir aparte:

        – O amigo trabalha aonde, posso saber?

         – Olha, parêia, eu trabalho no cemitério. Sou coveiro!

 

Ah, velha maldita!

      Padre Zoroastro cochilava numa cadeira de balanço da sacristia, quando foi despertado pela chegada intempestiva de uma lourinha muito gostosinha:

       – Vim me confessar, padre!

       – Ajoelhe-se aqui do lado e diga os seus pecados.

       – Bom, eu estava em casa muito à vontade, com o meu namorado quando, então, minha mãe saiu pro supermercado.

       – Sim, e aí?

       – Ai, meu namorado começou a me beijar…

       – Então?

       – Então, passou a alisar as minhas coxas…

       – Hmmm… Continue!

       – Ele apalpou os meus seios…

       – E depois?

        – Depois, ele abriu o zíper da calça…

        – Ôpa! Continue, filha!    

        – Enquanto me beijava, ele puxou o… a… aquele troço e encostou nas minhas coxas…

        – Aaarrrááá! E depois? E depois?

        – Bom, depois…

        – Conta! Conta tudo, minha filha!

        – Depois chegou a minha mãe!

         E o padre:

         – Velha filha da puta!