Ailton Villanova

28 de janeiro de 2017

Tetéu, o super-vendedor

Antes de ser o empresário de sucesso que é hoje em dia, o pernambucano Auristélio Leão, o Teté, era um simples balconista. Teté ingressou no comércio quando tinha 16 anos de idade. Seu primeiro emprego foi na Farmácia e Drogaria Oswaldo Cruz, do Recife. Ficou por lá pelo menos uns dez anos, até que seu patrão, o farmacêutico Durval Gondim, morreu atropelado no Parque 13 de Maio. Desempregado, porque a farmácia havia fechado, ele perambulou por algumas firmas recifenses até, que, felizmente, aterrissou numa grandiosa loja de departamentos e ficou empregado, depois de submeter-se a um rigoroso teste.

       Ao fim do expediente do seu primeiro dia de serviço, o exigente  gerente da loja chegou pro Teté Leão e perguntou, cheio de autoridade:

       – Como foi o seu dia, rapaz? Quantas vendas você fez?

       – Meu dia foi muito bom, graças a Deus, seu Francisco. Fiz uma venda!

       – Só uma venda?! – invocou-se o gerente. – Todos os vendedores fazem de 20 a 30 vendas por dia e você acha que foi bom! De quanto foi essa venda?

       – Foi de 350 milhões de cruzeiros.

       O gerente engasgou-se:

       – De quanto?

       – Trezentos e cinquenta milhões e… alguns milhares de cruzeiros…

       – Ma-mas  co-como você conseguiu isso?

       – Bem, apareceu um cidadão e eu lhe vendi, primeiramente, um anzol pequeno. Depois, um médio e, depois, um grande. Então, sugeri que ele comprasse as linhas para os três anzóis e ele comprou. Em seguida, lhe vendi todos os apetrechos de pesca. Perguntei onde iria pescar e ele me disse que iria pescar no litoral sul. Aí, propus-lhe a compra de um barco. Ele topou e lhe vendi um 22 cabinado  com dois motores. Como o carro dele não era capaz de rebocá-lo, acabei lhe vendendo uma caminhoneta diesel…

         Nesse ponto o gerente interrompeu:

         – E você fez essa venda pro sujeito que entrou pedindo um anzol?

         – Bem, na realidade o cidadão entrou aqui para perguntar onde tinha uma farmácia e eu indaguei para quê. Ele me respondeu que era pra comprar um absorvente para a esposa. Então, eu aproveitei e disse: “Já que o seu final de semana definitivamente foi pro beleléu, por que não uma pescaria?”

 

Mas que cão?

      O palmeirense Moacirdes Caparica tinha o maior amor pelo seu televisor “Admiral”, o primeiro que adquiriu na vida. Um dia, esse ilustre cidadão comprou uma casa na praia de Barra de Santo Antônio e instalou no lugar mais destacado da sala do imóvel, a estimada peça televisiva. Mas, antes, teve o cuidado de bolar um criativo cartaz, objetivando desestimular aquele que por ventura tivesse a ousadia de invadir o imóvel e furtar o “Admiral”.

      Na porta de casa Moacirdes pregou um cartaz com os seguintes dizeres: “Cuidado! Cão violentíssimo”. E pregou a foto de um rottweiler, recortada de uma revista canina.

       Dia seguinte, qual não foi sua surpresa e decepção ao constatar que haviam afanado o televisor, apesar da grave advertência. Fato é que na casa não havia cachorro nenhum!

       Recorda o colega Bernardino Souto Maior: “O choque ‘deceptivo’ que Moacirdes sofreu foi tão forte, que o levou à uma horizontal hospitalar”.

 

Ele mesmo mandou!

      Doutor Carlomano de Gusmão Miranda, o legendário “Carló”, hoje gozando de merecida aposentadoria, era um delegado de polícia durão. Quem o conhece de perto, como eu, sabe também, que ele é possuidor de um grande coração e de elogiável espírito de solidariedade.

      Um dia, respondendo pelo cargo de diretor do finado Depol, Carlomano recebeu em seu gabinete um trabalhador braçal acusado de agressão e tentativa de homicídio, que fora levado pelo então tenente PM Jorge Araújo, comandante da Rádio Patrulha. Ele olhou firme pro sujeito e indagou:

       – Estou sabendo que o senhor deu uma marretada da cabeça de um  colega de trabalho. Por que essa agressão?

       E o acusado:

       – Foi ele mesmo quem pediu, doutor. Aconteceu que nós dois ‘estava’ trabalhando no conserto do calçamento da Praça Deodoro. Aí, ele pegou a tal marreta e uma talhadeira, passou pra mim e disse: “Olha, Cíço, tu coloca a ponta dessa talhadeira nessa pedra aqui, pra gente cortá-la, certo? Quando eu balançar a cabeça, tu pega a marreta e dá uma marretada nela…” Tive culpa? Não tive!

 

Infalível tônico capilar

      Apesar de muito moço, o Aldimerandes Pinto está com a “capota” mais lisa do que bolso de servidor público estadual. Gozador ao extremo, outro dia ele baixou no salão de barbeiros do Eutíquio Pontes, para o costumeiro retoque nos raros fios capilares que insistem em permanecer existindo no cucuruto e adjacências. Enquanto Eutíquio manuseava a tesoura pra lá e pra cá, pra cima e pra baixo, ele recomendava:

       – Capricha aí, companheiro!

       A uma observação do profissional da tesoura, ele se saiu com esta:

       – Você sabia que eu conheço um ótimo remédio pra nascer cabelo?

       – Sabia não. Que remédio é esse?

       – Secreção vaginal.

       – Suco de xoxota?! Eu duvido! Se esse negócio fosse bom mesmo, você não era careca.

        – Ah, é? Repara só no tamanho do meu bigode!

 

Vozes do além

      Desesperado, o indefectível Fedúlcio C. Pimpo procurou o seu psicólogo Reinaldo Cavalcante (por sinal completando 52 anos de casado com madame Helena), no antigo consultório deste, situado no bairro do Farol:

      – Ando escutando vozes, doutor. Acho que estou ficando mais doido do que já sou!

      E o Reinaldo:

      – Que tipo de vozes… rapaz?

      – De gente!

      E o psicólogo, já perdendo a paciência:

      – Quer dizer que você anda escutando vozes sem saber quem está falando, ou de onde vêm?

      – É isso aí, doutor.

      – E quando é que ocorre esse fenômeno?

      – Quando atendo o telefone!