Ailton Villanova

27 de janeiro de 2017

Um pai pra lá de inconveniente

     Finalzinho de tarde na orla marítima, ventinho soprando maneiro. Uma delícia. No Bar do Raimundo, ambiente selecionado, uma patota bebia descontraída, enquanto apreciava, pela Tv, o bate bola entre Palmeiras e São Paulo. De repente, a quietude do ambiente foi quebrada com a chegada de um sujeito pra lá de biritado, que apontou para um rapaz que se achava ocupando uma mesa, juntamente com alguns amigos:

       – Ei! Tua mãe é gostosa demais, tá sabendo?

       O cara não respondeu. Baixou a cabeça e continuou bebendo a sua cervejinha.

       Plantado no meio do salão, o cara prosseguiu:

       – Pode haver mulher igual a tua mãe, mas melhor, nuuunca!

       Todo mundo parou de beber e ficou esperando uma reação violenta do rapaz. Até o vento deixou de soprar.

       – Que bunda linda que ela tem! E os peitos? Que peitões maravilhosos, meu Deus! Adoro mamar neles!

       O bêbado não parava de falar na mãe do freguês, que parecia ser feito de gelo.

       – Aquela mulher me mata! – insistiu o bebão, encarando o rapaz.

       O que o pessoal achava era que aquela história não iria acabar bem. Muito timidamente, alguém sugeriu num canto do salão:

        – Chamem a polícia! Esse sujeito está passando dos limites!

        E o bêbado:

        – Pra quê polícia? Fique na sua, cara. O assunto aqui é comigo e esse rapazinho aí!

        Dito isto, o cachaçudo chegou mais pra perto do seu alvo e sapecou:

        – Vou tomar mais uma e vou voltar pra me deitar com a tua mãe. Só hoje de manhã trepei cinco vezes com ela! Eita mulher gostosa da porra!

        A freguesia esperou que nesse ponto ocorresse a tragédia que se desenhava.

        – Tua mãe adorou! – completou o inconveniente.

        Aí, aconteceu. O rapaz levantou-se…

        – Ooohhh… – gemeram todos de pavor.

        … colocou a mão no ombro do sujeito e disse, na maior tranquilidade:

        – Pai, vá pra casa. Você tá bêbado demais!

 

Dupla cornagem

      Mal entrou em casa, trepada num par de tamancos altíssimos, madame Margarida, muito da gostosa, por sinal, foi abordada pelo filhinho Juninho, que dedurou:

       – Mainha, quando você saiu, o painho pegou a empregada, tirou a roupa, botou ela em cima da mesa e…

       – Calminha aí, meu anjo! Hoje, seus avós, seus tios e primos virão jantar aqui em casa. Aí, você conta essa história na frente deles, que eu quero ver a cara do safado do seu pai, tá bom?

       Mais tarde, todos em volta da mesa, mamãe deu uma piscada pro filhinho e ordenou:

       – Vamos lá, Juninho, conta agora aquela historinha!

       O menino subiu numa cadeira, assumiu postura de orador e mandou ver:

        – Bem, quando você saiu de manhã, o painho pegou a empregada, tirou a roupa, botou ela em cima da mesa e fez a mesma coisa que você faz quando vai ao dentista!  

 

Infelizmente não desviou!

       O Ilustre Ediborde Rêgo pode ser considerado, hoje, o doente mais visitado de todos os tempos, num quarto de hospital. Sua situação não é nada boa, com 80 por cento das costelas fraturadas, uma perna e um braço triturados e com menos dez dentes na boca. Culpa da mulher dele, dona Rutinéa. Ela é do tipo que fica o tempo todo buzinando no ouvido do marido.

       Ediborde e a sobredita Rutinéa viajavam com destino ao interior do estado, a fim de curtirem um final de semana respirando um arzinho melhorado. Ele ao volante e ela ao lado, azucrinando:

       – Edinho, olha um caminhão parado ali na frente!

       – Tô vendo! Pode deixar que eu desvio.

       – E aquele buraco adiante, Edinho? Você tá vendo?

       – Não sou cego, Rutinha. Eu desvio!

       E Ediborde de pé topado.

       – Edinho, meu amor!

       – Quié, mulher? 

       – Olha lá adiante, a velhinha atravessando a pista!

        – Eu já ví!

        – Presta atenção, Edinho! Olha a ponte!

        – Deixa que eu desviii…

 

Menos marcha à ré!

      Apesar de entrada demais na idade, dona Creôncia inventou de aprender a dirigir automóvel. Não se sabe como, conseguiu passar no exame de habilitação numa dessas fases do interior do estado. Mês depois, andava montada num Corsa zerinho, presenteado pelo marido Antupatro.

       Na semana seguinte, olha ela envolvida num acidente de tráfego!

       Dona Creôncia dirigia naquele trânsito complicado do centro da cidade quando, de repente, atropelou um motoqueiro. Desesperada, ela olhou para trás e viu o infeliz estirado no chão. Então, desabafou:

        – Ai, meu Deus! O que é que eu faço agora?

        E o motoqueiro, também agoniado:

        – Faça qualquer coisa, dona. Só não dê marcha à ré, pelo amor de Deus!

 

Finesa não confundir!

      Chateadíssima à mesa de refeições, Flavinha, filhinha educadazinha,  tentava disfarçar a inconveniência do pai Adalardo, frente aos convidados.

       – Ô painho, eu já disse que é falta de educação arrotar diante das visitas!

       E o maleducado:

       – Arrotar quê, menina? Tá confundindo o meu cu com a minha boca? Eu não arrotei! Eu peidei!

 

E era pra tirar?

      O piano da filha do Raimundo Nonato pifou e ele entendeu de levá-lo pro conserto. Então, tentava passá-lo através da janela quando o vizinho Theobaldo ofereceu-se para ajudar. Depois de várias tentativas frustradas e morto de cansado, Nonato desistiu:

       – Ô Théo, acho que vamos conseguiu tirar esse piano deste quarto!

       – E era pra tirar?! Eu pensei que era pra empurrar pra dentro!