Ailton Villanova

18 de janeiro de 2017

Sem objeção alguma!

      Formado em Medicina em Salvador da Bahia, e graduado em direito no Recife, doutor Thomás Tenório Villanova, exerceu por pouco tempo a primeira profissão. Dedicou-se à advocacia  e, mais tarde, à judicatura, tendo, antes, exercido o cargo de tabelião público no interior de Pernambuco.

       Doutor Thomás era um homem alto, mais de 1 metro e 90 centímetros de altura, cabelos sempre mal penteados e sobrancelhas grossas. Falava muito pouco. Invariavelmente, todas as suas decisões eram tomadas na base da escrita. Como juiz de direito, atuou em quase todas as cidades do sertão pernambucano. Entre os seus 20 irmãos, havia um que era bastante famoso, o padre Nildo.

         Depois que se aposentou, inventou de ser político e elegeu-se prefeito de Águas Belas, sua cidade natal. Fez uma administração austera, conforme era o seu jeito de ser.

         Dos seus auxiliares de confiança , Chiquinho Tenório Guimarães, por sinal seu primo e afilhado de batismo, era o que tinha a liberdade de frequentar a sua casa a qualquer hora do dia ou da noite. Bem dizer, morava lá.

           Certa noite, o velho já no terceiro sono, eis que bateu na sua porta o veterinário Adílio Bonfim. O afilhado Chiquinho foi atender:

            – O que é que há, doutor Adílio? O senhor por aqui esta hora deve ser coisa séria!

            – Seríisima, meu filho.  Cadé o prefeito?

            – Ele tá dormindo com dona Alicinha!     

            – Pois acorde ele. A esposa… você deixa ela dormir um pouco mais!

            – Deus me livre, doutor! Não dá pra resolver amanhã?

            – Não, meu filho. Vá acordá-lo, vá! É assunto de morte!

            Ao escutar essa palavra, o rapaz correu pro quarto do padrinho e o  acordou. Doutor Thomás chegou a sala montado nas chinelas:

            – Espero que o senhor tenha uma boa razão pra me tirar da cama a esta hora, doutor Adílio. – rugiu o alcaide.

            – E tenho, prefeito!

            – Pois vá falando! 

            – É que o doutor George, do posto de saúde, acabou de morrer! Será que eu posso ficar no lugar dele, prefeito?

             O Alcáide franziu a testa, botou uma cara de enfado e respondeu:

              – Bem, se o dono da funerária não reclamar, pra mim está ótimo!

 

   Santo paciente

              Doutor Cícero Rocha foi um clínico que viveu em Maceió durante décadas. Era um profissional competente e bastante sincero. Quando lhe apetecia sabia ser mordaz como ninguém. Certo dia, apareceu-lhe um ricaço muito chato, que disse pretendia submeter-se a um checape:

              – Gostaria que o senhor me examinasse de cabo a rabo, doutor!

              – Hum… hum…

              – Ando mal, sabe? Veja o que está errado em mim.

              E o médico:

              – Vamos começar pelas perguntas que julgo essências.

              – Tá bem.

              – O senhor bebe?

              E o chato:

              – Alcool, eu? Deus me livre, doutor! Eu nunca pus uma gota dessa infelicidade na minha boca!

              – O senhor fuma?

               – Quiéééiiisso, doutor? Fumo faz mal à saúde. Tenho princípios muito rígidos e estes eu respeito demais. Eu sou uma pessoa consciente. Fumo, jamais!

                – Muito bem. E a sua vida sexual?

                – Êpa! Espere aí, doutor… Sexo é pecado e eu sou abstêmio.

                Doutor Cícero deu uma parada no interrogatório, coçou o cavanhaque, franziu os olhos e sapecou:

                 – O senhor tem dores de cabeça?

                 O sujeito respondeu:

      – Muita! Muita dor de cabeça. Terríveis dores de cabeça!

      – Então é isso.

      – Isso o quê, doutor?

      – Sua auréola. Sabe o que é auréola? É aquela rodinha luminosa que os anjos carregam na cabeça.

      – Aaaahhhh…

      – A sua está muito apertada. Por isso as dores de cabeça!

 

Finalmente, a grande descoberta!

      Amigos desde crianças, época em que fizeram juntos o curso primário no Grupo Escolar “Cincinato Pinto”, no Bom Parto, os  distintos José Raimundo e Luís Pereira decidiram que seriam sócios numa loja de bugigangas, no mercado público da Levada. Deram-se tão bem na empresa que resolveram expandí-la. De modo que alugaram um imóvel no Jacintinho, onde instalaram uma filial.

        – Agora, a gente só precisa dar um pulinho no Recife e uma passadinha em Fortaleza para as compras – animou-se Zé Raimundo.

         – É isso aí, amigão! – Concordou Lula Pereira.

         – E quando é que a gente viaja?

         – Na sexta… Tá bom?

        Estava ótimo. Em assim sendo, montaram numa caminhoneta da firma e se mandaram pra Recife e Fortaleza. Chegaram nessas duas importantes capitais, fizeram as compras necessárias e iniciaram viagem de volta à Maceió, na tertça-feira seguinte. Carro correndo na pista e a madrugada chegando. Aí, diz Zé Raimundo:

          – Acho bom a gente parar pra descansar. Viajar de madrugada, não dá pé, meu irmão!

          – Tá legal! – concordou o outro.

          Os dois sócios encostaram o carro na porta de um pensionato, na cidade de Alecrim, e entraram. No único quarto disponível só havia uma cama, avisou a gostosura que os atendeu na portaria. Cansados como estavam, concordaram em dormir juntos e ficaram espremidos numa cama estreita.

            No meio da madrugada, Luís Pereira acordou ligadão e começou a se masturbar, com o pensamento voltado para a recepcionista. Uma hora depois, o sócio e amigo Zé Raimundo deu um pulo da cama, puto da vida:

             – Qualé, Lula?

             – Qualé o quê?

             – Como a gente se engana com as pessoas, meu Deus! Eu lhe conheço desde criança e nem desconfiava…

             – Desconfiava do quê, porra?

             – Que você é bicha!

             – Bicha?! É a puta que o pariu! Que onda é essa? Eu sou é macho!

             – Macho, é?  Faz mais de uma hora que você está me masturbando!

             – Putaquipariu! Então era o teu pau? Agora estou entendendo porque eu não gozava nunca!