Ailton Villanova

6 de janeiro de 2017

Um tubarão legal pacas!

      Dona Estriquinina era uma velhota de cabelo na venta. Autoritária, boçal, chata pra cacete!

      Baixinha, gordota, peitões que lembravam um par de melancias adubadas, Estriquinina tratava o genro Urbaldo como se ele fosse um escravo. Viver sob o mesmo teto com essa criatura infernal, era desgraça demais para o infeliz. Por várias vezes ele chegou a pensar em matá-la. Mas, cadê coragem?

       O jeito era ir vivendo conforme Deus permitia. Um dia, Ele, Deus, na  sua infinita misericórdia, haveria de lhe conceder a alforria. Não custava nada esperar.

        Certa manhã de um ensolarado domingo, a megera berrou de lá do quintal, pro infeliz do genro:

        – Urrrbaaallldo!  Ô Urrrbaaallldo!

        Num piscar de olhos ele esbarrou nos pés da gorducha:

        – Pronto, dona Nina!

        – Arrume o carro e as coisas, que eu quero ir à praia! – determinou.

        – Que praia, dona Nina?

        – Não interessa! Faça o que estou mandando. Vá!

        O infeliz reuniu todos os apetrechos praieiros que tinha em casa, arrumou direitinho na mala do carro e voltou à presença da mandona:

        – Pronto, dona Nina! Mais alguma coisa?

        – Sim. Pegue a sua mulher, bote também no carro e vamos todos à praia

        – Mas que praia?

        Dessa vez ela respondeu correto:

        – A do Francês!

        Contrariado, Urbaldo dirigiu o carro até a praia. Metida num antigão maiô florido, Estriquinina espalhava banha pra todo lado. Não vê um monte de jacas dentro de um saco? Pois Estriquinina era igual.

         Resignado com a sua situação, Urbaldo espichou-se na areia, fechou os olhos e ficou pensando na vida. De repente, foi despertado pelo berreiro da esposa:

         – Socorro! Acudam!

         O que foi? – indagou meio azoado.

         E a mulher, aos prantos:

         – É a mamãe! Tem um tubarão estraçalhando a mamãe!

         Urbaldo segurou-se para não gargalhar de felicidade e respondeu, sem disfarçar a sua alegria:

         – Fique calma, meu amor. Tubarão não é venenoso!

 

Ah, tomara Deus!

         Casado com uma mulher sensacional, o motorista Vincentino Parísio entrou muito contrariado na igreja, à procura do padre Brito:

          – Cadê o padre? Eu quero falar com o padre!

          O sacristão levou-o à presença do reverendo, na sacristia:

          – O que está havendo com você, meu filho? – indagou o sacerdote.

          E ele, ingressando no desespero:

          – Padre Brito, descobri que minha mulher está dando pra todo mundo!

           E o reverendo, cerrando os olhos:

           – Louvado seja Deus! Espero que ela se lembre dos irmãos aqui da paróquia!

 

Presidente piadista

      Nos fins de semana a galera abarrota o filial mangabeirense do Bar e Restaurante do Duda. Enquanto ranga e bebe, a negrada se liga na Tv. Numa noite de sexta-feira, todo mundo aguardando o jornal televisivo quando, repentinamente, o noticioso saiu do ar. Imediatamente, apareceu na telinha o brasão da República e o locutor anunciou solenemente:

        – Senhoras e senhores telespectadores! Interrompemos a nossa programação normal para, em cadeia nacional, ouvirmos a palavra do excelentíssimo senhor presidente da República!

        A turma de biriteiros reagiu putíssima:

        – Ooooohhhh…

        – Porra meu louro!

        – Que sacanagem!

        Entra o presidente Inácio Lula:

        – “Cumpanhêro, o meu gunverno continua combatendo o desemprego, a fome e a miséria!”

        Nesse momento, uma gargalhada estrepitosa ecoou nos quatro cantos do restaurante:

        – Ráráráááááá… Quááááááá…

        Todo mundo se ligou na figura de um tal de Obliteraldo, mais conhecido como Jacaré, que não parava de rir:

        – Quáááá…  Esse Lula é um tremendo piadista!

 

Sem exagero, reverendo!

      Padre João Firmino era um tremendo orador. E muito vaidoso, por sinal. Belo dia, surgiu diante dos seus fiéis com a maior cara de preocupação. É que a frequência nos ofícios religiosos de sua paróquia estava caindo consideravelmente. Ele, então, chamou o sacristão José Francisco para discutir o assunto, e este foi bastante sincero:

       – Sabe, padre, eu acho a queda na frequência se deve ao seu exagero nos sermões. O senhor tem sido muito prolixo! Vamos fazer o seguinte: na missa de amanhã amarraremos uma cordinha no seu saco e…

       – No meu saco???!!! – interrompeu o reverendo.

       – Sim, senhor. Ela entrará pelo bolso, descerá pela batina e irá até atrás do altar, de onde ficarei controlando o senhor. Quando eu notar qualquer exagero, dou uma puxadinha, certo?

        O sacerdote acatou a ideia. Dia seguinte, na hora do sermão, ele lascou lá:

       – Pois como dizem as Sagradas Escrituras, caros irmãos, naquele tempo, a Arca de Noé tinha mais de 100 mil animais!

        O sacristão puxou a cordinha.

        – Desculpe, caros irmãos. Tinha 70 mil…

        Outra puxadinha:

        – Na verdade, 50 mil…

        Nesse momento um garotinho viu a cordinha no chão e ficou puxando. O sacristão reparou no detalhe e  tentou segurar a criança. Cadê que ele queria largar a cordinha! E os dois embolando no chão. Com muito custo José Francisco conseguiu retomar o controle da corda. Quando olhou para o padre, ele estava encolhido no canto do altar, segurando o saco e dizendo:

         – Eu quero ser um filho da puta se encontraram um animal naquela arca da porra!

 

Ela era surda!

      Paróquia do interior. Padre Agildo, recém-empossado pároco, fez rigoroso sermão sobre o adultério. Ao final, apelou:

      – Gostaria de, sob segredo de confissão, conversar com cada uma das mulheres que praticaram ou ainda praticam adultério nesta paróquia.

      Disfarçadamente, a mulherada toda se levantou e saiu de fininho, menos uma. Diante do olhar espantado do reverendo, o sacristão explicou:

       – Essa aí é a Mouquinha, padre. Não escuta nada!