Ailton Villanova

5 de janeiro de 2017

“Amizade colorida” é o cacete!

       Albidelardo parou o carro na porta da repartição onde a gostosa Lubalda Maria trabalha e ela pinoteou pra dentro. Sem dizer palavra alguma, o cara arrancou cantando pneus, até chegar ao barzinho de sempre.

       – Uma cerveja, Zé Maria!  – foi logo pedindo ao garçom.

       Zé Maria despachou a bebida e o Albidelardo mandou a dita cuja goela a dentro, num piscar de olhos.

       – Outra!

       Aí, Lubalda Maria manifestou-se:

       – Qualé, Albi?

       – “Qualé” o quê?

       – Você ainda não falou comigo! Tá me ignorando por quê?

       – Não enche, pô!

       – O que foi que eu fiz, Albi? Diz!

       E ele, depois de esgotado mais um copo de cerveja:

       – Às vezes eu penso que você é débil mental!

       – Débil mental é a mãe, seu filho da puta! Vai, diz o que foi que eu fiz pra você me tratar desse jeito!

        Ele disse:

        – Você foi dizer pra Rita que eu sou seu namorado. Ela tirou o maior sarro com a minha cara!

        – É mentira! Eu não vejo a Rita há mais de seis meses!

        – Então, você falou pro Dudu, o amásio dela. É a mesma coisa.

        – E o Dudu transa com a Rita?

        – Tá vendo? Você falou pra ele, sim!

        –  Falei. Ele não é meu primo? Menti? Não menti!

        – Por que você não disse que o que a gente tem é uma amizade colorida?

        – E não é a mesma coisa que namorar?

        – Claro que não, sua imbecil! Namoro é diferente! Não tem essa de ir pra cama. Namoro é beijinho, abracinho… coisa menos profunda, entende? Amizade colorida é sexo! É amigação!

        – Mas que tolice, meu amor!

        – Tolice, não. O que é que o Dudu e a Rita vão pensar de mim? Vão pensar que eu sou bicha! Acho até que já espalharam pela cidade inteira!

        – Será?

        – Mais de três meses namorando com você, sem lhe comer, vão falar que eu sou bicha!

 

Mas que prole!

      Morador pra lá dos cafundós de Palmeira dos Indios, o agricultor Amebaldo Ferreira correu até a sede do município para cumprir mais uma obrigação de pai. Procurou o cartório de registro civil e disse para a senhora que o atendeu:

       – Eu quiria assentá no papé o nascimento do meu fio mais novinho!

       Bastante gentil, a madame pediu que Amebaldo chegasse mais pra perto e deu início as devidas anotações, no livro respectivo:

        – Nome do garoto?

        – Ciço Rumão…

        Cumpridas as formalidades, a distinta funcionária do cartório achou de puxar papo com o matuto:

         – Além desse filho, quantos outros o senhor tem?

         – Quinze, dona.

         – Puxa! O senhor tem uma prole muito grande!

         E o matuto, cheio de orgulho:

         – Grande e grossa, dona!

 

Era uma vez um canário!

      Separado da mulher, o exigente Cristobaldo arrumou uma empregada doméstica maravilhosa. Fiel, dedicada, boa cozinheira. Mas, como não há bom sem defeito, Maria Quitéria tinha lá o seu defeitozinho: era desligada de certas obrigações. E bastante tapada, também.

       Um dia, Cristobaldo chegou em casa mais cedo e não viu o seu amado e caríssimo canário belga na gaiola, e bronqueou:

        – Ô Quitéria, quem foi que deixou a porta da gaiola aberta?

        – Fui eu, doutor. O senhor não vive dizendo que devo ter mais iniciativa? Pois, então, resolvi abrir a gaiola do bichinho pra entrar um pouquinho de ar!

 

Problema é a casa!

      Dois mendigos batiam papo na Praça D. Pedro II. Em dado momento, um deles lamentou:

       – Sabe, Ciço, tô com um pobrêma da bobônica!

       – Eita! É mermo?

       – Nem te conto, Ciço!

       – Conta, rapaz!

       – Tá bom. É o seguinte… dia desses achei uma receita pra fazer uísque em casa!

       – Num tô vendo pobrêma nenhum, meu irmão!

       – Craro quié pobrêma! Me diga onde é que eu vou arrumar uma casa pra fazer uísque?

 

É água demais!

      Uma das últimas feiras de utilidades realizada no Centro de Convenções recebeu a honrosa visita de um ilustre e inteligente cronista social. Encantado com tantas novidades ali expostas, ele não parava quieto num canto. Até que se viu diante de um “stand” onde uma linda garota fazia demonstração de mais um lançamento da indústria nacional:

       – Com este aparelho acoplado ao registro, o usuário pode economizar até cem mil litros de água por ano!

      Como o nobre cronista social olhava pensativo e balançava a cabeça, a moça perguntou:

      – Você tem alguma dúvida?

      – Não, não. Estou só pensando onde é que eu vou botar toda essa água que economizar.