Ailton Villanova

22 de maio de 2016

Que assassino, que nada!

       Depois de pelejar por mais de vinte anos, o Adismal Landro conseguiu graduar-se em direito. Só não foi jubilado por milagre. Uma vez diplomado, passou outros dez anos se submetendo a exames da OAB para ser advogado, até que venceu por cansaço, a banca examinadora. Carteirinha no bolso, tratou de alugar uma salinha na antiga Rua da Lama, no centro de Maceió, mandou pintar de dourado a parede de fundo e afixou, na sobredita, um quadro enorme com ampliação 40×40 do seu diploma.

       Mas, pilantra incorrigível, Adismal Landro demorou pouco tempo atuando como causídico, porque a OAB cassou-lhe o registro. Mas, enquanto esteve na ativa, aprontou poucas e boas pra cima de pobres e incautos clientes, entre eles, Joderlino Bituélvio, que também nunca foi flor que se cheirasse.

       Adismal Landro era bebedor contumaz de uísque quando não estava “adevogando”, que era quase sempre. Mas, na madrugada e um remoto agosto encontrava-se sóbrio, coisa rara, quando recebeu o telefonema do Joderlino Bituélvio:

      – Alô? É da casa do dr. Adismal Landro?

      E ele, todo cheio de preguiça e má vontade:

      – É, e daí? Fala logo que eu estou querendo dormir!

      E o Joderlino, no maior desespero:

      – Doutor, me socorra pelo amor de Deus!

      – Qualé o “problema” e quem tá falando?

      – Quem fala é o Joderlino Botuélvio. Estou preso, aqui na delegacia! Estão me acusando de ter matado um cara!

      – Que cara?

      – Um tal de Pirineu “Pé de Galo”. Eu não suportava aquele canalha e ele bem que mereceu morrer! Mas não fui eu quem matou ele! Me tire daqui, doutor!

      – Olha, nem quero saber… Você sabe que horas são? Eu vou é dormir. Fique aí tranquilo que na segunda-feira eu vou ver o que posso fazer…

      – Segunda-feira???!!! Pelamordedeus, doutor, eu não posso ficar preso!

      – Escute aqui, cara, eu não tô nem aí! Hoje já é domingo e eu tô querendo dormir. E, se você matou mesmo esse cara…

      – Matei! Matei, sim, mas me ajude! Eu fui preso, eles pegaram uma mala minha cheia de dólares, e…

      Ao ouvir falar em “mala cheia de dólares”, Adismal mudou de tom:

      – Êpa! Alto lá, meu caro! Você matou? Quem disse que você matou? Cadê as provas? Esse negócio de crime é mentira! Fique calmo e não ligue pra mais ninguém, que estou indo aí. E não esqueça que você é inocente, ouviu?

 

De repente, a lei!

      No leito de morte, mais pra lá do que pra cá, o advogado Licurgo Leitão chamou a enfermeira e pediu:

      – Ooooohhh minha filha… me arrume aí uma Bíblia, por favor…

      – Uma Bíblia, doutor? – indagou a enfermeira.

      – Isso mesmo, uma Bíblia. Vá buscá-la pra mim!

      Arrumaram uma Bíblia e entregaram ao infeliz, eu começou a folheá-la avidamente. Ainda curiosa, a enfermeira insistiu:

      – Está querendo converter-se, doutor?

      – Não, não, minha filha. Estou procurando brechas na Lei de Deus, pra ver se me salvo!

 

Aniversariante contumaz

      O sujeito foi flagrado dirigindo bêbado. Os guardas o pegaram e o levaram à delegacia de plantão. Em lá chegando, o escrivão iniciou o procedimento de praxe, com vistas a autuação do infrator:

      – Nome?

      – Alcolênio Canídio. – respondeu o cara.

      – Qual a data do seu nascimento?

      – Quinze de agosto!

      – Que ano?

      -Todo ano!

 

Aparelho Salvador

      O médico atende o advogado idoso e milionário, que estava experimentando um revolucionário aparelho auditivo praticamente invisível.

     – E aí, doutor Bandeira, está gostando do aparelhinho? – perguntou o médico.

     – É bom demais! – respondeu o velho causídico.

     – E a família gostou?

     – Não contei pra ninguém, mas já mudei o meu testamento três vezes!

 

Cortou o barato

      Advogado recém-formado entrou todo contente no escritório do pai e colega, para contar a grande novidade:

      – Papai! Em um dia resolvi aquele processo que o senhor passou 15 anos trabalhando nele. Fácil, fácil!

     O pai aplicou um tabefe na cara do filho e berrou, em seguida:

     – Idiota! Esse processo é que nos sustentou nos últimos 15 anos!

 

Roubaram a mulher também!

      Praia da Avenida, metade da noite.

      O camarada bem vestido, encontrava-se com a cara pra cima, no maior pileque. Balançava, mas não caía. Nisso, vai passando uma dupla de PMs, naquele passo de cágado. O cara chamou:

      – Guaaarrrdaass, faz fafor…

      Os militares se aproximaram e ele prosseguiu:

      – Burp! Roubaram o meu carro! Tava aqui nestante, hic!

      Um dos praças foi gentil:

      – Tá legal. Vamos à delegacia de plantão para fazer o registro da ocorrência. Mas, por gentileza, queira abotoar a braguilha…!

      E o bebão:

      – Puta que pariu! Roubaram a garota também!