Ailton Villanova

13 de maio de 2016

Bebeu a água indevida e encolheu a boca!

Com Diego Villanova

 

     As pessoas mais antigas, principalmente os barbeiros, conhecem bastante a “pedra-ume”, hoje praticamente desaparecida do mapa. Houve uma época em que o produto era utilizado em larga escala pelo mulherio dos bordéis.

     Pedrinha danada, essa tal de “ume”. Resultante da composição do sulfato de alumina e potassa, basta ser aplicada num corte de pele e imediatamente a hemorragia estanca. Outra de sua propriedade medicinal considerada milagrosa, é a que determina a retração da musculatura das partes mais sensíveis do corpo humano. Por isso, as mundanas usavam e abusavam dela. Antes das atividades sexuais, as referidas banhavam a região do “recreio” com a água do produto e a genitália ficava toda arrochadinha!

     Foi o caso daquela noiva, que chegou para a mãe, dona Otacília, e abriu o jogo:

     – Tô apavorada, maínha! Amanhã é o dia do meu casamento e eu tenho que lhe contar um segredo…

     – Que segredo, minha filha?

     A moça abriu de vez:

     – Não sou mais vírgem!

     – Ai, meu Deus! E quem foi o autor dessa desgraça? Por acaso foi o seu noivo?

     – Pior é que não foi, maínha…

     – Minha Nossa Senhora do Bom Parto! Já pensou na hora que o Miguel…

     – Iiiihhh! Nem me fale nisso, maínha. Tô apavorada!

     – Fique calma, minha filha. Vamos dar um jeito nisso.

     Dito isto, dona Otacília foi até o armário de remédios, apanhou um generoso pedaço de “pedra-ume”, deu para a filha e explicou:

     – Preste atenção como você deve usá-la, Neuzinha… Pegue a pedrinha e coloque num copo cheio de água. Antes da hora agá, quando o Miguel estiver no banheiro se preparando, você vai usar essa água para lavar bem a xoxotinha, certo? Faça isso e você vai ver como dará certo. Ah, pra ficar mais firme, deixe a pedrinha dissolvendo durante meia hora, entendeu bem?

      – Entendí, maínha!

      A solenidade do casamento foi a coisa mais linda do mundo. Lá pelas tantas, os nubentes se mandaram, felizes e contentes, para a lua-de-mel, em Maragogi.

      No hotel, enquanto a pedrinha derretia num copo cheio de água, o casal trocava juras de amor e chumbregavam à vontade. Aí, o negócio esquentou e quem acabou correndo para o banheiro foi a Neuzinha. Ela se lavou, relaxou e voltou pro leito conjugal, toda lampeira. Ao olhar para o criado mudo, exclamou alarmada:

     – Meu Deus!

     E correu até a varanda do aposento, onde o marido se achava, com a cabeça entre as mãos:

     – Amor, cadê o remédio que estava neste copo? – e mostrou o copo vazio.

     E o coitado do Miguel, com dificuldade de falar, porque a boca estava toda engilhada:

     – Ô bubu, mô omô! (tradução: “Eu bebi, meu amor!)

 

 

Deu uma de desentupidor de pia!

 

     Quando era muito jovem, Hildete Carolênia era frequentadora assídua das aulas de balé da professora Olímpia Mamede. Teria sido uma estrela da dança clássica se seus pais não fossem tão rigorosos e conservadores. Então, ela passou a ser uma bailarina frustrada. Hoje, balzaquiana e meio enferrujada, ainda assim dá as suas cacetadinhas.

     Num certo final de semana, Hildete inventou de reunir parentes e amigos em sua espaçosa residência, para comemorar mais um aniversário natalício. A turma compareceu em peso.

     A festança dos 65 anos da balzaca começou de manhã e ainda no meio da noite continuava fervendo. Com a cabeça fora do prumo, eis que Hildete cismou de dar uns passos de balet, “para recordar o passado”. Maria de Fátima, sua sobrinha mais chegada, advertiu:

     – Vê lá, hein, tia? A senhora está um pouco biritada e… além disso, desprevenida. Eu notei quando a senhora sentou de frente pra mim.

     – Besteira, menina! – retrucou a coroa. – Não se preocupe! É só um passinho…

     Ligaram o som, Hildete começou a rodopiar no salão e todo mundo aplaudindo. Aí ela entusiasmou-se e incrementou mais os passos. No auge dos aplausos, ela lançou-se para o alto, numa pirueta sensacional!

     – Cuidado, tia! – voltou a advertir a sobrinha, temendo um desastre.

     Quando Hildete voltou ao chão, perdeu o equilíbrio e esparramou-se no assoalho de pernas abertas. Nesse momento, a galera escutou o barulinho característico: smac…tchump!

      Palmas. Assobios. Muito bem. Viva!

      Dez minutos depois, a aniversariante continuava na mesma posição, grudada no chão.

      Impaciente, a sobrinha aproximou-se dela e perguntou:

      – Que foi que houve, tia? Levante daí!

      E ela:

      – Não posso, minha filha!

      – Como não pode?

      – Aconteceu um desastre! Deu aquela de desentupidor de pia e eu fiquei grudada no chão!

 

 

Pela permanência na cadeia, tudo!

 

     Depois de um tempão sem visitar o marido, dona Estrevália decidiu, um dia, que deveria revê-lo. Saiu de casa de manhã cedo e, minutos depois, dava entrada na penitenciária, onde se achava encarcerado o infeliz Asderaldo.

     Madame sentou-se num banco de tiras e lascou o pau a conversar. Das 9 e meia, hora que chegou, até  às 6 da tarde, ela falou sem parar nem pra beber água. Cabisbaixo, Asderaldo ouvia a mulher calado.

     Quando a sirena anunciou o fim da visita, no início da noite, a mulher se levantou para ir embora:

     – Ah, ia esquecendo… Falei com o diretor e ele me prometeu que se você se portar direitinho durante a semana, vai passar uma noite em casa!

     Nessa mesma noite, Asderaldo – que sempre foi um preso exemplar -, quebrou a cara do chefe da guarda interna, tocou fogo na cela e, de quebra, fez o maior cocô em cima do birô do diretor.

 

 

Olho por olho

 

     Tocou a campanhia na residência do colega Ricardo Castro, editor-geral desta Tribuna Independente. Ocupada na arrumação da casa, sua esposa Ana Márcia, também jornalista deste matutino, pediu à empregada:

      – Ô Gerlênia, atenda a porta, por favor. Mas olhe antes no olho mágico.

       A doméstica fez conforme a patroa recomendou , e esta perguntou de lá:

      – O que é que você está vendo do outro lado, Gerlênia?

      – Outro olho, doutora Márcia!

 

 

Mixaria pra mendigo

 

     Dois mendigos desses bem lascados, altamente alcoolizados, conversavam escorados num poste da Avenida da Paz.

     Em dado momento, perguntou o primeiro:

     – Ô Maróbio, tu tá sabendo que eu ganhei na loteria?

     – Ôxi, mano Caroba! E tu ganhou mesmo?

     – Ganhei!

     – Tô completamente por fora. E quanto tu ganhou?

     – Cinquenta milhão de “reáu”!

     – Só essa mixaria?!

 

 

Ou paga, ou larga!

 

     Encontrava-se o distinto Astolfo Tramantino esparramado na sua poltrona predileta, na sala de visitas, aguardando a hora da exibição do Jornal da Record, quando escutou uma arenga de sua empregada com o namorado, um tal de Miltão, no portão de casa.

     Pedia a Maria:

     – Paga um sorvete pra mim, Miltão…

     – Pago não!

     – Quêisso, meu amor? Paga o sorvete, vai!

     – Num já disse que num pago? Pago não!

     Aí, a doméstica aumentou o volume da voz:

     – Então, tu vê aí: ou tu paga o sorvete, ou então larga o meu peito!