Ailton Villanova

9 de maio de 2016

Continuou querendo

      O caminhoneiro Manuel Carauta, o Cazuza, era um sujeito bonachão e possuidor de grande espírito esportivo. Nascido no antigo bairro fabril do Bom Parto, ganhou notoriedade pelo gosto exagerado que tinha pelas mulheres. Era o galã das tecelãs disponíveis da saudosa fábrica de tecidos Alexandria.

       Quando ele entrava no Bom Parto, dirigindo o seu caminhão Ford todo adubado, brilhando de tanta cera, o mulherio se agitava. Cazuza era o cão chupando a meia-noite na Ladeira Lopes Trovão.

      Bigode sempre bem aparado, chapéu quebrado na testa, esse cidadão também apreciava uma cachacinha. Quando exagerava nos grogues, ficava brabo e ai de quem pisasse nos seus calos.

      Um dia, época carnavalesca, depois de uma viagem que fizera à Sergipe, Cazuza entrou no Bom Parto meio-dia em ponto, acionando a buzina do caminhão. A intenção era chamar a atenção para o que se achava escrito no para-choque do veículo:

      “Eu quero é rosetar”.

      Deu galho. O sub-delegado de policia do bairro, um cidadão enérgico, religioso e conservador ao extremo chamado Irineu, ficou escandalizado. Mandou chamar o Cazuza e deu a bronca:

      – Ô rapaz, que imoralidade é essa que você escreveu no para-choque do seu caminhão?

       E o Cazuza, com a cara mais santa do mundo:

       – Mas que imoralidade, seu Irineu? Ali não tem imoralidade nenhuma!

       – Tem! Tem, sim! Faça-me o favor de apagar aquela frase, porque ela representa um insulto à família cristã, honesta e decente do Bom Parto!

       – Tá bom, tá certo. Se o senhor está mandando, eu apago a pintura.

       Cazuza apagou o escritado, mas não se deu por vencido. No lugar da frase retirada, mandou pintar outra:

       “Ainda estou querendo”.

 

Mas é claro!

      Restaurante de beira de estrada, região Norte do estado. A freguesia rangando tranquila quando, em dado momento, eis que adentra ao ambiente o boçal intitulado Arnaldo “Caranguejo”, acompanhado de uma loura espetacular.

      O casal ocupou uma mesa e o Arnaldo chamou o garçom:

      – Uma cerveja pra mim e um refrigerante pra minha noiva. Ah, me providencie também o cardápio!

      – Pois não, doutor. – respondeu o garçom, cheio de subserviência.

      Mal o bacana e a noiva terminaram de beber, chegaram os pratos. Arnaldo apossou-se de um deles, virou para um lado, virou para o outro e perguntou ao garçom:

       – Ô rapaz, esses pratos são bem limpos neste restaurante?

       E o garçom:

       – Claro, doutor. O senhor precisa ver o cachorrão que temos lá na cozinha!

 

O cavalo também! 

      Palmeira dos Índios dos velhos tempos.

      O valentão José Patrício Ferreira vivia se gabando de ser sobrinho do famigerado Virgulino Ferreira, o Lampião. Por conta disso, as pessoas tinham medo dele. Um dia, pra mostrar que era mesmo o cão do segundo livro, entendeu de entrar no bar do velho Chico Bezerra, montado no seu pangaré.

      E o cavalo com o outro no lombo, saiu derrubando mesas e cadeiras até que parou em frente ao balcão. Aí, Zé Patrício desafiou:

      – Tem algum valente aqui?

      Tinha. O delegado da cidade, sargento PM Travassos, que pegou o sujeito pelos fundilhos e o atirou pela janela. Quando o cabra se estendeu na estrada, o militar ajuntou:

       – Isso ainda não é tudo. Sou capaz de fazer mais!

       O valente levantou-se, bateu a poeira da roupa e retrucou:

       – Ah, é? Então pra provar que é capaz de muito mais, jogue o meu cavalo também!

 

Ui, acertou!

      Aqueles dois delicadíssimos cristãos – Henriquinho e Jotabê – andavam na maior secura, um querendo ser possuído pelo outro. Aí, Henriquinho resolveu se abrir:

       – Aaaiii, estou com tanta vontade de dar… Como sou a mais velha, eu dou primeiro, tá bom meu bem?

       E Jotabê, torcendo as munhecas:

       – Não! Primeiro eu, que tô mais carente!

       – Nãããão, não senhora! Primeiro eu, que sou mais gostosa!

       Meia hora depois desse debate, Henriquinho, que é muito católico, resolveu propor:

      – Olha , a-morrr, vamos tentar resolver a situação intelectualmente. Vou lançar uma adivinhação, tá? Se você acertaarrr, sou toda sua e se você errarrr, você é minha, tá legal?

      – Falou, querida! – respondeu Jotabê, algo apreensiva.

      – Então, lá vai! O que é, o que é: tem quatro patinhas, um rabinho pra cima… um bigodão, duas orelhinhas… é todo peludinho e faz miaaauuu?

      A outra bicha disparou:

      – Ah, só pode ser jacaré!

      – Acertou!

 

Melhor não há!

      O sujeito bateu na porta do Jorge Brumado. Atendeu sua caríssima consorte, dona Margarida, com aquela “simpatia” que lhe é peculiar:

      – O que é que o senhor deseja?

      E o sujeito:

     – Prezadíssima senhora, eu me chamo Joseildo, sou vendedoer exclusivo da última palavra em aspirador de pó. Já foi adquirido por mais de 5 milhões de donas de casa do mundo inteiro. A senhora não deseja possuir um exemplar?

      E madame, sempre gentil:

      – Pra quê, se tenho coisa muuuiiito melhor para limpar tapete, lavar a casa e lustrar móveis, tudo ao mesmo tempo…!

      – Ah, é? Qual a marca do seu aparelho?

      – É o meu marido Jorge! Ele também tem a vantagem de não quebrar e nem precisar de assistência técnica. Além do mais, posso usufruí-lo à noite, por quanto tempo quiser!