Ailton Villanova

30 de abril de 2016

Brasileiros felizes

                Honesto e feliz, embora sobrevivendo com  pouco mais da metade de um salário mínimo, Osquépio Januário, popularmente conhecido como “seu Janu”, mora em Brasília desde que começou a sua construção. Orgulhoso de ser reconhecido como candango, ele nasceu em Águas Belas,   cidade irmã de Quebrangulo, outrora reduto dos Tenório-Villanova.

               Concluída a construção da Capital da República, apenas sobrou pra ele o emprego de faxineiro, com a justificativa de que algo melhor não poderiam lhe dar, porque é analfabeto de pai e mãe, embora no Congresso exista uma porrada  de indivíduos nessa mesmíssima condição, legislando adoidado.

               Ocorre que seu Janu não é um faxineiro qualquer. É faxineiro do palácio do Planalto.

               Um dia, quando concluia a tarefa de deixar dito palácio nos trinques, ele achou uma nota de 100 reais dando bobeira. Bom coração, logo passou a admitir que, com  aquela grana, poderia ajudar alguém mais necessitado que ele. Aí, surgiu na parada um deputado amigo do presidente, que sugeriu:

                  – Faz o seguinte, Janu… tu sobe na torre do Congresso Nacional e joga o dinheiro lá de cima. Pode ficar certo de que fará um brasileiro feliz.

                  Janu começou a pensar na proposta do parlamentar. Nisso, surgiu outro deputado com nova idéia brilhante:

                   – O meu colega aí fez uma boa proposta, mas melhor você faria se trocasse essa nota por duas de 50. Aí, faria dois brasileiros felizes.

                   Seu Janu sorriu. Com que, então, no Congresso bem que havia parlamentares de bom coração. E já se preparava para trocar a nota na agência bancária existente no local,  eis que, surpreendentemente, apareceu o presidente Inácio Lula, com uma opção sensacional:

                   – Cumpanhêro Janu, tu faz o seguinte… troca essa nota por cem de 1 real. Assim poderá fazer cem brasilêro feliz.

                   – É uma boa, presidente! Essa realmente foi a melhor idéia! – retrucou Janu emocionado.

                    E o ilustre Janu já se preparava para seguir o conselho presidencial,  quando entrou no papo outro faxineiro que escutava tudo, um pouco mais adiante, que aconselhou:

                    – Olha, Janu, melhor você botar esse dinheiro no bolso, levar lá pra cima do Congresso esses três aí e empurrá-los da janela. Garanto que você vai fazer 200 milhões de brasileiros felizes!      

 

 

 

Assim não dá!

 

                    Depois de uma breve e sigilosa reforma administrativa, um novo diretor tomou posse no segundo escalão de determinado ministério do presidente Inácio Lula. Um dos subordinados do sobredito, doutor Flaconaldo Teodésio, funcionário antigo do governo, ficou revoltado com o rítmo de  trabalho imposto pelo novo dirigente, e comentou com um colega:

                     – Esse novo diretor é fogo! Está fazendo todo mundo trabalhar por quatro! Ainda bem que somos novecentos e três!

 

 

Grande descoberta!

 

                     Casada um tempão com o Gramísio Pinto, dona Cecy Dília, professora primára, jamais teve o prazer de dar à luz um filho. Anos e anos tentando, e nada! Aí, perdeu a paciência e foi aconselhar-se com o médico Abrôncio Azevêdo, que pediu à ela levasse o marido ao consultório.

                     Gramísio, foi. De má vontade, mas foi. Doutor Abrôncio lhe fez uma série de exames, depois de um interrogatório de mais de três horas. Terminada a tarefa, o esculápio, bastante cansado, dirigiu-se à madame, que esperava impaciente na recepção.

                      – Descobri a causa da infertilidade do seu marido, professora! – disse o médico, com ar triunfal.

                      – É grave, doutor? Tem cura? E qual é a causa?

                      – Ele é vereador, não é?

                      – É, doutor.

                      – Pois aí está. Todo mundo sabe que vereador no interior não faz porra nenhuma!

 

 

Viajante mala

 

                       Na praça dos Martírios, o popular Quintino Ornaldo acabou de ler a Tribuna Independente, dobrou-a, virou-se de banda e falou pro cidadão que sentava ao lado:

                       – Diz aqui o jornal, que Lula bateu o recorde como político que mais viaja no planeta!

                       – Pra ele é fácil, né, amigo? – respondeu o outro.

                       – Como assim?

                       – O cara já é um tremendo dum mala!

 

 

Só chegou metade!

 

                       Uma madame chegou alvoroçadíssima ao Hospital Geral e perguntou ao médico de plantão:

                        – Doutor, sou a esposa do Poliedro, que sofreu um acidente. Como ele está?

                        E o esculápio, tranquilão:

                        – Bem, minha senhora, da cintura pra baixo ele não teve nem um arranhão…

                        – Puxa, que alegria! E da cintura pra cima?

                        – Não sei. Ainda não trouxeram essa parte.