Ailton Villanova

27 de abril de 2016

As bolas da bronca

               Heterógena, Eglantina e Tricolínea são “amiguérrimas” desde os tempos de grupo escolar, no bairro do Farol. Estudaram no vetusto Tavares Bastos. Quando terminaram o primário, foram, juntas, para o tradicionalíssimo Instituto de Educação. Uma delas, a Tricolínea, é bastante tímida, ingênua ao extremo.

               Bela tarde, encontravam-se as três, no salão de cabeleireiras de madame Antuérpia, localizado  entre Farol e Pitanguinha. Enquanto aguardavam atendimento papeavam, ou melhor, falavam dos seus respectivos esposos. Com a palavra, Heterógena manifestava sua estranheza a respeito de certa parte do corpo do marido:

                – Meu Herculano tem as bolas muito frias! Por acaso, quando vocês estão fazendo amor com seus maridos, já aconteceu de tocarem as bolas deles  e sentirem que elas estão frias?

                 Eglantina apressou-se em responder:

                 – Sim… às vezes eu percebo isso. Aliás, tem dias que estão que nem bolinhas de gelo!…

                 E, virando-se paraTricolínea, perguntou:

                 – Será que não acontece o mesmo com o seu marido?

                 Tricolínea vacilou, mas respondeu com sua proverbial timidez:

                 – Sabe que não reparei?

                 – Não é possível, mulher! Você nunca pegou nas bolas do seu marido?!

                 – Eu não! Mas hoje à noite eu vou conferir esse negócio.

                 As amigas finalmente foram atendidas pelas cabeleireiras de madame Antuérpia e, em seguinda, cada uma tomou o rumo de casa, depois de terem combinado que tomariam sorvete no shopping, dia seguinte.

                 No outro dia, Heterógena e Eglantina aguardavam Tricolínea, que chegou atrasada. Ela caminhava com dificuldade, tinha um olho roxo e a cara inchada.

                – Que que aconteceu, mulher? Foi atropelada? – perguntaram as amigas, em côro.

                E Tricolínea, toda chorosa:

                 – É tudo culpa de vocês!

                 – Nossa culpa?! Como assim?

                 – É que ontem à noite, quando toquei nas bolas do Laudelino, eu disse pra ele:  “Você não tem as bolas frias como o Perácio e o Abdias!” Aí já viram, né? Levei o maior pau!    

 

 

Chuva pra corno

 

                   No intervalo do futebol na TV, Gilfrázio Pires dizia pro amigo Eutórpio, que o visitava naquela tarde de domingo: 

                   – Esse jogo aí não vai terminar legal. O locutor está dizendo que ameaça chover… Quer saber de um coisa?

                   – Quero.

                    Aí, Gilfrázio meteu lá com um papo radical:

                   – Eu tenho fé em Deus que um dia haverá de cair uma chuva tão forte, mas tão forte, que carregará todos os cornos daqui para fora da cidade!

                     Aí, vai entrando na sala a esposa do cara, dona Carolânia, que intervém no papo:

                     – Não fala assim, meu amor. Você já se esqueceu que não sabe nadar? 

 

 

Paciente solidário

 

                    No Hospital Geral, doutor Cyro Gião iniciava os preparativos para operar o paciente Crisóligo Pacheco. Aí, chamou a enfermeira e pediu:

                    – Alcool, por favor!

                    O Pacheco que sempre foi chegado a uma birita, levantou a cabeça e emendou:

                    – Pra mim também, enfermeira. Capricha na dose dupla, hein?

 

 

 

Defecando tranquilo

 

                      Havia uma semana que o Poliedro estava sofrendo com uma disenteria filha da mãe. Além disso, uma cólica de matar de lenço. Não suportando mais, ele procurou o médico amigo e gente finíssima José Dias, que o examinou e tranquilizou:

                     – Isso é bronca safada, Poli! Tome estas cápsulas, que amanhã você vai estar bom. Pode levar esta caixinha de “amostras grátis”, que vai ser suficiente.

                     Assim que o Poliedro saiu do consultório, doutor Zé Dias olhou para a gaveta onde guarda os remédios:

                     – Porra meu louro! Troquei os remédios! Dei pro Poliedro uma caixa de tranquilizantes em vez do remédio pra diarréia!

                      Imediatamente ligou para a casa do paciente:

                      – E aí, Poliedro, como está se sentindo?

                      E ele:

                      – Todo cagado, mas muito tranquilo, doutor!

 

 

 

Testemunha, puuurrr quê?

 

                      O Etilênio saiu do bar do Prego pra lá de bêbado, tropeçando nas próprias canelas. Ao dobrar a esquina, foi abordado por uma mulher de longos cabelos e saia abaixo do joelho. Ela segurava uma Bíblia nas mãos:

                       – Boa noite! O senhor não gostaria de ser testemunha de Jeová?

                       – Puuurrr quê?  Eu conheço esse cara? Ele matou quem? Assaltou quem?