Ailton Villanova

6 de abril de 2016

A contadora das palavras mágicas

Com Diego Villanova 

 

     Lidar com números não é tarefa fácil. Nem para a balzaquiana Tertúlia Gonzaga, contadora profissional e solteira convicta. Certo começo de noite, ela parou de trabalhar porque estava se sentindo exausta, e aí resolveu tomar um chopinho num barzinho descontraído da orla marítima. Pegou o carro, rodou um pouco, parou na porta do dito cujo, ajeitou o penteado, desceu pisando firme e entrou lá. Pegou uma mesa discreta e pediu a bebida ao garçom.

     – Por favor, me traga um chope bem gelado e uns salgadinhos…

     O garçom foi rápido. Em menos de dois minutos Tertúlia estava saboreando a bebida e o tira-gosto. De repente, a porta do bar se abriu e entrou um sujeito bonitão como ela jamais tinha visto na vida. Um verdadeiro deus grego. Seus cabelos eram alourados, ondulados.

     A balzaca não conseguia tirar os olhos do atleta. Era como se estivesse hipnotizada. Notando que era objeto da atenção daquela  mulher, o bonitão animou-se todo. Com um sorriso cínico na cara, ele se aproximou de Tertúlia e falou em tom melífluo.

     – E aí… tudo bem?

     Timidamente, ela respondeu:

     – Tu… Tudo!

     – Posso me sentar ao seu lado? – insinuou-se ainda mais, o galã.

     – Pode. – disse ela.

     Crente que estava impressionando a coroa, o bacana prosseguiu: 

     – Farei qualquer coisa, absolutamente quaquer coisa que você queira, qualquer coisa que você tenha fantasiado na sua mente, por 100 reais. Mas, com uma condição…

     Emocionada, Tertúlia perguntou qual era a condição e o cara respondeu:

      – Bem… você terá que me dizer em apenas três palavras.

      A contadora fixou o olhar no sujeito e aceitou a proposta. Pegou na bolsa 100 reais, escreveu o endereço de sua casa num guardanapo, embrulhou o dinheiro nele, colocou-o nas mãos do atleta e, inclinando-se sobre ele, murmurou em seu ouvido as três palavras:

     – Limpe minha casa!

 

 

Pedindo com elegância

 

     O sujeito entrou apressado na farmácia do cidadão Paulo Nascimento e falou para toda a freguesia presente, escutar:

     – Me veja aí uma caixa grande de camisinhas, porque hoje eu vou trepar a noite inteira.

     O farmacista não gostou dos modos do freguês e o chamou num canto:

     – Amigo, me desculpe, mas esta farmácia é frequentada por muitas senhoras e não pega bem você fazer um pedido dessa forma…

     – E como eu devo pedir, então?

     – Você pode usar metáforas. Por exemplo, use marcas de carro. Se você for sair com uma garota peça um Pálio; se for sair com três ou quatro, peça um Vectra, entendeu?

     – Entendi.

     Uma semana depois, olha o cara de volta:

     – Seu Paulo me dê um jipe! – pediu ele com um certo ar de diplomata.

     – Jipe?! – estranhou o farmacista.

     – É que eu hoje estou a fim de me atolar no maior cocô, tá por dentro?

 

 

Um fiofó muito macho!

 

     Por recomendação médica, seu Manuel Simplício, matutão do pé da serra, viajou até a cidade grande para se submeter a um exame. No hospital para onde foi encaminhado, o doutor que o atendeu lhe prescreveu um medicamento, recomendando:

     – Todo dia, em jejum, coloque um desses supositórios na entrada no ânus.

     E Simplício, pulando de lado:

     – Ih, dotô, num vai dá não! Meu cu é cu de macho. Só tem saída!

 

 

Cansado de descansar

 

     Encontrava-se o Teócrates na moleza de sempre: deitado na espreguiçadeira, canelas esticadas, fumando o seu cigarrinho. O vizinho Zé Anísio, tremendo cara de pau, censurou:

     – Ô Téo, será que você não se cansa de ficar tanto tempo sem fazer nada?

     E o malandro:

     – Às vezes, canso, sim…

     – E aí o que você faz?

     – Deito um pouco pra descansar…

 

 

Que susto! Entendeu errado!

 

     Matutão dos cafundós dos judas, o grandalhão chamado Henrique veio à capital para tirar uns documentos. Em determinada repartição pública, ele se aproximou do balcão de atendimento e falou para o rapazinho de aspecto delicado, que se lá achava:

    – Tenho 2 metros de altura, peso 130 quilos, levanto 200 quilos na moleza e sou muito macho! Meu pinto mede 30 centímetros e meu saco pesa três quilos. Henrique Ptolomeu, seu criado!

    Perplexo, o delicado atendente caiu desmaiado. Prontamente, o grandalhão passou a acudir o cara. Minutos depois, o rapazinho acordou e o grandalhão indagou:

    – O que aconteceu com você?

    – Não sei direito, senhor. Será que podia repetir o que disse?

    – Eu disse que tinha 2 metros de altura, peso 130 quilos, levanto 200 quilos na moleza, meu pinto mede 30 centímetros e meu saco pesa três quilos. Henrique Ptolomeu, seu criado!

     O delicado suspirou aliviado:

     – Ufa! Que bom! Eu tinha entendido: “Fique de costas, seu viado!”

 

 

Mas que vergonha!

 

     Correínha tinha um amigo do peito chamado Ricardão. Para ele era Deus no céu e o Ricardão na terra!

     Um dia, durante o trabalho, Correínha sentiu-se mal e resolveu voltar mais cedo pra casa.

     Assim que fechou a porta de entrada, escutou barulho de vozes   no quarto de dormir. Tirou os sapatos, caminhou feito um gato até a porta do quarto e espiou pelo buraco da fechadura.

     Lá estavam o Ricardão e a sua mulher, os dois em pé, se beijando.

     De repente, ela tirou o sutiã e os peitos desabaram. Tirou a calcinha e a bunda arriou…

     Correínha tapou os olhos com as mãos e exclamou:

     – Meu Deus, que vergonha! Aminha mulher toda despencando na presença do meu amigo Ricardão!