Ailton Villanova

3 de abril de 2016

Um cavalo de respeito

Com Diego Villanova

 

     Um grupo de brutamontes da Polícia Militar entrou no Pronto Socorro arrastando o popular Ananias Apolônio e o jogou no saguão, como se joga um saco de batatas. Feito isto, a patota deu meia-volta e se mandou. 

     Os milicos nem fizeram a gentileza de dizer na portaria o que havia acontecido com o infeliz.

     Ananias Apolônio foi colocado numa maca por servidores do nosocômio e conduzido à sala de atendimento de emergência. Estava todo desmantelado. Botava sangue pelos buracos da venta, da boca e dos ouvidos.

     Repararam direitinho no desgraçado e viram que ele podia morrer de uma hora para outra, se não fosse medicado a tempo. Apesar do seu estado grave, ele ainda conseguia falar.

     Penalizado, um dos médicos de plantão indagou a Ananias:

     – O amigo foi atropelado, ou caiu do alto de algum edifício?

     E Ananias, falando com certa dificuldade:

     – Foi  nada disso, doutor. Foi um pau da polícia!

     O médico não quis acreditar:

     – Não é possível!

     – Pois foi, doutor… Pode crer!

     – E por que bateram no senhor desse jeito?

     – Por nada, não… Por besteira!

     – Por besteira???!!!

     – Sim senhor. Eles me espancaram porque eu dei um tabefe na cara de um cavalo, que achou de espirrar nas minhas costas…

     – Mas só por isso?! Como é que pode um cidadão ser espancado desse jeito, só porque deu um tabefe num cavalo?

     – Acontece, doutor, que tinha um PM montado nesse cavalo. Eu não havia  reparado nesse pequeno detalhe.

 

 

Só queria elogiar!

 

     Wanderlei Mathias, que tem nome de cantor de televisão, é um cara bem apessoado, do tipo que o mulherio costuma chamar de “gato”. Apesar de muito paquerado, é portador de um problema que não condiz com o seu cartaz de galã: é tímido demais! Seu amigo mais chegado, o Tiberíades, tem feito o possível para melhorar sua figura perante as gatinhas.

     WM se atrapalha todo quando chega perto de qualquer garota, mas tem se esforçado um bocado para dizer à elas coisas românticas, bonitas…

     Sábado desses, o Tiberíades o levou para almoçar na residência da chefe de sua repartição, uma viúva nova, gostosuda e bonita, que nunca disfarçou o interesse pelo Wanderley. Pra falar a verdade, foi a própria viúva quem deu a idéia pro Tiberíades.

      Acanhadíssimo, Wanderlei rangou muito pouco e falou quase nada. Reparando nisso, a anfitriã comentou:

     – Puxa! Você não comeu nadinha, Wandeco!

     E ele, querendo agradar:

     – Obrigado…. É que ao seu lado qualquer um perde o apetite!

 

 

Ambos cachaçudos

 

     O empresário Euritivaldo Macena é desses que bebe uma vez ou duas por ano. Nessas ocasiões, experimenta apenas alguns goles de cerveja. Belo dia, contratou o popular Biu Geléia para trabalhar como seu motorista. Geléia toma todas, não tem dia e nem hora. Basta encontrar uma brecinha na agenda.

     Certa manhã o patrão chamou Geléia às falas:

     – Ô rapaz, estou sabendo que você é um bebedor inveterado…

     – Isso é exagêro, chefe! Tomo a minha cachacinha, mas me mantenho na linha…

     – Aháá, então é verdade aquela história…

     – Que história, seu Euritivaldo?

     – Me contaram que sábado passado você andava aqui pela rua, caindo de bêbado, cantando alto e empurrando um carrinho-de-mão com um sujeito ridículo dentro, mais cachaçudo ainda. Fala a verdade.

     – É verdade.

     – E você ainda me confirma a sua irresponsabilidade, com a cara mais cínica do mundo. Não sei onde era que eu estava que não vi essa palhaçadas!

     E o motorista:

     – O senhor estava dentro do carrinho, chefe!

 

 

Quase flagra!

 

     Avisaram ao vigia noturno Ostílio Alexandre, que a mulher dele andava lhe botando chifres. E deram até o nome do “pé-de´pano”: um tal de Josias, vendedor de pães.

     Ostílio reagiu na maior brabeza:

     – Vou ter que decidir essa para na base do tiro! Ou aquele fidapeste, ou eu! Gaiúdo e desmoralizado eu não fico!

     – Vai com calma, rapaz! – ponderou o colega chamado Chico da Dina.

     – Que calma, que nada, meu! O corno sou eu!

     E o Da Dinha:

     – Tu vê aí, hein? E se esse papo for mentiroso? Tu tem que investigar direitinho…

     O vigia baixou a pancada e resolveu conferir a história. Dia seguinte, fingiu que ia trabalhar e ficou de butuca na esquina. Daí a pouco olha o pãozeiro pintando no pedaço!

     Assim que acabou de ver o rival entrar sorrateiramente na sua residência, Ostílio correu de volta pra lá e ficou espiando pela brecha da janela. Aí, viu a mulher tirar a roupa e o tal Josias fazer o mesmo. Viu, finalmente, os dois adúlteros rolarem na cama. Justo na hora em que os amantes iam partir para os “finalmentes”, faltou energia elétrica, a luz apagou e o Ostílio não conseguiu ver mais nada.

     Putíssimo, exclamou:

     – Essa não! Logo agora que eu ia dar o flagrante, achou de faltar luz!

 

 

Educado demais!

 

     Quem conhece o Magnólio Pinto sabe muito bem que ele não é lá essas finuras todas. Sabe também que ele é chegadão num birinaite.

     Certa feita, o Mag se achava numa festa de anivesário muito chique, em determinada mansão do bairro nobre da Ponta Verde. Lá pras tantas, já de pileque, ele escutou a bronca de uma madame:

     – Puxa vida, moço! O senhor já está ficando muito chato com essa sua delicadeza! Esta já é a décima vez que pede a minha mão pra beijar!

     E ele:

     – Me desculpe, dona… É que esqueceram de me dar um guardanapo!…