Ailton Villanova

1 de abril de 2016

É melhor morrer!

     Bompartense, nascido numa casinha modesta da vila “Cagar é Luxo” – que ficava encravada num apêndice da avenida Francisco de Menezes, descambando para o mangue da lagoa Mundaú -, o José Agriponaldo foi, um operário de destaque na finada fábrica de tecidos Alexandria. Era tecelão. Dizem antigos colegas seus que ele era o melhor no ofício.

     Agriponaldo, ou “Agripa” para os mais aproximados, era um caboco certinho. Ativista da Juventude Operária Católica, a proverbial JOC, comungava todos os domingos na paróquia de Nossa Senhora do Bom Parto. Agripa adorava uma hóstia. Não fumava, não bebia  (quando bebia, uma vez por ano, no Natal, era vinho de missa).

     Quando esse distinto cavalheiro terminava o seu turno de trabalho,na indústria têxtil bompartense, ele se trancava em casa para ler a Bíblia à vontade. De casa só saía para voltar ao serviço no “fuéte” da fábrica. Aí, deitava e rolava no tear. Um dia, em pleno trabalho, Agripa sentiu-se mal e desmaiou. Foi um corre-corre tremendo, com todo mundo querendo socorrê-lo. Pegaram ele e levaram para o ambulatório e farmácia, que a Alexandria mantinha para esses casos. Lá tinha médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, tudo bem organizado.

     Agriponaldo foi atendido pelo doutor Vasconcelos, um homem bom, generoso, coração imenso… O médico o examinou com bastante cuidado, e ao final foi enfático:

     – Você vai parar de fumar, rapaz!

     E o Agripa:

     – Mas eu não fumo, doutor.

     – Não fuma? Então deixe de beber.

     – Piorou, doutor. Eu não bebo.

     – Então, passe uns tempos sem beber café e não coma carne vermelha. – insistiu o médico.

     – Olha, doutor, eu nem bebo café e nem como carne vermelha. Sou vegetariano.

     – Deixe de andar com mulheres.

     – Andar com mulheres?! Eu sou donzelo…

     Nesse ponto o médico perdeu a paciência:

     – Olhe aqui, rapaz! Não dificulte as coisas. Se não existe nada que você possa deixar de fazer, eu não tenho como lhe curar! Só posso lhe recomendar uma coisa…

     – E o que é, doutor?

     – Morra! Tome um copo de veneno, dê um tiro na cabeça, atire-se debaixo de um trem!…

 

 

Corno é o amante!

 

      Um certo Ortiz Tirado chegou em casa de madrugada no maior porre. Entrou pisando bem devagarinho e viu a mulher em sua cama com outro caboco. Pensou em dar uma porrada nos dois. De repente, deu aquele estalo, e o Ortiz começou a refletir:

     – Ela não me pede mais dinheiro pra comprar carne. Nem pra comprar roupas, jóias, sapatos. Ela anda toda bonitona, muito bem vestida. As crianças estão numa escola particular de primeira qualidade. A geladeira está sempre cheia, com muita fartura. As contas de telefone, água, luz, internet e mais o IPTU, estão sempre em dia. Não pago mais cartão de crédito. Tenho cerveja à vontade e uísque importado. O cara paga aluguel, prestação do carro, e ainda por cima vou pra cama com ela todos os dias!

     E, fechando a porta no maior silêncio, concluiu:

     – Pô, meu, o corno aqui é ele!

 

 

Remédio difícil!

 

     Mal o Alcolênio entrou em casa, biritadíssimo, como de costume, saltou a mulher e disparou:

     – Ainda bem que você chegou!

     E ele:

     – E daí? Qual o problema?

     – O problema é que estou morrendo de dor de cabeça! Vai lá na farmácia do Paulo e me traz Novalgina. Olha, é Novalgina com L, com L no meio da palavra. Não vai se esquecer, hein?

     Alcolênio deu meia volta, saiu, passou pelo bar, tomou umas cachaças com os amigos e chegou muito mais tarde em casa. E sem o remédio!

     Invocadíssima, a mulher perguntou:

     – Cadê o remédio?

     – Tinha não, meu amor!

     – Como não tinha? Você voltou a beber e se esqueceu de passar na farmácia!

     – Não, amor, eu fui lá! O auxiliar do Paulo procurou, procurou, mas não tinha nenhum remédio chamado NABUCLETA!

 

 

Era apenas um bêbado!

 

      Dona Jacobina estava passando em frente ao cemitério e, de repente, ouviu uma voz: “Entra, que aqui é o seu lugar”.

     Assustada, dona Jacobina correu pra casa e contou pro filho Geraldo o que acabara de ouvir. O filho foi lá no cemitério e escutou a mesma voz: “Entra, que aqui é o seu lugar”.

     Então, o filho foi até a praça e chamou um guarda municipal.  Quando o guarda chegou ao cemitério, abriu o portão e viu um bêbado falando com o botão da camisa.

 

 

No céu só morto!

 

     Padre Avelino, gente finíssima, alma caridosíssima, papeava com fiéis, durante prática dominical:

     – Quem deseja ir para o Céu?

     Todo mundo levantou a mão, menos o bêbado, sentado lá no fundo.

      – O senhor aí atrás, não quer ir para o Céu quando morrer?

      – Ah, quando morrer, sim! – respondeu o bebão. – Pensei que o senhor estava organizando a caravana pra hoje!