Ailton Villanova

18 de março de 2016

Cheque japonês

     Há décadas, o povo nipônico vem se notabilizando pelos seus feitos extraordinários. No campo tecnológico mundial tem se credenciado como elemento de ponta. E as descobertas científicas? Ah, isso é fato reconhecido, enaltecido não só pelos japas como também pelos ocidentais. Induvidosamente, os nipônicos são sensacionais.

     Tão logo foi lançado no mundo ocidental o milagroso Viagra, exclusivo para brochança masculina, imediatamente correu o boato no sentido de que, muito antes, no Japão, cientistas haviam descoberto produto similar destinado às mulheres portadoras de algum problema de ordem sexual. Nada de comprovação. Falava-se de experiências exitosas. Apenas falavam. Até que, um dia, numa conferência de cientistas internacionais, no Rio de Janeiro, jornalistas descobriram um certo doutor Takoakara Nomuro e partiram firme pra cima dele, exibindo microfones, câmeras de Tv,  blocos e canetas.

     O primeiro repórter lascou lá:

     – Doutor Nomuro, é certo mesmo que descobriram o viagra feminino no Japão?

     Ele confirmou:

     – Sim, é celto, né?

     Aí, entrou outro jornalista:

     – E qual o nome que deram para esse produto?

     E o japa:

     – Nome que zapon deu é TARON…!

     – E funciona mesmo? – quis saber outro jornalista.

     – Claro, né? Quando você dá TARON para muré, ela fica alegre, carinhosa, beija e abraça você o dia todo, né?

      – Puxa, esse medicamento é fantástico mesmo, hein, doutor?

      – Sim, sim, sim. Garantido, né? Funciona mesmo! Não falha, né?

      – Mas o nome é mesmo TARON?

      – Sim. É Taron. Para ser mais preciso, chama TARON DE CHEQUE!

 

 

Achou! Achou!

 

     Em plena manhã de segunda-feira, o Mirosmar foi ao motel com uma gatinha sensacional, que acabara de conquistar no passeio da orla pajuçarense. Assim que entrou lá, reconheceu o automóvel do amigão Zildomar, estacionado num box, e resolveu tirar uma onda com ele, só para deixá-lo preocupado: arrancou uma das placas do carro do amigo e guardou na mala do seu carro. Depois de uma manhã, uma tarde e uma noite cheias de amor, ele saiu do motel, deixou a gata na casa dela e rumou para a sua, morto de cansado. Dia seguinte, estava batendo na porta do Zildomar. Quando ele atendeu, exibiu a placa do carro:

      – Olha só o que eu tenho aqui, seu safadão!

     Assustado, perplexo mesmo, o amigo indagou:

      – Onde você arrumou essa placa?!

      E o Mirosmar:

      – Não se faça de inocente, porra! O que você estava fazendo ontem de manhã no motel?

      Nisso, o Zildomar gritou para a mulher:

      – Amooorrr-ôôôrrr, olha! O Mirosmar achou a placa do carro que lhe roubaram ontem, no shopping!

 

 

Farinha maldita

 

     Dois matutões dos confins agrestinos vieram passear em Maceió pela primeira vez. Finalzinho de tarde, pegaram a praia e, daí a pouco, num pedaço iluminado, testemunharam dois PMs parrudos dando o maior cacete num negrão. Um dos matutos invocou-se com a cena e encostou nos milicos:

     – Ô seu sordado! Quê qui foi qui esse moreno fêis pra mode apanhá tanto?

     Um dos PMs explicou:

     – Esse safado estava cheirando “farinha”!!!

     Aí, o matuto se virou pro colega e cochichou:

     – Vâmo simbora, Chico! Se tão fazendo isso com o caboco só purcauso de qui ele cherô farinha, magina uqui vão fazê cum a gente quando eles discubrí qui a gente come a farinha…

 

 

Romance premiado

 

       A lourinha Deodete conheceu o Fidibaldo num barzinho da praia jatiuquense.  Papo vai, papo vem, meia hora depois eles estavam encarando uma bela horizontal no apartamento do cara.

       Muito observadora, Deodete reparou numa estante de três prateleiras com dezenas de ursinhos de pelúcia. Na última prateleira estavam os menorzinhos; na do meio os de tamanho médio e, na de cima, os ursos grandes. Então, ela ficou imaginando: “Que cara romântico! Com esses ursinhos… só pode ser mesmo um cara especial!”

       Depois de um baculejo incrementadíssimo, os dois relaxavam numa boa, quando a lourinha perguntou de repente:

       – E aí, meu gato, que tal?

       Ao que o Fidibaldo respondeu:

       – Hã… Pega um prêmio na prateleira de baixo…

 

 

Apenas questão de costume

 

       Eram amigos inseparáveis desde os tempos de crianças. José Ucrânio, Salésio Pereira e Pedro Jorge (Pedrão) nasceram e cresceram no bairro do Poço. Estudaram o primário, fizeram o ginásio e o colegial e serviram ao exército juntos. Amigões meeesssmo!

       Um dia, Ucrânio pegou uma moléstia filha da mãe e não houve médico que desse jeito. Quando estava agonizante no leito de  morte, ele chamou a mulher Gildete, uma baita e reboculosa morena, e sussurrou no ouvido dela:

       – Gildetinha, meu amor, eu quero que você me prometa uma coisa.Quando eu morrer, se case com o Salésio, tá?

       E ela:

       – Será que não podia ser com o Pedrão?

       – Por que o Pedrão?

       – Porque com ele, já tô acostumada!

 

 

Orelha aparada

 

       Final de manhã, o comerciante Eglantino Mateus entrou no salão do barbeiro João Bernardo para cortar o cabelo. É que naquele dia, de tardezinha, iria ao casamento de um parente, no bairro de Bebedouro.

       Eglantino sentou na cadeira e o João Bernardo chamou a tesoura pra frente. Acabou, pegou o espelho de mão, para o freguês conferir se o corte tinha ficado bom.

       – Que tal?

       E o Eglantino:

       – O cabelo parece bom, mas acho que a orelha direita ficou um pouco menor que a esquerda!