Ailton Villanova

16 de março de 2016

Trôco na medida

     Na histórica Palmeira dos Indios existiu um fazendeiro chamado “major” Zezinho, gente boa, que tinha um filho malandro e gastador. O nome dele era Francisco, porém bastante conhecido como Chiquinho. Apesar de não bater um prego numa brôa, o rapazinho tinha tudo do bom e do melhor, inclusive um carrão do ano.

     Boçal, metido a galã, Chiquinho adorava andar montado no tal carrão, rodeado de belas garotas. Ousado, ele não respeitava ninguém.

     Num certo dia, lá ia Chiquinho pisando fundo no acelerador do seu carrão, levantando poeira numa das estradas da periferia palmeirense. Exibia-se para as menininhas que lhe faziam companhia. Mais para adiante, ele avistou um matuto velhusco da cara encarquilhada, que carregava um porquinho debaixo do braço. Olhou para as garotas e disse:

      – Vou sacanear esse matuto. Reparem só.

      Chiquinho parou o automóvel junto ao matuto e indagou com ar de mofa:

      – Ô veínho, como é o nome desse bacurinho aí?

      E o ancião franzindo os olhinhos:

      – O nome dele é Vosmicê…

      – Vosmicê?! Rá,rá, rááá…

      As meninas caíram na gaitada e o bacana ficou meio cabreiro. Nisso, surgiu no pedaço, outro suíno, todo malhadinho, e Chiquinho teve a idéia sacana de querer desmoralizar o velhusco:

     – Ô veínho, e aquela porquinha alí? É a mãe de vosmicê?

      As garotas adoraram a saída do garotão e dobraram as risadas. Mas pararam de rir quando o matuto levantou a mão e pausadamente respondeu ao gaiato:

       – Aquilo alí num é uma póica. É um pôico. E além do mais, a mãe de Vosmicê eu cumí antonte!

 

 

Distraído demais!

 

      Na região agrestina também existiu um agricultor conhecido pelo apelido de Joca Correia. Sua cabeça vivia nos ares, apesar do peso dos chifres. Certa feita, lá ia ele empurrando o seu carrinho de mão para consertá-lo na oficina do amigo Anfrísio. No caminho, ele deu de cara com o compadre Ciríaco, que perguntou:

     – Quê qui foi qui hôve, cumpade? O pé do carro quebrô, foi?

     – E num é que foi, cumpade! Aquele meu impregado Ariosto isqueceu qui esse carrinho num guenta munto peso. Agora, tô levando ele pra mode cunsertá…

      – Ariosto? Vosmicê falô im Ariosto?

      – Foi… falei.

      – Se num me fáia a memóra, Ariosto num é aquele cabra qui teve um causo cum a sua mulé, no ano passado?

      – Pois é… Veja vosmicê, cumpade, qui sujeito mais distraído!

 

 

Perguntinha inocente

 

     O casal Dióxido e Nistatina brigava que nem cão e gato. Numa dessas discussões, ela foi na ferida:

     – Não venha pra cima de mim com essa cara de santinho, não. Fique sabendo que eu lhe vi dançando agarradinho com uma dona, às 4 horas da manhã, na gafieira do Marcão!

     Dióxido deu um breque na discussão, pensou um pouco, passou a mão na testa e novamente levantou a voz:

     – E o que diabos você estava fazendo numa gafieira às 4 da manhã?

 

 

Pô, universitária, hein?!

 

     A lourinha Osvalda encontrou-se no shopping com uma antiga colega de colégio e exclamou:

     – Denise, menina! Como você está diferente! Cortou o cabelo… Tá moderna!

     – Pois é… – concordou a amiga.

     – Tá mais magra, mais bonita!

     –  Brigada… 

     – Então, mulher, me conte: o que você anda fazendo da vida?

     – Tô fazendo quimioterapia…

     – É mesmo? Em que faculdade?

 

 

Chapa perdida

 

     Uma madame de aparência muito séria entrou no consultório de conhecido dentista e já foi tirando a calcinha na cadeira e abrindo as pernas. O odontólogo espantou-se:

     – Mas o que é isso, minha senhora???!!! Isto aqui é um consultório odontológico. O ginecologista fica no outro prédio, se é isso o que a senhora está procurando.

     E ela:

     – Não tô procurando ginecologista nenhum, meu rapaz! Você não e lembra de mim? Vim aqui semana passada com o meu marido.

     E o dentista, ainda assustado:

     – Ah, agora me lembro! Foi aquele senhor para quem fiz uma “ponte fixa”, não foi?

     – Exatamente. Pois agora trate de achá-la!

 

 

Feijão ao cocô

 

     O garotinho apareceu na sala, onde a sua irmã mais velha estava com o namorado, cum um feijãozinho espetado num palito e ofereceu pro cara:

     – Quer?

     – Obrigado… Hmmmmm! Gostoso!

     – Agora pode ir, Luizinho. A gente tá ocupado! – disse a irmã.

     Poucos minutos depois, olha o pentelhinho de volta!

     – Quer mais um feijãozinho?

     O namorado da irmã comeu mais um e o fedelho foi embora.  

 Minutos depois:

     – Quer outro feijãozinho?

      A irmã interrompeu, furiosa:

     – O menino, você quer parar de encher o saco? Vou falar pra mamãe que você anda mexendo nas panelas da cozinha!

     E o pentelho:

     – Esse feijão não é da panela. É do meu cocô!