Ailton Villanova

10 de março de 2016

Nada fora do cardápio!

     Viajando de Arapiraca à Maceió, o ortopedista e advogado Warner Leite de Assis parou numa churrascaria próxima de São Miguel dos Campos e chamou o garçom para pedir um rango. O cara se aproximou do doutor caminhando com certa dificuldade, dando a impressão que estava com sério problema de coluna vertebral.

     Doutor Warner entendedor profundo do problema, indagou com muito jeito e educação:

     – Meu amigo, me desculpe… o senhor tem escoliose?

     E o garçom, com bastante humildade:

     – Olha, doutor, o que temos é o que está aí no cardápio. 

 

Família anormal

 

     Dona Esmeraldina Libório lia uma revista, tranquila, na área de seu apartamento, que fica de frente para o mar de Jatiúca. Aí, Gustavinho, 6 aninhos, seu netinho do coração, chegou pra ela e perguntou:

      – Voínha, onde foi que eu nasci, hein?

      – A cegonha trouxe você pra sua mãe e pro seu pai, meu anjo…

      – E o paínho… como ele nasceu?

      – Ah, foi o Papai Noel que o trouxe.

      – E o vovô Abelardo?      – O vovô? Bem… Ah, ele foi encontrado numa flor enorme.

      – Numa flor?

      – Foi, meu anjo. E quando a flor se abriu, lá estava o vovô!

      Aí, Gustavinho fechou a cara, cruzou os braços e sapecou:

      – Puxa, voínha, ninguém nasce de parto normal nesta família?

 

 

Não fale do pai!

 

     Magnólia Angélica é uma garota aplicadíssima no colégio. Só tira 10. Dona Nistatina, sua mãe, vive se gabando da filha que tem. Acha que ela é um gênio.

     Nolinha, conforme é carinhosamente tratada, de tudo faz uma composição. A mãe acredita que ela vai ser jornalista.

     Dia desses, aniversário de dona Nistatina, seu marido Permaganaldo presenteou-a com uma belíssima blusa de seda italiana. Emocionada, a nataliciante correu para mostrar o presente para a filha, que estudava trancada no quarto.

     – Repare só, Nolinha, no presente que o seu pai acabou de me dar!

     – Huummm! Belíssima bluza, maínha!

     – É de seda pura!

     – Estou vendo! Interesante. A seda…

     – O que tem a seda?

     – A seda, maínha, um tecido tão lindo, tão fino, tão incrível… é fornecido por um verme tão insignificante…!

     Dona Nistatina repreendeu a filha em tom baixo, porém energico:

     – Não fale assim do seu pai, menina!

 

 

Se conseguir…

 

     Aquele viaduto que foi construído no Jacintinho na segunda gestão do prefeito João Sampaio, ganhou um apelido muito safado: “Pinguelão”.

     Pois bem. Certa feita, pouco tempo depois de inaugurado viaduto, o taxista Arnaldo Oliveira – que, inclusive, foi locutor da Rádio Gazeta em épocas passadas -, apanhou no terminal rodoviário do Feitosa uma passageira balzequiana, aí dos seus 50 anos, que pediu para ser levada pro Farol. Depois que a distinta criatura se ajeitou no banco traseiro do veículo, o Arnaldo perguntou, todo cheio de educação e gentileza:

     – A senhora quer que eu pegue o Pinguelão?

    A balzaca fez aquela cara de sonsa, soltou um risinho maroto e respondeu:

     – Bom… se o senhor conseguir dirigir com uma mão só… tudo bem!

 

 

Efeito prolongado

 

     O galego Hildergaldo Botelho tem um vizinho de apartamento que cismou de aprender a tocar gaita. Acabou o sossego do galego. Dele só, não. Da grande maioria do condomínio. Era de manhã, de tarde e de noite, varando pela madrugada, o cara chamando a boca na gaita .

     No começo da semana que passou, Hildergaldo tentava dormir e não conseguia, de jeito nenhum. Fora de sí, pulou da cama, abriu a porta, correu até o apartamento do vizinho e enfiou o dedo na campanhia do inconveniente. Quando o cara abriu a porta, Hildegardo, nervosíssimo, o agarrou pelo gogó e esbravejou:

     – Olhaquí, seu fiadauta, você vai parar de tocar essa maldita gaita, está ouvindo? Eu não aguento mais!

     E o vizinho, branco que nem cera de vela:

     – Mas o senhor está ficando maluco, seu Hildegardo? Faz uma semana que vendi a minha gaita!