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8 de março de 2016

Excesso faz mal?

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Excesso faz mal?

Eu gosto de açúcar, confesso. Bolos, tortas, brigadeiro e sorvete são exemplos de guloseimas que me deixam com água na boca. Lembro que, na idade dos meus filhos, os doces faziam parte da minha alimentação diária, apesar dos pedidos de minha mãe para que eu tivesse uma dieta mais “equilibrada”. Não dei ouvidos e continuei com meus hábitos até o dia em que me percebi “gordinho”. Foi aí quando o esporte entrou na minha vida e junto com ele a preocupação com a estética e com a saúde.

Fiz questão de trazer essa memória sobre excesso por dois motivos. O primeiro trata da nossa tendência de querer ou fazer sempre mais e desprezar nossos limites, nossa zona de segurança. O segundo pressiona nossa consciência: deixamos para notar os riscos dos nossos excessos quando a coisa fica feia, séria e em estado de alerta.  O fato é que o excesso tem estado cada vez mais presente nas vidas das pessoas.

Em muitos momentos me deparo com pessoas próximas a mim querendo fazer tudo de forma exagerada, correndo contra o tempo e tentando ultrapassar os limites impostos pela vida. Seja no trabalho, na vida pessoal ou até mesmo em atividades que deveriam proporcionar prazer, como uma ida à academia por exemplo. As pessoas estão cada vez mais “aceleradas” em uma busca constante pela superação dos limites a qualquer preço. Eu também sou vítima desse mal que atinge tantas pessoas em todo mundo. 

Por diversas vezes perco a noção da hora e chego ao final do dia sem ter ligado para minha esposa ou ido até a escola dos meus filhos para saber como eles estão. É a luta pela sobrevivência em um mundo cada vez mais competitivo nos afastando das relações com quem mais amamos e das coisas simples que nos deixam felizes.

Vejamos o caso da prática de esportes. É fato que toda e qualquer atividade física gera um impacto no corpo e por esta razão o descanso é essencial para vencer as famosas barreiras – seja disposição, tempo de percurso ou respiração. Com o passar do tempo vamos criando resistência, melhorando nosso condicionamento físico e superando nossas metas. Porém, muitas pessoas não buscam apenas melhorar sua forma física ou estética por meio da prática esportiva. O que percebemos é uma necessidade de autoafirmação, onde as pessoas simplesmente “pulam” etapas e tentam chegar ao topo da montanha sem antes passarem pela base. É o exagero pela busca pelo pódio, pela melhor colocação, pelo reconhecimento do esforço, do levar o corpo e mente aos limites máximos. 

Não estou dizendo que não devemos nos exercitar, pelo contrário, mas é importante ter ponderação e entender que, se hoje eu corri 300 metros e cansei, devo parar, respirar, recuperar o fôlego e correr mais um pouco. No outra dia, correr os mesmos 300 metros e mais um pouco e tirar o dia seguinte de repouso – intercalando descanso e atividade à sua maneira e com acompanhamento de um profissional de educação física, além de médicos.

Afinal, todo o esforço deve ser recompensado – mas não vale usar a desculpa do exagero em coisas boas, né? Nem passar trinta dias, cinco horas por dia, em uma academia. Saber que o excesso faz mal é uma lição valiosa para a vida – aprendi cedo, apesar dos doces da infância.

Até a semana que vem!

* Antonio Moura é secretário municipal de Proteção ao Meio Ambiente de Maceió. É graduado em Administração e Marketing com pós-graduações em Docência do Ensino Superior e em Gestão de Pessoas.