Ailton Villanova

23 de fevereiro de 2016

A biba arrumou um acordo!

     O sonho da boneca Crisálida era possuir um fusquinha rosinha para melhor e mais comodamente emprestar a bunda por aí a fora. Trabalhou, trabalhou, juntou uma graninha e, finalmente, comprou o carrinho sonhado. Sambadinho, derrubadinho, ano 64 , o bichinho andava meio debandinha e rebolando talqualmente a personagem adquirente.

     Como pretendia um carrinho cheio de frescurinha, Crisálida levou o veículo recém adquirido à oficina do Jaú, no Tabuleiro do Martins, e pediu:

     – Quero que você capriche na lanternagem e na pintura, ouviu meu querido? Quero meu fusquinha todo rosinha com bolinhas brancas… Ah, bote também aquela buzinha que faz “miau, miau”!

     – Alguma frescura mais? – perguntou o lanterneiro.

     – Não. Tá bom. Será que ele vai estar pronto até o carnaval? É que eu quero esnobar na avenida ao volante!

     – Venha buscá-lo daqui a vinte dias, tá certo?

     Jaú caprichou no serviço. O carrinho da Crisálida saiu da oficina lindérrimo, inclusive com peças novas implantadas pelo negão Lindelfo, mecânico sócio do sobredito Jaú. Crisálida saiu da oficina de dedo topado na buzina: “Miaaauuu… miaaaauuu… au au au”…

     Para inaugurar o carango na pista, Crisálida convidou a colega mais íntima chamada Sanda Karla e danaram-se as duas “deslizando” pela pista, com destino a Marechal Deodoro, onde haveria uma prévia carnavalesca. “Miaaauuu… miaaauuu… au, au”… – era a buzina.

      O carrinho já tinha ultrapassado a ponte Divaldo Suruagy e se lançava rebolativo pela Al 101-Sul quando, repentinamente, veio um caminhão trucado e bateu na traseira do fusquinha, provocando um grande estrago. A bicha desceu do carro possessa:

     – Ai, meus deuses! Meu fusquinha tão lindinho!…

     E virando-se para o motorista do caminhão, um negrão descomunal de dois andares, abriu o bocão:

     – Mau! Você é muito mau! Veja só o que fez com o meu fusquinha lindinho! Você vai ter que pagar o estrago!

     – Que pagar, que nada! Quem mandou andar devagar nessa rodovia seu viado escroto? – rebateu o negrão.

     – Vai  pagar, sim! Você bateu por trás. Está erradérrimo!

     Sanda Karla, a outra bicha, ajudava:

     – Isso mesmo! Eu sou testemunha! Vai pagar, sim, seu negro grosso!

     – Chega de papo. Não vou pagar e vá tirando logo essa porcaria do meu caminho!

    – Ah, é, seu maloqueiro? Pois tá!

    Crisálida virou-se para a colega e pediu:

    – Mona, corre alí naquele posto do Detran e chame os guardas. Vai queridinha!

    Enquanto Sandra Karla se preparava para se mandar, Crisálida insistiu:

    – Deixa os guardas chegarem, seu negão maleducado. Aí, você vai ver o que é bom pra tosse!

    O caminhoneiro engrossou ainda mais:

    – Podem vir esses meganhas, porque eu vou pagar é o CACETE!

    Ao escutar isso, a bicha gritou para a colega, que já ia adiante:

    – Sandriiinhaaa! Volta, querida! Volta, que o negão quer negociar!

 

 

Explicação para o sêmen

 

     Na sala de aula da faculdade de medicina, o distinto mestre Osply Cândio dissertava sobre o teor de glicose encontrado no sêmen.  Uma caloura, por sinal muito gostosa, levantou o braço e perguntou:

     – Professor, se entendi bem, o senhor está dizendo que se encontra glicose no sêmen assim como no açucar?

     – Sim. – respondeu o mestre.

     – Então, por que o gosto não é doce?

     Após o silêncio de estupefação, a classe toda arrebentou numa gargalhada. A pobre garota ficou morta de vergonha, assim que percebeu na mancada que tinha dado. A resposta do professor Osply foi clássica:

     – O gosto não é doce porque as papilas gustativas que reconhecem o sabor encontram-se na ponta da língua e não no fundo, perto da garganta…

 

 

Não era melhor ele ter ficado calado?

 

     O popular Severino Sovaco de Cobra saiu de um boteco na periferia da Levada, fazendo mil caretas. Lá adiante encontrou-se com um sargento PM, que caminhava na direção do tal boteco. Aí, ele abordou o milico:

    – Ô seu sargento, dá licença… O senhor precisa prender o dono daquela birosca alí…

    – É? E por quê?

    – Porque o cara é ladrão. Está vendendo uísque falsificado!

    – Pois quem vai em cana é você!

    – Ôxi! Qualé, seu sargento? Por que eu vou preso?

    – Por falsa denúncia e fofoca. O dono daquele bar sou eu!

 

 

Água suja na cerveja

 

     Dois pinguços saíram de um bar na Brejal, completamente embriagados. Abraçados, tropeçavam nas canelas um do outro. De repente, o que se chamava Pertuvídio, deu uma topada no chão, agarrou-se no parceiro e os dois caíram na lagoa. Espernearam feito loucos, já que a lagoa da Brejal está sempre cheia. Bravamente, eles conseguiram sair e seguiram em frente. Foi quando Pertuvídio reclamou:

     – Olha, Bertinaldo, não pisso mais nesse bar. Você reparou como a cerveja tinha gosto de água suja?

 

 

Vai longe demais!

 

     Numa mesa de determinada birosca da orla lagunar outros dois bebões biritavam sem parar. Daí a pouco, um deles falou cheio de orgulho:

     – Meu filho é genial! Olha, Zé, se eu te falar, tu nem vai acreditar…

     – Fala, meu!

     – O pivete tem um ano e já faz seis meses que está andando!

     Alarmando, o tal de Zé retrucou:

     – Putaquipariu, Nivaldo! Imagino que a estas alturas ele já deve estar longe pra cacete!

 

 

Ué, cadê o cavalo?

 

     Abriram-se as portas de um bar, na margem da rodovia que passa por Campo Alregre, um vaqueiro disparou de dentro, deu uma cambalhota e esparramou-se dentro de uma sargeta.

     Um sujeito que ia passando afastou-se para um lado e perguntou curioso:

     – Ôxi! Quê que foi isso, rapaz? Você foi expulso aí do bar a pontapés ou está doido?

     E ele, muito puto:

     – Nem uma coisa e nem outra. Só queria saber quem foi o fidaégua que tirou o meu cavalo do lugar!

 

 

Um bebedor exigente

 

     O bêbado chegada todo dia ao boteco, pedia um grogue de cachaça, tapava o nariz e tomava tudo em um só gole.

     Um dia, o balconista não se conteve:

     – Escuta aqui, ô cara! Por que você tapa o nariz enquanto bebe?

     E o pinguço:

     – É que o cheiro de cachaça me dá água na boca e eu gosto dela é pura!