Olívia Cerqueira

17 de fevereiro de 2016

Artistas alagoanos inauguram a exposição Radiografia Urbana em São Paulo

Os artistas alagoanos Vera Gama e Rogério Gomes, da Galeria Gamma, inauguram nesta quinta-feira (18) suas respectivas visões poéticas sobre a metrópole paulistana na exposição “Radiografia Urbana”, que fica em cartaz na Luis Maluf Art Gallery até 18 de março, na Rua Peixoto Gomide, 1887 – Jardins, em São Paulo. A curadoria é assinada por Ana Cristina Carvalho.

Nesta mostra, os artistas reúnem obras produzidas em 2014 e 2015, que sugerem um modo peculiar de perceber a cidade, de forma simbólica e com linguagem muito particular, numa perspectiva de compreendê-la como objeto vivo, explorando suas formas e relações entre o interior e o exterior. São 23 obras, entre pinturas, relevos e esculturas feitos com tela, tinta acrílica, madeira, borracha, MDF, resina acrílica, papel e tecido.

Para a curadora da exposição, Ana Cristina Carvalho, a sinergia do tema, as metáforas urbanas, traz para cada um dos artistas a possibilidade de encontro entre formas e ideias. “ De tendência construtiva concretista, essas expressões plásticas, de efeito ótico e sensorial, apresentam referências da linguagem abstrata geométrica e de materiais originários do processo da industrialização e da tecnologia, o que pode também ser percebido através do vídeo criado pelos artistas, com seus ruídos urbanos e comunicação interurbana”. 

Ainda segundo a curadora, as obras revelam uma arquitetura em síntese de cidades oníricas, através de modelos e volumes impessoais que tecem a malha urbana, do interior à aparência externa dos objetos. “O que se vê nesses trabalhos não é só a obra como resultado, mas a obra como processo. Processo que evolui na pesquisa e nas diversas experiências artísticas que refletem os legados de cada um dos artistas, ao lado dos valores complexos do sentido da arte contemporânea”, ressalta Ana Cristina.

Vera Gama e Rogério Gomes trabalham em parceria há quase três décadas. Juntos usam a arte como objeto transformador com projetos sociais em sua área de atuação como no Galpão 72, em Maceió. No projeto social “Esta rua é minha”, de 2005 a 2009, transformaram a realidade do bairro Jaraguá, por meio de experiências artísticas com jovens e famílias da comunidade.

 A produção visual de Rogério, herdeiro das vanguardas artísticas de linguagem geométrica no Rio de Janeiro e em São Paulo nos anos 1950/60, reflete os seus valores e questionamentos, o interesse pela sociedade, pelas transformações urbanas e seus significados ocultos. Já nas pinturas de Vera, a repetição de elementos das formas combinatórias sugere, não só o olhar fruidor, mas uma obra com grande efeito visual, de participação sensorial ativa, com forte impressão de movimento e deslocamento, sem se distanciar da mensagem estética.