Ailton Villanova

7 de fevereiro de 2016

Sabedor de menos

     Só porque tinha uma letra bonitinha, toda desenhada, o santanense José Alcino vivia se exibindo diante de parentes e amigos. Mas era analfabeto. Dá pra entender? O leitor mais enfronhado nas questões do insondável da criatura humana, com toda certeza não haverá de surpreender-se com o fato, e, ademais, não se furtará de emitir parecer justificativo sobre o fato. Eu hoje estou bárbaro!

     Zé Alcino penou um bocado para decorar as primeiras (que para ele foram as últimas) letras do alfabeto, na escola primária particular de dona Estefânia. E ficou por aí. Quanto ao detalhe de possuir a letra redondinha, aprumadinha, isso ele ficou devendo à sua finada genitora, dona Geniculina, que se esmerou no sacrifício, para ver o filho escrevendo bonitinho, de carreirinha. Os antigos cadernos de “Caligrafia” (quem se lembra deles?) ajudaram bastante na formatação das letras. Apenas isso. Não na alfabetização

     Letra bonita, tudo bem. Mas, a gramática e o português, para ele sempre foram assombração; coisa terrível.

     Analfabetão, que tipo de emprego poderia ter?

     Zé Alcino deixou Santana do Ipanema rumo à Maceió, depois de limpar muito chão na hospedaria de seu Leusinger. Na capital, o melhor que conseguiu foi um trabalho de auxiliar de pedreiro. Mas esnobava espalhando por todo canto que era mestre-de-obras. Foi nesse papo que conseguiu conquistar o coração da donzela Izildinha, garçonete de um bar na zona do meretrício Jaraguá e com ela contraiu núpcias. Foram morar no Gulandim.

      O nosso distinto Alcindo gostava sempre de andar com um livro ensebado de História do Brasil, debaixo do braço, só pra se exibir, pra mostrar que era letrado. Do tantinho que conhecia da matéria ele aprendeu ouvindo sua mãe contar. Um dia, na obra onde trabalhava, apareceu um humilde servente chamado Nazareno, que também não sabia nem ler e nem escrever. Foi com esse coitado que o Zé Alcino resolver tirar onda. Todos os dias era um sarro.

     Por último, a esnobada se deu num sábado, no bar da esquina, quando os trabalhadores da obra se achavam biritando. Ele chegou pro Nazareno e falou bem alto para todos ouvir:

     – Ô Nazareno, você sabe quem foi Pedro Álvares Cabral?

     – Sei não.

     – E você sabe quem foi Cristóvão Colombo?

     – Também não.

     – Tá vendo? É isso que dá não estudar.

     Humilhado, Nazareno partiu para a desforra:

     – E puracauso tu sabe quem é o Belarmino?

     – Belarmino? Sei não. Esse cara tá História do Brasil?

     – Qui tá, num tá não. Mas tá na tua casa, deitado na tua cama, cum a tua mulé! 

 

 

Cadê o homem?

 

     Tremendo que nem vara verde, o Hermenegildo sentou-se na cadeira do dentista Max Sillár. Procurando acalmá-lo, o doutor lhe ofereceu uma dose de uísque. Ele tomou duas e pediu uma terceira.

      Minutos depois, doutor Max Sillár perguntou sorrindo:

      – E então, meu amigo, já está valente?

      – E muito, doutor! Quero ver que é homem o bastante pra me fazer abrir a boca!

 

 

Prisão impossível

 

     Um camarada despencou do vigésimo andar de um edifício residencial e, enquanto caía, gritava desesperado:

     – Abaixo o governo! No governo só tem corrupto e ladrão!

     Uma senhora que se achava debruçada numa janela perguntou-lhe por que tanto escarcéu:

      E ele:

      – Estou tentando ser preso antes de me espatifar no chãããão!

 

 

 

O neto malandro

 

     Dona Esmeraldina, uma senhora dos 80 anos, largou-se de Quebrangulo para visitar o neto em Maceió. Em aqui chegando, procurou o quartel onde ele estava servindo e foi direto ao gabinete do oficial de dia:

     – Capitão, eu vim visitar o meu neto, Sérgio Ricardo…

     E oficial:

     – Coincidentemente, ele serve no meu regimento, mas infelizmente hoje não está.

      – Não está?

      – Não. Ele pediu licença para ir ao enterro da senhora!

 

 

Missão impossível

 

     Torcedor fanático do Centro Sportivo Alagoano, o Florisbaldo caminhava desolado pela principal arteria do Mutange, depois de tremenda farra em Bebedouro. Aí, tropeçou numa lâmpada mágica. Sabedor da lenda da lâmpada, ele esfregou a peça com a ponta da camisa e aí surgiu um gênio que lhe concedeu o direito de um único pedido.

     E ele:

     – Quero que me traga de volta o meu amigo Herculano, que perdi há 25 anos.

     – Vinte e cinco anos? Impossível!!! O máximo do meu poder são dez anos, no limite. Lamento, mas… faça outro pedido.

     O Florisbaldo não pensou duas vezes:

     – Quero que o meu CSA volte à primeira divisão… e seja campeão!

     O gênio parou uns segundos, pensou, pensou, torceu o nariz e perguntou ao cara:

     – Bem, como é mesmo o nome do seu amigo?

 

 

Idéia inteligentíssima

 

    Aqueles dois amigos inteligentíssimos, Jotajó e Bejota, desistiram do taxi e

compraram um caminhão. Arrumaram uma carga além da altura permitida – 4,5 mts -, e iniciaram a viagem contratada. Não rodaram muito, depararam com uma placa, que indicava o seguinte: “Tunel, altura máxima 2,5 mts. Jotajó olhou para o Bejota e sapecou:

     – Já que inguém tá olhando, vamos passar.

     Já viu, né?