Ailton Villanova

29 de janeiro de 2016

“Cavernoso”, um pinguço invocado

      Bastante conhecido no Alto da Conceição – conexão Bom Parto/Farol – o pinguço Alcolídio Jurubeba, o “Cavernoso”, (hoje ocupando, definitivamente, exíguo pedaço de terra no Cemitério de São José, Trapiche da Barra), protagonizou histórias as mais hilárias. Frequentador assíduo do antigo “Bar do Padre” (cujo proprietário era o ex-sacerdote Aristides Barros), localizado na primeira transversal da rua Marquês do Herval, Cavernoso convivia com a nata do radialismo alagoano. É que o bar do finado reverendo era o preferido do pessoal do rádio, principalmente da Difusora, que ficava nas proximidades, esquina da rua “Morou, Bebeu”, com avenida Fernandes Lima.

       Num determinado dia, por sinal um começo de tarde de sexta-feira, eis que Cavernoso entrou no Bar do Padre – àquelas alturas entupido de biriteiros  -, e aí encarou o garçom Agenor Bonfim, que estava estreando na função:

       – Ôpa! Tu é novato aqui, num é gente fina?

       E o Bonfim:

       – Sim, senhor. Estou começando hoje!

       – Nesse caso, vamos comemorar!

       Dito isto, Cavernoso virou-se para os presentes e anunciou:

       – Bebida grátis pra todo mundo! Hoje, por causa da estreia do novo garçom, eu pago o “estrago”, falei? Bota umas pra você também, garçom. Quero ver todo mundo embriagado!

       E Cavernoso promoveu a maior festa, enchendo, ele próprio, o copo de todo mundo, reiteradas vezes. Lá pelas tantas, se arrastou até a porta, pretendendo ir embora sem pagar. O garçom Agenor o agarrou pela manga da camisa:

      – Ei, rapaz! Nada de enrolada comigo! Olhe aqui a conta, já que você disse que ia pagar tudo! São 60 cruzeiros!

      – Ôxi! Que onda é essa, rapaz? Será que a gente num pode nem tirar uma brincadeira?

      – Comigo ninguém brinca! Vai, paga logo a conta!

      – Com que dinheiro, rapaz? Tô liso!

      Ao escutar a palavra “liso”, o garçom, que era um sujeito parrudo, pegou o Cavernoso pelo fundilho e o atirou na rua, depois de lhe ter aplicado uns bons tabefes.

      No outro dia, à mesma hora, olha o Cavernoso de volta ao Bar do Padre! Na base do grito, anunciou, novamente:

      – Atenção, colegas! Bebida pra todo mundo, por minha conta! Ô garçom, encha o copo da rapaziada… menos o seu. Já vi que você fica muito violento quando bebe!

 

“Que empresa é essa”?  

      Perto de concluir o primeiro mandato, o presidente Inácio Lula resolveu dar uma voltinha de carro pelas ruas e avenidas de Brasília, coisa que não fazia desde que fora eleito. Ao passar por um prédio bonito em cuja fachada se lia numa vistosa placa a palavra “Petrobras”, ele comentou com os assessores que o acompanhavam:

       – Ainda hei de fazer essa empresa de petróleo a maior do mundo!

       O assessor que sentava ao seu lado, concordou e o carro seguiu adiante. Noutro prédio, a placa indicativa: “Eletrobras”.

        E ele, empolgadão:

        – Essa também, cumpanhêro assessor. Farei dela a maior empresa de eletricidade do planeta!

        Adiante, ele viu outra placa e disse:

        – Emobrás?! Ah, Emobrás! Ainda vou fazer daquela empresa…

        O assessor cortou:

        – Presidente, aquilo não é nenhuma empresa…

        – Não, cumpanhêro?

        – Não. Aquela lá é apenas uma placa avisando que o prédio está “Em obras”… só isso!

 

Japa muito esperto

      Todos os dias um japonês passava de carro na frente da Polícia Rodoviária. Parava, dava um presentinho – um dia uma cesta de morangos, no outro dia uma de pêssego, e noutro de maçã, repetindo por vários dias.

      Certa ocasião ele passou direto, na outra também, e no terceiro dia o policial o parou e perguntou:

      – O senhor mudou o tratamento conosco, por quê? Antes nos trazia presentes, agora passa direto!

      O japa respondeu:

       – É que agora zaponês tirô carteira, né?

 

O motivo do atraso

     O servidor público Poliedro voltou do almoço com um atraso danado e aí, o chefe da repartição reclamou:

     – Quê que houve Polí? Chegando agora, rapaz?

     E ele, justificando:

     – Nem lhe conto, doutor Bráulio. Saí do almoço, caí da escada rolante do lado do shopping e dei de cara com os degraus!

     – E levou uma hora pra fazer isso, rapaz?!

 

Um velho muito sabido!

      Aquele advogado boçal pra cacete, famoso por gostar de aparecer e querer ser o que a folhinha não marca, resolveu dar uma de caçador, durante o período de férias que ele próprio se deu. De modo que foi caçar patos em uma região alagada. Ao alvejar um desses palmípedes, o coitado foi cair dentro da propriedade do velho Antiógenes Grosélio, que era toda protegida de arame farpado.

       O advogado pulou a cerca para pegar o pato abatido e, quando caminhava até o ponto onde ele caíra, eis que se deparou com o proprietário da fazendola, que se achava ao volante de um tratorzinho.

        – Pare já aí, seu ladrão! – determinou o dono da terra.

        E o advogado, cheio de direito:

        – Eu não sou ladrão! Apenas vim buscar o pato que acabei de abater. Pra seu governo, cidadão, eu sou um influente advogado, ouviu? Posso meter-lhe um processo e lhe tomar a propriedade. O senhor não me conhece e nem sabe do que eu sou capaz!

        – Entonce, peraí! – ponderou o velho. – Purquê nóis num arresorve a questão à moda serteneja, pra acaba com essa pendenga?

        – Como assim?

        – É o siquinte… eu dô trêis chute im vosmicê. Adispôi, vosmicê dá três chute nimim. Quem aguentá mais caladinho, ganha, tá certo?

        O advogado boçal avaliou a questão e logo concluiu que aquele velhote franzino era parada fácil. Então, resolveu topar a parada. 

         Bastante vivo, seu Antiógenes propôs mais uma vez:

         – Eu chuto premêro, purcauso qui sô mais véio e mais fraquinho!

         O advogado concordou. O primeiro chute aplicado pelo velho Antiógenes atingou o “saco” do doutor. O segundo foi dado no meio da cara, quebrando-lhe o pau da venta. Depois de urrar muito, o advogado se levantou e disse:

        – Dê o terceiro, velho covarde!

        Seu Antiógenes chamou na grande – pei! – pegando nos rins do boçal que, mesmo quisesse, não conseguiria gritar, porque mal podia respirar, tamanha era a dor. Depois de alguns minutos, pôs-se de pé, mal se sustentando nas canelas, e ameaçou:

      –  Agora, pode ir rezando, velho fidapeste! Eu sou faixa preta de karatê e vou desmontá-lo, na base da porrada!

      E o velho, com aquele risinho maroto:

      – Carece não, meu fio. Eu disisto da briga. Arricunheço qui perdi. Pode pegá o seu patinho, viu?