Ailton Villanova

25 de janeiro de 2016

A velhinha troteada

     Dona Epitélia, uma velhinha de andar ligeiro e dona de dois olhinhos vivinhos, foi à delegacia de polícia prestar uma queixa. Depois de resumir a história para o escrivão, este botou o papel na máquina (nessa época a polícia não usava computador), puxou o ”pincinês” para a ponta da venta e inquiriu:

     – Seu nome completo, por favor?

     – Epitélia Maria da Conceição, mas gosto que me chamem de Teté, apelido de infância, entende?

     – Idade?

     – Tenho 87 . Vou fazer 88 no mês que vem…

     – Endereço?

     Ela deu o endereço, o escrivão botou no papel e, em seguida, acrescentou:

     – Muito bem. Agora vamos à sua história… A senhora se achava em casa… Diga-me com suas palavras, o que aconteceu naquela tarde,

     – Bom, eu estava sentada na cadeira de balanço que tem na varanda da minha casa, quando apareceu aquele rapaz e sentou-se ao meu lado…

     – A senhora conhecia esse cara?

     – Conhecia não. Mas ele foi muito… muito… sabe?

     – Sei, sim. O que aconteceu depois?

     – Ele foi se chegando mais pra perto e aí começou a alisar a minha coxa.

     – Aí, a senhora o deteve, não foi?

     – Não. Detive, não.

     – E por que não, dona Epitélia, digo, dona Teté? O sujeito era um tremendo dum tarado! Alisar a coxa de uma velhinha como a senhora…!

     – Mas eu achei bom, meu filho. Foi tão agradável ele passar a mão… Ninguém havia feito isso comigo desde que o meu finado marido Atahualpa faleceu, há 50 anos.

     – Tá bom. E o que aconteceu depois?

     – Ele começou a acariciar os meus seios…

     – Valei-me minha Nossa Senhora! Que cabra mais safado! Foi nesse ponto que a senhora o deteve, então.

     – Não.

     – Não???!!! E depois?

     – Olha, meu filho, àquelas alturas eu estava louquíssima, descontrolada. Abrí as pernas e disse pra ele: “Me possua! Me possua, meu rapaz!”

     – Aí, o tarado safado, sem-vergonha possuiu a senhora, não foi?!

     – Que nada! Possuir, o quê! Ele levantou-se, gritou: “Primeiro de abril”! E saiu correndo! Quero que prenda ele, meu filho!

 

 

Pergunta imbecil, resposta cretina

 

     O leitor está careca de saber que o finado doutor Aílton Rosalvo era um tremendo gozador. O xará também tinha umas tiradas ousadas, desconcertantes. Certa vez, quando exercia a função de diretor do IML de Arapiraca, teve de comparecer ao forum de uma cidade vizinha para prestar alguns esclarecimentos ao juiz, a respeito da expedição de um laudo pertinente a necropsia de um sujeito que fora assassinado. Na audiência, o promotor de justiça, muito do boçal, assumiu a palavra:

     – Doutor, o senhor se lembra aproximadamente a hora em que examinou o corpo da vítima Jebedias Florêncio?

     – Foi à noite. – respondeu o perito – A perícia no morto começou a ser feita cerca das 20:30hs…

     – E o senhor Jebedias estava morto naquele momento?

     Diante de pergunta tão imbecil, doutor Aílton Rosalvo não se conteve, e respondeu com ironia:

     – Não, meu brilhante e inteligente promotor. Ele estava sentado na mesa tentando imaginar porque eu estaria fazendo uma necropsia nele!

 

 

Tudo na lista

 

     Pixaim espichado na marra, à base de soda cáustica, bigode de rato e um tremendo bafo de fossa, tudo isso, e algo mais, faz do Feldorênio um sujeito indesejável. Mas, tal qual o seu parente Jotajó, ele se acha o máximo. Enxerido e cara-de-pau, outro dia ele foi flagrado na praia de Cruz das Almas tentando curtir um barato com um garota gostosinha pacas.

      – Eu queria te ligar. Qual é o teu telefone?

      – Tá na lista. – respondeu a jovem, torcendo a cara.

      – Mas eu não sei o teu nome.

      – Também tá na lista.

 

 

Apenas um leve engano

 

     Ao término do seu plantão na delegacia de polícia, a autoridade respectiva mandou soltar o único preso que havia na carceragem.

     – Mas traga ele aqui, que eu quero ver a sua cara! – recomendou ao chefe de expediente.

     O preso foi levado à presença do delegado, que indagou:

     – Foi o pessoal da PM quem lhe prendeu?

     – Foi sim, senhor.

     – Por bebedeira?

     – Sim, senhor. Eles estavam mais bêbados do que gambá!

 

 

Achou por acaso

 

     No restaurante do amigo Duda, localizado em Mangabeiras, o freguês acabou de jantar, limpou a boca com a ponta da toalha da mesa e pediu a conta. Bastante solícito, o garçom Deraldo perguntou:

    – Como achou o bife, senhor?

     – Como achei?

     – Sim, caro senhor.

     – Bom, eu achei por acaso. Levantei uma rodela de batatinha e ele estava em baixo.

 

 

Papo conjugal

 

     Havia mais de uma hora o camarada estava de ouvido colado no fone do orelhão. Atrás dele, uma fila enorme. Todo mundo puto da vida. Aí, o cara que era o primeiro da fila, impacientou-se:

     – Ô meu, estou com pressa! Aliás, todo mundo aqui está com pressa! Faz exatamente uma hora e vinte minutos que você está agarrado nesse telefone sem dizer palavra alguma!

     E o cara:

     – Meu amigo, eu estou conversando com a minha mulher! Posso?

 

 

Extraordinário!

 

     Semana de Luiz Vaz de Camões, o imortal vate português,

estava sendo realizada, com muita pompa, no Gabinete Português de Leitura, em Recife.  De repente, surge um repórter e se aproxima de um dos convidados, por sinal patrício do homenageado:

     – Professor, se Camões ainda fosse vivo em nossos dias seria considerado um homem extraordinário?

     – Ora, pois. Sem dúvida seria um fenômeno!

     – E o senhor poderia dar um motivo de tanta certeza, professor?

     – Claro. Ele hoje estaria com 400 anos!