Ailton Villanova

22 de janeiro de 2016

As folgas da mulher do pastor

     Rei da boemia, o Gerúndio Escolástico andava sumido havia um tempão. No último Dia de Reis, por acaso, seu amigo Perióstio Escaleno deu de cara com ele na praça D. Pedro II.

     – Pô, meu! Onde você andava? – indagou o amigo.

     E ele, meio apressado:

     – Ocupadíssimo, amizade.

     Perióstio insistiu:

     – Mas cara, não sobra nem um tempinho pra uns birinaites na orla? Passa lá no Posto 7, no sábado à noite…

     – Sábado? Não posso! Sábado o pastor SS Silibaldo vai fazer uma pregação no Tabuleiro…

     – Não! Não é possível! Você agora é crente?! Nesse caso, a gente toma só uma água de coco e bota o papo em dia. Segunda-feira, tá bom?

     – Também não dá, cara. O pastor vai comandar uma campanha de evangelização no Barro Duro.

     – Então, eu te espero na sexta-feira, tá combinado?

     – Iiih, piorou! Logo na sexta, meu irmão! Impossível! O pastor vai passar o dia inteirinho em perigrinação. Só vai voltar no sábado pela manhã.

     Nesse ponto o amigo Perióstio perdeu a paciência:

     – Ô cara, esse seu fanatismo repentino pelo evangelismo não tá dando pra entender! Será que você não pode perder nenhuma pregação ou uma reunião com esse tal de pastor SS Silibaldo? Qualé?

     – Claro que eu posso perder qualquer encontro, reunião ou pregação do pastor. O que eu não posso perder, são as folgas da mulher dele, entendeu?

 

 

Ganhou o prêmio!

 

     Determinados locutores de rádio FM têm aprontado horrores, na condução dos chamados programas disquejóqueis, onde o ouvinte tem partição ativa e direta com os sobreditos.

     Ainda bem que temos honrosas e gratificantes exceções –  que são a maioria -, atuando na área.

     Pois bem. Numa determinada emissora, o locutor comandava um programa tão cretino quanto o próprio. Certíssimo que estava abafando, o imbecilóide abriu espaço para o público ouvinte feminino manifestar-se através do telefone.

    Empolgadão, o cara deitava falação:

    – Daremos um belíssimo prêmio para a ouvinte que apresentar a melhor resposta à seguinte pergunta: o que você diria ao seu marido na primeira noite de núpcias?

    Imediatamente uma ouvinte ligou. Ele a atendeu, no ar:

    – Alô querida, tudo legal? Tudo joia?

    E ela:

    – Superlegal! Superjoia!

    E o locutor, mais empolgado ainda:

    – Seu nome, querida?

    – Marijudicleide Juliette… com dois “tês”, viu? – respondeu a ouvinte.

    Novamente, o “brilhante” e “inteligente” locutor:

    – Manjou na pergunta que está no ar, meu amor?

    – Supermanjado.

    – Então, você tem um minuto para responder. Vale um CD da dinâmica, imbatível e magnífica dupla Xitãozinho e Xororó. Responda, minha querida: o que você diria ao seu marido na noite de núpcias?

    – Eu diria… “enfim, sós”. Não é romântico? – respondeu a ouvinte.

    – Aaah, mas que pena! Essa sua resposta é muito manjada. Man-ja-dis-sima! É ou não é querida? Você tem outra chance.

    A moça mandou outra dose:

    – Bom… eu chegava no ouvido dele e dizia: “Oh, meu amor, que momento tão maravilhosamente lindo!”

    E o locutor, algo decepcionado:

    – Desse jeito você está pisando na bola, minha cara. Essa resposta está muuuiiito fraca! Desse jeito você não vai ganhar o CD do Xitãozinho e do Xororó. Eu quero uma resposta objetiva. Mais outra chance pra você. Vamos! Faltam 10 segundos, 9, 8, 7, 6, 5…

    Desconsolada, sem esperança alguma de ganhar o prêmio, a coitadinha murmurou:

    – É… tá duro!

    O locutor explodiu:

    – Muuuiiito bem! É isso aí, querida! Finalmente, a resposta inteligente! Parabéns! Meus parabéns! Ganhou o CD!

 

 

Ela não se esconde!…

 

     Há muito tempo atrás, o colega Emanuel Pedrosa, que não é outro senão o apresentador de TV e Rádio Canetinha, foi chegado a uma farra esperta. Hoje em dia, não. Reciclado, bem casado com a professora Geny Muritiba, avô de vários netos, pode ser considerado um “santo”, conforme avalia a própria consorte.

     Numa ocasião dos tempos de boêmio, ele voltou pra casa alta madrugada, no maior pileque e Geny, que dava “plantão”, no seu aguardo, o recebeu cheia de bronca:

     – Chegando embriagado de novo, não é seu safado? Ainda por cima a esta hora da madrugada. No mínimo andava por aí com as raparigas…

     E ele, expelindo o maior bafo de alcool:

     – Mas o que é isso, meu amor? Não seja injusta. Eu estava trabalhando!

     E Geny, na ponta dos pés, pronta para a briga:

     – Tô lhe manjando, canalha. Faz dias que você não me procura…

     – E como é que você quer que eu lhe procure, se você não se esconde em canto nenhum?

     Dito isto, Canetinha correu pro quarto, caiu na cama e puxou um ronco seguro. Estava cansado demais!

 

 

O banho tcheco

 

     O salão de beleza de Madame Nistatina estava lotado, naquela sexta-feira. Entre as clientes, duas madames muito metidas, conversavam pelos cotovelos, enquanto aguardavam a vez de serem atendidas. Cada uma contava mais vantagem que a outra, só para impressionar as demais clientes.

     Em dado momento, uma delas saltou com esta:

     – Assim que eu sair daqui vou correndo pra casa, tomar o meu banho turco, porque à noite tenho um jantar com o meu marido.

     Para não ficar por baixo, a outra emendou:

     – Mas que coincidência, Escolástica! Foi bom você ter falado nisso, porque era justamente na minha ducha escocesa que eu estava pensando.

     Sentada em frente às madames esnobes encontrava-se uma senhora que desde o começo do papo das duas, mantinha no semblante aquele ar de gozação. Não se conteve e falou sem pedir aparte:

     – Enquanto vocês duas vão tomar banho turco e escocês, eu vou tomar banho tcheco.

     As donas boçais se olharam mutuamente e uma delas indagou curiosa:

     – Tcheco?! Banho Tcheco?! A gente nunca ouviu falar nesse banho. Como é que é?

     – Muito simples. Eu sento no bidé cheio d'água, abro as pernas e com a mão eu faço tcheco, tcheco, tcheco…

     O salão inteiro caiu na gaitada, enquanto as madames exibidas e boçais abaixavam a cabeça, escabriadas.