Ailton Villanova

21 de janeiro de 2016

Sexo macabro

     Boêmio incorrigível, o distinto Itagiba Santana possui outra qualidade inerente a todo macho que se preza: paquerador contumaz. Então, quando ele cisma de transitar sua pessoa perante o mulherio na orla da Pajuçara e adjacências, é um Deus-nos-acuda.

      O sobredito não esconde a vaidade e o orgulho de ser bonitão. Antigo jogador amador de volibol, ele não é do tipo atlético, mas a boniteza supera sua raquitice.

      Certa noite, depois de uma bruta farra no bairro do Poço, ele se mandou a pé para Ponta da Terra, onde reside. No seu caminho de volta ao lar, margeando a linha férrea, eis que se deparou com o cemitério de Jaraguá. Naquilo que assentou o solado dos pés na calçada do “campo santo”, seu coração disparou. Não de medo, mas de emoção. É que ele deu de cara com uma linda garota de corpo arrebatador, encostada no muro. A saia que ela usava era curtíssima, o que possibilitava a visão mais maravilhosa do mundo. As coxas da garota – que coxas! – eram torneadíssimas. Itagiba não se segurou:

      – Meu Deus!!! Que coisa mais linda! Está perdida, boneca? – entrou firme o conquistador.

      E a maravilha, com um riso angelical:

      – Não! Não estou perdida. Estou apenas tomando fresca…

      – Topa uma aventurazinha? – Itagiba não perdeu tempo.

      – Olha, eu não tenho lugar… – ela respondeu, vacilante.

      Àquelas alturas, Itagiba já tinha curado o pileque e se achava excitadíssimo. A garota era sensual demais. Ele retrucou agoniado:

      – Eu também não tenho lugar. Como a gente faz? Tô muito a fim de você, minha princesa!

      – Eu também… Eu também… Posso sugerir uma ideia?

      – Claro, claro! Sugira todas as ideias que tiver e quiser…

      – Vamos lá dentro do cemitério?

      Por aquela criatura qualquer negócio era válido. De modo que Itagiba concordou, ansioso:

       – Vamos… vamos, meu amor!

       Foram. Transaram adoidado. Era uma atrás da outra, por cima de catacumbas, embaixo de árvores, dentro de mausoléus…

       Num dado momento, aproveitando a pausa para o descanso, Itagiba perguntou à gatíssima:

        – Me diz uma coisa, meu amor… você não tem medo de estar aqui dentro do cemitério comigo?

        E ela, toda dengosa:

        – Se eu fosse viva, teria, é claro!

 

A testemunha e eles!

      O delegado Carlomano de Gusmão Miranda era o titular do 2° Distrito de Polícia da Capital, que à época funcionava na Praça Dois Leões, no Jaraguá. Um dia, recebeu em seu gabinete de trabalho o cidadão chamado Reostato Pinto, arrolado como testemunha num caso chamado “difamação e injúria”:

      – O senhor viu a discussão entre os seus vizinhos?

      – Vi, sim senhor!

      – Me conte, por favor, como se deu essa discussão.

      – Bem, doutor, não me lembro direito dos detalhes, sabe? Só sei que cada um chamava o outro daquilo que os dois são!

      – E o que eles são?

      – Bom… um é corno e o outro é viado!

 

Olha a moral!  

      Dona Aniclerilda é uma viúva aposentada que se movimenta bastante. É comum vê-la passeando na praia, tomando uma birita de leve, na orla, ou lanchando no shopping…

      Dia desses, ele se encontrou com uma amiga à saída de determinada sala de projeções da cidade e esta indagou:

      – É bom esse filme que você acabou de ver?

      – É bom. Mas eu acho que o cinema deveria ser proibido para menores…

      – Quêisso, mulher?! E os menores como ficarão? Temos grandes filmes para menores…

      – Eu não estou falando de filmes. Estou falando do que se passa lá dentro!

 

O pai ganhou todos!

      Dois ou três dias antes do Natal, o Otoniel chegou em casa carregado de embrulhos. A meninada toda presente, ele parou no meio da sala e detonou:

      – Nada de ficarem alegrinhos, vocês sete…

      Decepção da garotada:

      – Aaaahhh…

      – Pois é. Aqui tem um presente pra cada um, mas só vai ganhá-lo quem foi obediente o ano inteiro, quem não fez malcriação, quem estudou direitinho, quem não fez arte alguma, que tomou banho todos os dias…

       – Tá bom, painho! Você ganhou todos os presentes!

 

Defunto educado

      O saudoso radialista e escritor Edécio Lopes, inteligência privilegiadíssima, foi uma pessoa de presença espirito incomum. Ele se valia dessa excepcional propriedade quase sempre para fazer piadas, cada uma mais engraçada que a outra. Edécio sabia também ser mordaz, quando lhe apetecia.

       Certo dia, encontrava-se comandando o seu tradicionalíssimo programa “Manhãs Brasileiras”, quando o aprendiz de repórter Gildo Almeida entrou com um “flash” do Instituto Médico Legal. Falou, falou e, quando estava para finalizar, sapecou:

      – Olha, Edécio, o cadáver aguarda pacientemente a necropsia…

      Essa, ele não poderia perder:

      – Huuummmmmm… Defunto educado esse, hein, Gildo? Sabe esperar direitinho! Parabéns!