Ailton Villanova

30 de maio de 2015

Acertou a sogra do fazendeiro!

     O Ofrásio Ambrósio sempre curtiu uma boa caçada. Pelo menos uma vez por mês, ele dava garra de sua espingarda de dois canos, calibre 28, e saía pelas matas afora distribuindo tiros à torto e à direito. Animal silvestre deu sopa ele, ó, dedo no gatilho – pêi, pêi, pêi -, acertava. Um dia, entendeu de exercitar o seu esporte predileto lá pras bandas de Viçosa. Montou na sua caminhoneta, enfincou o pé no acelerador e subiu a serra viçosense, todo equipado. Pretendia eliminar um animal diferente dos que costumeiramente abatia.

     Ofrásio embrenhou-se na mata com o dedo no gatilho, depois de deixar o seu veículo estacionado debaixo de uma frondosa árvore. E lá foi ele andando, andando, percorrendo trilhas, atravessando riachos e nada de ver animal algum. Já quase no final da tarde, tempo escurecendo, eis que avistou um bicho volumoso se aproximando. “Que diabo é aquilo?”, indagou aos seus botões. Cautelosamente, afastou-se para o lado e ficou na expectativa. E o tal bicho se aproximando, sem se aperceber do perigo que estava correndo. Quando chegou bem perto, Ofrásio identificou a caça: era uma vaca malhada, enorme! Aí, desanimou.

     – Que merda! – reclamou – Depois de andar tanto dentro desta mata, me aparece uma vaca!

     Mas, o instinto do caçador falou mais alto, sobrepujando a razão. Para não perder a viagem, Ofrásio chamou o dedo no gatilho – vabei! A vaca caiu estrebuchando. Nesse momento, o caçador se deu conta da maldade que acabara de cometer.

     – Ah, coitadinha! E agora, o que eu vou fazer?

     Ofrásio Ambrósio precipitou-se mata a dentro, procurando a possível fazenda de onde o animal havia se desgarrado. 

      Achou. Bateu palmas na porteira e apareceu um cidadão bigodudo:

      – Que deseja?

      O caçador explicou:

      – É o seguinte, meu amigo… eu estava caçando aqui pertinho de sua fazenda, quando me apareceu aquele bicho enorme, todo manchado, uma bunda descomunal, aquele rabo caído, os peitões arriados, quase arrastando no chão… Eu não pude me conter. Dei um tiro nele!

      – Matou?

      – Acho que matei!

      E o fazendeiro:

      – Putaquipariu! Você acertou a minha sogra!

 

 

Freiras pecadoras

 

     Três freirinhas bem novinhas, todas alegrinhas, resolveram procurar o capelão do convento, frei Theófilo, para se confessar. O sacerdote atendeu a primeira:

    – Que pecado você cometeu, minha filha?

    – Ah, frei Théo, eu ri na missa!

    – Tudo bem, minha filha. Reze três ave-marias e está perdoada.

    Em seguida veio a outra freirinha:

    – Eu pequei, frei…

    – E qual foi o seu pecado?

    – Eu ri na missa!

    – Reze três ave-marias e está absolvida.

    Aí, chegou a terceira. O frade antecipou-se:

     – Já sei. Você também riu na missa!

     – Não, frei Théo. Eu soltei um pum!

 

 

Envelope para circular 

 

     Delinha, aquela lourinha do corpo sensacional, ligou do escritório do chefe para a papelaria da esquina:

     – Oiii! Bom dia! Vocês têm aí envelope redondo?

     O cara que atendeu lá estranhou a pergunta:

     – Envelope redondo?! Você falou envelope redondo?!

     – Claro! Não venha me dizer que não nunca ouviu falar!

     – Desculpe, mas envelope redondo  não conhecemos. Pra que serve?

     – É pra enviar ofício circular, seu burro!

 

 

Corruptor de psicólogo

 

     Cedendo às lágrimas e ameaças da mulher, o Adalardo, portador de uma irreprimível compulsão para trair, concordou em consultar um psicólogo. Algumas semanas depois, Zé Otávio, seu amigo mais íntimo a quem ele havia confessado todo o seu drama, lhe perguntou:

      – Como é, Dáu, a terapia está mesmo te ajudando?

      E ele:

      – Ainda estou na dúvida. Mas já conseguí fazer o psicólogo enganar a mulher três vezes.

 

 

Uma posição cansativa

 

     No consultório de terapia sexual a paciente se queixava:

     – Doutor Arcanaldo, há dez anos tenho feito amor com o meu marido deitada do lado esquerdo, mas já estou cansada dessa posição!

     – É simples! Por que não passa para o lado direito?

     – Não daria certo, doutor! Nessa posição eu não conseguiria  assistir à novela!

 

 

Solução inteligente

 

      – Doutor Humberto, o senhor tem de me ajudar – pedia a mulher, desesperada ao famoso psiquiatra. – Meu marido pensa que está numa ópera. Canta dia e noite, a plenos pulmões, e já está me deixando maluca!

      – Traga-o aqui amanhã, no primeiro horário – respondeu o médico.

      Uma semana depois, a mulher liga para o consultório do psiquiatra:

      – Doutor Humberto, não sei que milagre o senhor fez, mas o Emílio parou de cantar como antes, canta apenas uma vez ou outra.

O senhor conseguiu curar mesmo aquela sua ilusão?

      – Não exatamente, minha senhora – respondeu solene o especialista. – Eu apenas lhe dei um papel secundário na ópera.

 

 

Sogro pragmático

 

      Aflita, Maria Rita aguardava na porta de casa, a saída do namorado:

     – E então, Julinho, falou direitinho com o papai?

     – Hum… hum…

     – Me pediu em casamento?

     – Hum… hum…

     – E você disse a ele que nem consegue mais dormir à noite só por minha causa?

     – Hum… hum…

     – E ele?

     – Não quis saber, mas disse que vai me arrumar um emprego de vigia noturno na loja dele.