Ailton Villanova

21 de maio de 2015

A feijoada do Bidé

      O Bar e Restaurante do Bidé, cujo dono era o Albidênego Feitosa, ficava na parte mais arejada do Farol. Durante muito tempo foi considerado o estabelecimento de comilança que melhor servia comida caseira em toda Maceió. Tanto era, que a freguesia – que misturava democraticamente proletários, ricaços, autoridades dos três poderes, e até putas –, fazia fila para rangar. Nos finais de semana, então, a casa botava pra arrombar!

      Entre os fregueses mais assíduos do Bidé encontrava-se o doutor Broderóide Pinto (parente dos irmãos engenheiros Nenoí e Márcio Pinto), que era doido por uma feijoada. Um dia, ele levou lá uns colegas de fortaleza, Recife e Salvador, que aqui se achavam participando de um congresso de psiquiatria. O quarteto ocupou a melhor mesa do restaurante e doutor Broderóide, todo entusiasmado, chamou o garçom Minervino:

      – Miné, meu velho, sirva aqui pra nós aquela maravilhosa feijoada. Quero que os meus companheiros aqui, provem a melhor que temos em todo o Nordeste! Mande caprichar, hein?

     – Pode deixar, doutor. A propósito, estamos estreando um novo cozinheiro!

     – É competente? E cadê o Calixtrato?

     – Aposentou-se, doutor. Mas esse novo cozinheiro é pra lá de competente. Tal qual o Calixtrato!

     Minervino correu à cozinha e, não demorou muito, retornou ao salão abarrotado de pratos, gamelas, talheres… enfim, com todos os apetrechos indispensáveis à proverbial feijoada. Em seguida, veio o rango, fumegante e gorduroso. Quando doutor Broderóide Pinto se preparou para engolir a primeira garfada da feijoada, notou algo estranho no prato. Aí, deu o brado:

      – Minééé! Tem um pentelho aqui no meu prato! Que esculhambação é essa, rapaz?

      O garçom conferiu o prato e constatou a presença do corpo estranho no prato do figurão. E falou, na maior calma:

      – O senhor tem razão, doutor. Tem mesmo um pentelho no prato do senhor. Mas fique tranquilo que esse pentelho tem procedência! Não é um pentelho qualquer!

     – Como assim?

     – Esse pentelho é do saco do feijão. Sabe como é, a gente faz muita feijoada e às vezes uma distraçãozinha…

     Doutor Broderóide aceitou a desculpa e deu prosseguimento a rangação, acompanhado dos ilustres colegas. Quando terminaram, o garçom veio recolher os pratos e então perguntou:

     – E de sobremesa, os que os senhores vão querer?

     Todos optaram pelo pudim de leite condensado. Então, o garçom Minervino gritou lá para o fundo:

     – Ei, Feijão! Manda quatro pudins de leite condensado para os doutores aqui!

 

Finalmente, ui! 

      O ônibus parou no ponto e duas bichinhas se prepararam para subir no referido, quando o motorista, um sujeito mais grosso do que beira de sino, berrou para a dupla:

       – Ei, seus pirobos! Por aí, não! Vão tomar lá atrás!

       Uma delas exultou:

       – Ôba! Até que enfim a prefeitura se lembrou da gente!

 

In… fidelidade

      Após vinte anos de felicidade conjugal, Gaudêncio Brazil e Merlinda Argentina resolveram se separar. Na hora de assinar os papéis do divórcio, o marido comentou:

      – Pelo menos tenho a alegria de saber que você nunca me traiu!

      E a mulher, que era uma morena sensacional:

      – Como você tem tanta certeza disso?

      – Ora, nesses vinte anos, o máximo de tempo que fiquei longe de você foram quinze minutos.

      – E você acha mesmo que não dá tempo?

 

Que confusão!

      O ex-presidente Inácio Lula apareceu num encontro político em São Paulo, usando óculos escuros. Aí, seu correligionário José Jenuíno, observou:

      – Por que os óculos escuros, companheiro presidente?!

      – Conjuntivite nos olhos!

      – Ora, companheiro presidente, “conjuntivite nos olhos” é pleonasmo!

      Mais adiante, Inácio Lula deu de cara com Zé Dirceu:

      – Óculos escuros, presidente?! Está doente dos olhos?

      E ele:

      – Cumpanhêro Zé Dirceu, já num sei mais de nada. Uns dizem que é conjuntivite, outros, que é um tal de pleonasmo!

 

Trabalho quadruplicado

      Putão nas calças em razão da derrota do CPMF (está lembrado, leitor?) o então presidente Inácio Lula ameaçou, xingou, afalou adoidado, assim como fez na história do mensalão. Sua indignação chegou ao auge durante um discurso (ele adora um discurso!) que proferiu numa cidade do interior paulista:

      – Vocêis (sic) viro (sic) que aqueles cara (sic) do Senado fizéro (sic)? Cortáro (sic) o CPMF! A partir de agora nóis (sic)  vâmo de fazê mais sacrifício!

       – Trabalharemos em dobro, companheiro presidente! – falou alguém da multidão.

       – E agente temos (sic) de entender que teremos menas (sic) alimentação na mesa do trabaiadô!

       – Trabalharemos em triplo, companheiro presidente! – disse a mesma voz.

       – As dificuldades vão aumentar, cumpanhêros! – prosseguiu o presidente mais inflamado ainda.

       – Trabalharemos o quádruplo! – insistiu a voz.

       Intrigado, Lula parou de falar, virou-se para um dos seus assessores e perguntou:

        – Quem é esse cara chato que fica me aparteando o tempo todo?

        Quem respondeu foi um assessor da prefeitura da cidade:

        – É o coveiro, presidente!