18 de maio de 2015

Menos médicos e menos saúde 2

Do Jornal Medicina – Março 2015 – matéria assinada pelo Presidente do CFM Dr. Carlos Vital Tavares Corrêa Lima.

O que todos nós sabíamos desta política suja e mal intencionada para a saúde dos brasileiros, principalmente os mais carentes, realizada pelo governo federal alinhada pelos integrantes do “partido dos trabalhadores”! (parágrafo meu).

Resultado da auditoria realizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Dados coletados desde julho de 2013 até março de 2014. Falhas em sua execução.

Primeira critica do TCU: fragilidade do sistema de supervisão e de tutoria do programa. Apesar da resistência do governo federal em fornecer os dados, concluiu que ao cruzar os dados, dos 13.790 médicos inscritos, 4.375 (31,73%) não possuíam supervisores indicados.

Mesmo com supervisão, ultrapassando os parâmetros legais, 10% dos supervisores acompanhavam mais de dez participantes. Outros 10% de supervisores tinham atividades acima de 81 horas semanais, em alguns casos com decorrente encaminhamento dos relatórios de supervisão de forma intempestiva e sem amplitude de aspectos clínicos, mais voltados às questões administrativas.

A maior gravidade surgiu quando 17,7% dos “supervisionados” admitiram que a falta de conhecimento dos protocolos clínicos conturbou os diagnósticos e terapêuticas e quando 50,3% desses profissionais revelaram ter entrado em contato com o supervisor para dirimir dúvidas sobre o atendimento. Por outro lado, 34,3% dos “supervisores” afirmaram que os médicos formados no exterior enfrentaram obstáculos devido ao desconhecimento desses protocolos, inclusive com relatos de dificuldades para definição dos nomes de medicamentos e de suas dosagens corretas.

O TCU também detectou que noventa e cinto (95) pessoas que deveriam ter sido reprovadas por não atingirem os critérios mínimos exigidos nos eixos de língua portuguesa e de saúde. (Segundo o TCU, um risco para a saúde da população, que está sendo atendida por médicos que não demonstraram ter conhecimento suficiente para tanto).

No âmbito do acesso à assistência e do combate às desigualdades regionais, o relato também mostrou que o mais médicos ficou longe do alcance das suas metas. A auditoria realizada comprovou que em  49% dos primeiros locais atendidos pelo programa em suas solicitações ocorreu, ao receberem os bolsistas, a dispensa de médicos anteriormente contratados. Por isso, em torno de um ano, tais localidades tinham menos profissionais cadastrados na rede pública.

Quanto aos gastos: R$1,2 bilhão à Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e dirigido aos médicos cubanos…

As soluções para os dilemas da assistência à saúde no Brasil não serão encontradas na importação de médicos com diplomas obtidos no exterior e sem revalidação ou com formação em massa de médicos em escolas de medicina sem docência e sem decência.