Ailton Villanova

12 de maio de 2015

Um caso sério de higiene

      O sertanejo Juca Alexandre era um esforçado trabalhador que mantinha no seu naco de terra, ali pelas bandas de Pariconha, uns boizinhos, uns carneirinhos, duas dúzias de galináceos e alguns porcos, todos bem cuidados, conforme manda o figurino rural. Mas a grande preocupação do modesto criador era a vaca “Margarida”, que tinha os olhos trocados, isto é, era vesga. Por causa desse defeito ocular, a pobrezinha andava trombando com tudo que lhe surgia pela frente. Só vivia com a cara arranhada.

      Bela manhã, na tradicional feira de Dois Riachos, ele encontrou o velho amigo Né de Gregório, a quem não via há algum tempo. Foi aquela festa.

      – Eita, danou-se! É tu mermo, Né?

      – É eu mermo, Lixandre. Cuma vai as coiza?

      – Vai bem… qué dizê, maiômeno bem…

      – E o qui tá fartando?

      – Tá fartando nada. Meu aperreio é uma vaquinha, a Maugarida, quié zarôia, num sabe? Véve trombando cum tudo no mundo!

      – Ah, meu amigo, pra todo má, tem uma solução. No cauzo da sua vaca, eu seio de uma simpatia qui vai dexá-la ela curadinha!

      – Num diga! E Cuma é qui fáis?

      – Vamulá na sua fazenda, qui eu lhe amostro…

      Foram. Chegaram lá, Né de Gregório olhou para o animal e disse:

      – O pobrêma dela é fácizinho de sê resorvido! Vô lhe amostrá cuma se fáis pra butá os ôio dela no lugá. Só qui num dura munto tempo e vosmicê vai tê qui ficá arripitindo a simpatia… pra ela num fica zarôia dinovo.

      – Num tem pobrêma.

     – Entonce, me traga um canudinho.

     Juca providenciou o canudinho pro amigo, que introduziu um de suas extremidades no ânus da vaquinha. Em seguida, assoprou forte na outra extremidade. Imediatamente, os olhos da Margarida ficaram no prumo. Só que o efeito não durou quase nada. Quando Né de Gregório se preparava para ir embora, a infeliz da vaca voltou a ficar vesga. Então, Juca Alexandre resolveu, ele mesmo, repetir a simpatia:

      – Agora possa dexá cumigo. Vai vê qui tudo assoprô divagá.

      Dito isto, Juca Alexandre pegou o canudo e se preparou para soprá-lo, quando o amigo indagou:

       – Mas qui diacho tu tá fazendo, Juca? Tu tá butando a boca na parte qui ficô no cu da vaca! Vira pru ôtro lado, rapais!

       – Não sinhô! É farta de giêne a gente butá a boca adonde o ôtro butô!

 

O perigo das influências mentais

      Na sala de espera de certa maternidade, três indivíduos conversavam enquanto aguardavam o resultado do pré-natal de suas respectivas mulheres. Dizia o primeiro deles:

      – Vejam vocês, como é um negócio incrível a influência da mente! Minha mulher assistiu ao filme “Um Homem e uma Mulher” na época em que engravidou. E vão nascer gêmeos!

      O segundo cara falou:

      – Você tem razão. Minha mulher estava lendo o romance “A Casa das Sete Mulheres”. E não é que vão chegar sete meninas!!!

      – Nãããooo! – gritou o terceiro, apavorado.

      – O que foi que houve? – perguntaram os outros dois.

      – É que minha mulher está lendo “Ali Babá e os 40 ladrões”!

 

Mas que corno legal!

      O simpático Correínha e o amigo Galileu saíam do barzinho de  sempre, na maior descontração. De repente, o amigo estacou e o puxou pelo braço,  cochichando no seu ouvido cheio de preocupação:

      – Fique frio, Correínha! Olhe devagar, e veja alí na frente…! A sua mulher está se beijando com outro cara!

      Correínha reparou no casal e respondeu, convicto:

     – Não é outro não, rapaz! É o mesmo de sempre!

 

Mudança radical

      Apreciador da boemia, o Guadalniberto pegou um sábado desses dando sopa e cismou de curtí-lo mais profundamente, numa boa, ao lado de uma mulher dessas que topa qualquer parada. No comecinho da noite tomou um belo banho, despejou meio vidro de loção em cima do esqueleto, gastou meio tubo de fixador no pixaim, vestiu uma roupa nova e montou num par de sapatos italianos da marca “Scatamacchia” – que a plebe aprendeu a chamar de “Escartamaque”. Em seguida, pinoteou na rua, tomou um taxi e foi bater na Avenida da Paz. Não demorou muito, arrumou uma dona no capricho. Algum tempo depois, estava deitado com ela numa cama de um motelzinho suburbano.

       Depois da primeira transa, Guadalniberto acendeu um cigarro, soltou um rolo de fumaça pelos buracos da venta e disse à mulher, cheio de romantismo:

      – Esses seus peitos… Incríveis, meu amor! Como eles podem ser firmes desse jeito, sendo você uma balzaquiana?

      E ela, piscando os olhos:

      – Tenho 47 anos. Duzentos ml de silicone de cada lado.

      – Viva a medicina! – festejou ele.  – Gostei do seu sorriso. É o seu charme.

      – Trinta e dois dentes implantados. Mais de 16 horas na cadeira do dentista.

      – Viva a odontologia! Também gostei dos seus cabelos!

      – Aplique, meu amorrr.  Estavam curtinhos. Não quis esperar que eles crescessem. Mas, me diga, amor… Há mais de duas horas estamos transando e o seu pênis continua “ereto”! Como consegue? Viagra?

     Guadalniberto respondeu com ar vaidoso:

      – Prótese. Depois que acaba é só dobrar.

      – Ah, pensei que fosse pura excitação. Esse clima…

      – Mas fique excitado, juro! Também com esse seu traseiro…!

      – Silicone. Nas batatas das pernas, também.

      – Onde mais você mexeu?

      E ela:

      – Pálpebras, maçãs do rosto, queixo, lipo, barriga, culotes, cintura, botox… E também fiz a “preciosa”.

      – Você quer dizer esse “vulcão”  que tem aí entre as pernas?

      – Exatamente!

      – O que você fez? Períneo?

      – Não, não.  Mudança de sexo. Meu nome é Antiógenes!