Ailton Villanova

8 de maio de 2015

Padre Antúrcio, o “milagreiro”!

     No interior de Pernambuco, quase fronteira com a Paraíba, faz um tempão, existiu padre muito popular, e muito malandro, chamado Antúrcio, que não era brasileiro. Era italiano. Sua notoriedade decorria de boatos segundo os quais operava milagres. Pelo menos era o que ele próprio apregoava e a matutada, que acredita em tudo aquilo que vem da igreja, ia na onda do religioso.

     Uma determinada manhã, padre Antúrcio desfilava pela cidade de nariz empinado, “cartando marra” de milagreiro, a bordo de um carrão lustrando de novo, quando foi abordado por sujeito com ar apavorado:

     – Pelamordedeus, padre! Salve a minha mulher!

     O malandro, digo, o sacerdote pôs a mão no ombro do pobre homem e disse, cheio de empáfia:

     – Fique calmo! Não se preocupe! Onde esta a sua mulher?  

     – Ela está em casa, seu padre… Ela está passando muito mal! Dê um jeito pra salvá-la, por favor. A coitadinha vai morrer!

     – Vai não.

     – Vai, padre! Vamos lá em casa. O senhor precisa salvá-la!

     – Não preciso ir à sua casa. Agora estou indo para a igreja. Lá, farei umas orações e, garanto, num instante sua mulher vai ficar boa.

     – Vai mesmo, padre?

     – Eu não já garanti? Confia, ou não confia em mim?

     – Confio. Confio, meu santo padre.

     – Agora, vá!

     O infeliz se foi tranquilo, confiando na palavra do mentiroso. Ocorre que na manhã seguinte, ele entrou na igreja mais apavorado ainda:

     – Cadê o padre Antúrcio? Padre Antúúúrrrcio!

     – Estou aqui, meu filho. O que aconteceu?

     – A minha mulher morreu! Eu não disse ao senhor que ela ia morrer?

     – Não é possível!

     – Pois ela tá lá em casa, mortinha, seu padre!

     – Mas não pode ser! Eu mesmo, pessoalmente, com minha fé e minhas orações tirei a espada das mãos do Anjo da Morte.

     – Mas ela morreu!

     E o tratante do padre:

     – Bom… só se foi estrangulada!

 

 

Não te contei?

 

     Quase na hora do Ângelus, os dois frades velhinhos, velhinhos, caminhavam lado a lado pelo pátio do convento, caladinhos. Iam pra lá, vinham pra cá, bem devagarinho, arrastando seus cansados pés. Lá pelas tantas, um deles se virou pro outro e falou com vozinha bem arrastada:

     – Sabe o que me contaram na confissão, Egídio? Que a filha do prefeito pegou o filho de um dos meninos do nosso coro.

     Ao que respondeu frei Egídio:

     – Escuta, Theófilo… não foi a filha do prefeito. Foi a filha do juiz. E ele não está grávido. Ele engravidou uma menina . E não foi uma menina do nosso coral, mas do catecismo. E você não ouviu no confessionário. Fui eu que lhe contei, hoje de manhã.

 

 

Palavrão num caso desses…

 

     Na missa dominical, lá estava padre Brivaldo, todo empolgado,  e mandando ver no seu sermão. Bem na frente dos fiéis um cara de pé, mãos para trás, a toda hora olhava pra cima, suspirava fundo e, numa vírgula do sermão do reverendo, desabafava:

     – É foda!

     Dava aquele susto no sacerdote, que demonstrava não escutar a blasfêmia e continuava deitando falação, versada em capítulos e  versículos do evangelho. Um pequeno intervalo na fala do padre, o sujeito suspirava e mandava:

     – É foda!

     Lá pela décima vez, padre Brivaldo não aguentou, parou o sermão e chamou na grande pra cima do imoral:

     – O que está acontecendo, meu filho? Isso aqui é uma casa de respeito, e você fica aí repetindo essa obscenidade! Que é que há? Diga o que está se passando e talvez a gente possa ajudá-lo!

     E o cara:

     – Seu vigário, o meu problema é o seguinte: eu sou casado e branco, conforme o senhor está vendo. Minha mulher é mais branca do que eu. E hoje nasceu nosso filho: preto que nem carvão. O que é que o senhor acha?

    O reverendo suspirou e respondeu:

    – Realmente… é foda! 

 

 

Ah, bom… Desculpe!

 

     Um certo Waldegardo procurou padre Bráulio, na paróquia deste e comunicou cheio de pesar:

     – Minha mulher morreu, padre!

     – Como? – assustou-se o religioso. – Você não é o padeiro?

     – Sou sim, senhor. – respondeu Waldegardo.

     – Então, que negócio é esse? No fim do ano passado eu dei extrema-unção à sua mulher; depois, “encomendei” o seu corpo, no enterro dela… Como é que você vem me dizer, seis meses depois, que sua mulher morreu?

     – Iihh, seu padre! Esqueci de lhe dizer. É que me casei de novo!

     – Ah, bom. Nesse caso, meus parabéns!

 

 

Resposta preconceituosa

 

     Conservador ao extremo e muito preonceituoso, padre Procópio dava aula de catecismo à garotada na escolinha mantida pela paróquia que administrava, no interior do Ceará:

     – Nosso pai mais antigo, ou melhor, nosso pai original foi Adão. Nossa primeira mãe foi Eva.

     Aí, um dos alunos o interrompeu:

     – Isso não é verdade, padre.

     – Como não é verdade? – retrucou o reverendo com austeridade.

     – O meu pai me disse que a gente descende do macaco!

     – Olha, meu filho – completou o sacerdote, – os seus problemas de família não nos interessa!

 

 

As razões do reverendo

 

     Bairro do Jaraguá, 10 horas da noite.

     Um discreto cidadão caminhava pela rua, conduzindo debaixo do braço um livro grosso, de capa escura. Em sua direção vinha uma moça girando uma bolsinha. Ela parou diante do cidadão e indagou:

     – Como é, vamos?

     O cidadão olhou para a moça de cima abaixo e respondeu com calma e bondade:

     – Minha filha, eu não posso ir por várias razões: primeira, eu sou padre. Segunda, eu não tenho dinheiro. Terceira…

     – Precisa falar as outras não, padre. Té logo!

 

 

Claustro? O que é isso?

 

     O velho sacerdote reúne as noviças do convento ultramoderno e, com ar muito grave, explica o motivo de sua grande preocupação:

     – Acabo de encontrar uma caixa de preservativos e uma cartela de pílulas anticoncepcionais no claustro.

     – No claustro? – pergunta uma delas, enrubescendo.

     – Sim, no claustro!  – repetiu o padre, irritado.

     – Desculpa, padre, mas o que é mesmo claustro?