Ailton Villanova

7 de maio de 2015

Um carro impossível

      O vendedor de automóveis Dogival Doralino, o Dodô, é, hoje em dia, um sujeito de sucesso, na vida profissional. Pragmático, ele não é ficar enchendo o saco de freguês, com conversa mole. Define uma situação de compra e venda na base do vapt-vupt, como diria o saudoso Chico Anysio.

      Dado o seu sucesso no ramo de negócios automotivos, conseguiu juntar uma boa grana, a ponto de montar o seu próprio negócio. Sua fama de vendedor “primeiro sem segundo” circula pelo estado inteiro, a ponto de, um dia, ter recebido bela proposta de certo alcaide para ser seu sócio numa venda e revenda de veículos. A proposta não foi fraca, mas Dodô não foi na onda.

      – Estou satisfeito com o que eu ganho e esse negócio de ser “testa-de-ferro” de político não dá pra mim, não! – foi a resposta que ele deu ao preposto do alcaide, portador da proposta.

      Dogival Doralino nasceu na outrora Vila Operária, no Bom Parto, mas precisamente na rua Belo Horizonte (em Maceió existem três ruas Belo Horizonte), pobrezinho que nem Job. Filho de antigos operários da falecida fábrica de tecidos Alexandria, ele cursou antigo primário no Grupo Escolar Cincinato Pinto e concluiu o curso técnico na antiga Escola Industrial de Alagoas, quando esta funcionava na Praça Sinimbu. Seu primeiro emprego foi o de torneiro mecânico, mas foi como vendedor de carros na finada Praça da Cadeia, no centro da cidade, que tomou tento na vida.

       Anos se passaram desde que se tornou empresário, encontrava-se o nosso simpático Dodô na porta de sua loja apreciando o movimento da rua, quando adentrou uma madame muito chique e cheirosa, com um ar muito boçal. Imediatamente ela se dirigiu a um modelo de Mercedes-Benz e começou a inspecioná-lo. Ao inclinar-se para sentir o revestimento de couro, soltou um sonoro pum.

      Muito envergonhada, ela ainda olhou em redor para ver se alguém havia notado o acidente, esperando que nenhum vendedor aparecesse na hora, mas deu de cara com o Dodô, que já estava de olho nela:

      – Bom dia, madame. Como posso ajuda-la?

      Muito sem graça, ela perguntou:

      – Qual o preço desse carrinho, senhor?

      E o Dodô, exibindo a sua sutileza de paquiderme:

      – Olha, madame, se a senhora soltou esse peido só de tocar no “carrinho”, imagine a caganeira que vai lhe dar quando eu lhe disser o preço!

 

Confusão alcoólica

      Na porta do Bar do Duda, o pinguço conhecido como Aerobaldo desabafava:

      – Putaquipariu! Putaquipariu!

      Alertado pelo berreiro do cara, o garçom Deraldo chegou junto:

      – Êpa! Olha a moral, rapaz! Qual é a bronca?

      E o Aerobaldo:

      – É que eu num tô sabendo mais se minha mulher disse pra eu beber uma garrafa de cachaça e voltar às 10 horas, ou se era pra eu beber 10 garrafas e voltar uma hora da madrugada!

 

Vista curta demais!

      No consultório do oftalmologista Léo Montenegro, o sobredito solicitava a uma paciente velhusca que ela sentasse numa poltrona confortabilíssima e em seguida a orientava:

      – Por favor, dona Obdúlia, eu quero que a senhora leia o que está escrito nesse painel, aí na sua frente.

      A velhinha foi mais para a frente, tocou no ombro do doutor e disse:

      – Por favor, meu filho, leia pra mim. Atualmente eu ando com a vista muito curta!

 

Já foi tudo!

      O tal de Oscávalo é um biriteiro espirituoso. Ele é do tipo que bebe até cair no pé do guarda. Acorda cedo, corre pro bar da esquina, “lava a prensa” e volta pra casa para pegar o desjejum. Outro dia, depois de cumprir esse ritual, sua mulher, dona Eucalípta, já de saco cheio, deu a bronca:

      – Misericórdia, Oscávalo! Você já foi beber?

      E ele:

      – Eu já fui bebê, já fui rapaz, já fui casado e hoje eu quero ser divorciado, pra beber de novo… concorda comigo?

 

O vovô é mecânico?

      O pentelho Cacá entrou em casa algo intrigado e correu direto para a mãe:

      – Maínha, o vovô é mecânico?

      – Não, meu amor. Ele é contador aposentado.

      – E o que ele está fazendo estirado debaixo do ônibus, no meio da rua?

 

O teste agora complicou!

      Depois de uma quilométrica farra com os colegas de sempre, aquele nosso amigo voltou pra casa puxando o maior fogo. Conseguiu entrar com algum sacrifício e dirigiu-se ao quarto de dormir. Deitou-se, virou-se para um lado, virou-se para o outro, levantou-se. Depois de algum tempo, ele voltou para o quarto, pegou o coberto e deitou-se. A mulher, que dormia tranquila, acordou-se com aquele chamego todo do marido e perguntou:

      – O que é que há, meu amor? Você está com frio?

      – Muito.

      – Onde você foi?

      – Ao banheiro.

      – Você apagou a luz?

      – Não. Ela apagou sozinha.

      A mulher levantou-se nervosa:

      – Não acredito, Marco Aurélio! Você andou mijando dentro da geladeira de novo!