Ailton Villanova

23 de abril de 2015

O juiz, a jumenta e o puteiro

     Filho de tradicional e abonada família norte-riograndense, Potyguar Abaeté formou-se em direito muito cedo, aos 23 anos de idade. Era, então, um garotão bonito, cheio de saúde, verdadeiro destroçador de corações femininos. Graças a influência da família, quando completou 25 anos foi nomeado juiz de direito de uma cidadezinha encravada no sertão do Rio Grande do Norte. Para começar, estava bom demais.

     Ao chegar à comarca, com o título de nomeação na mão, ele foi logo avisado pelo escrivão Antero Limeira:

     – Excelência, aqui tem um problema…

     – Que problema?

     – Não há mulheres disponíveis. – completou o interlocutor.

     – Realmente, é um problema!

     – Quando quiser “afogar o ganso”…

     – “Afogar o ganso”?!

     – Sim, excelência. “Afogar o ganso” quer dizer… isto é… quando o senhor quiser fazer alguma saliência, compreendeu…?

     – Ah, entendi.

     – …o senhor vai ter que ir até a beira do rio… Lá tem uma jumenta…

     Mantendo a pose, o jovem magistrado não deixou o escrivão terminar de falar. Fez meia-volta e comentou:

     – Acho que não terei necessidade disso. 

     A comarca era parada demais. De modo que Potyguar Abaeté só vivia a jumenta entendiado. Três meses depois que havia tomado posse como titular da comarca, sua excelência não aguentou tamanho isolamento e foi acometido de um tesão incontrolável. E o que ele fez, então? Vestiu um terno de tropical azul-marinho, calçou sapatos duas cores bico fino, perfumou-se todo e foi até a beira do rio. Chegando lá  deparou-se com uma fila de homens e uma jumentinha.

     Assim que a turma notou a presença do juiz, abriu caminho:

     – Olha o doutor aí! Pode passar, doutor! O senhor tem prioridade!

     Diante de tanta gentileza e tamanha tesão, o magistrado não titubeou: arriou as calças e mandou a chavasca na jumenta.

     O pessoal da fila exclamou escandalizado:

     – Oooohhh!

     O escrivão Antero, que se achava presente, a gritou pro juiz:

     – Ei, doutor! Peraí!

     E Potyguar nem aí, mandando ver na jumentinha.

     Antero gritou mais alto:

     – Doutor, a jumenta é só pra atravessar o rio. O puteiro é do outro lado!

 

 

O doutor tarado e a massagem

 

     Na faculdade de medicina o Pacheco era considerado um tremendo tarado. O mulherio fugia dele como diabo foge da cruz. Depois que graduou-se, foi clinicar no interior por indicação de certo político, que não era boa bisca.

     Mal acabou de instalar-se, doutor Pacheco recebeu o primeiro paciente, justo um fazendeiro que tinha a fama de brabo e matador. O cara reclamava de dores terríveis na tripa gaiteira e logo o esculápio diagnosticou o mal: hemorroidas.

     Depois da consulta médica, o fazendeiro chegou em casa todo contente, exibindo uma latinha contendo uma pomada.

     – Maria das Graças! – chamou a mulher. – Graças a Deus não vai ser preciso operação!

     – Que bom né, meu véio? – alegrou-se a madame.

     – Ora se é! Lá no consultório o doutor me fez uma massagem e pediu pra eu lhe ensinar a fazê-la da mesma maneira como ele fez!

     – É só mostrar como é que faz, meu véio!

     O fazendeiro abaixou as calças, colocou as duas mãos sobre a cama e empinou a bunda, ordenando à mulher:

      – Mete o dedo na pomada, Maria das Graças!

      Ela prontamente obedeceu.

      – Agora, bote a mão direita no meu ombro direito e a esquerda no meu ombro esquerdo. Botou?

      – Botei!

      – Agora, comece o raio da massagem, pra frente e pra trás!

      E madame, com ar inteligente:

      – Ô meu véio, com as minhas duas mãos ocupadas sobre os seus ombros, como é que posso fazer a massagem?

      O fazendeiro deu um pinote e exclamou:

      – Ah, doutorzinho fiadaputa! Como bubônica ele fez a massagem?

 

 

Um coveiro às ordens

 

     Na Delegacia de Plantão dos tempos saudosos, o doutor Cícero Firmiano obedecia a rotina de sempre, isto é, recebia em seu gabinete mais um transgressor, para interrogatório. Dessa vez ele tinha pela frente um tal de João “Gororoba”, negrão redondão que expelia odor de cachaça pra tudo quanto era lado.

     – Qual é a tua profissão, bicho? – interrogou o delegado.

     E o cara, exibindo um monte de dentes:

     – Coveiro, pra lhe servir, meu doutor!

 

 

A alma do negócio

 

     O comerciante Minervino Tiburtino sempre foi muito ligado nesse barato de propaganda. Para ele, o ditado de que “propaganda é a alma do negócio” nunca foi tão bem bolado.

     Minervino começou no comércio trabalhando como camelô, na Moreira Lima e foi o primeiro a utilizar-se de uma agência de propaganda para anunciar os seus produtos. Por sinal, a agência foi a do Canetinha, que ainda está vivinho pra não me deixar mentir. Graças a propaganda, Minervino expandiu os seus negócios e virou lojista bem estabelecido no ramo de confecções.

     Um dia, ele deu sopa e os ladrões fizeram uma limpeza na sua loja. Levaram tudo o que puderam. Mas Minervino não se abateu. No dia seguinte, ele mandou afixar na porta da loja uma tabuleta com os seguintes dizeres:

     “Até os ladrões preferem se vestir aqui!”

 

 

O troféu do Jacozinho

 

     Se a memória não me engana, Jacozinho – quem se lembra dele? – foi o único atacante azulino que atuou na seleção brasileira, depois do famoso e saudoso Dida, de quem o tal de Pelé foi reserva. Baixinho, rápido com a pelota nos pés, tinha ocasiões que infernizava a vida dos marcadores adversários. Hoje em dia, exercita a atividade de pregador evangélico no interior do vizinho estado de Sergipe.

     Numa certa ocasião, terminada uma grande partida entre o CSA, time que defendia, e seu mais tradicional adversário, o CRB, Jacozinho foi agraciado com um troféu por ter sido considerado como o melhor atleta em campo. No momento em que estava recebendo o prêmio, chegou o repórter Jurandyr Costa, de microfone em punho:

     – E aí, Jacozinho, como está se sentindo? Diga alguma coisa para o público ouvinte alagoano. O microfone é seu!

     Jacozinho tomou o microfone e disse:

     – Muito obrigado, meu caro repórter. Muito obrigado de coração! Já ganhei muitos prêmios: troféus, medalhas, dinheiro… mas, microfone, esse é o primeiro!

 

 

Criminoso bastante imprudente

 

     Na condição de réu, o tal de Hepatino Penha aguardava a sentença do juiz Ribamar Franco, temido pela sua rigidez. Hepatino tremia nas bases.

     Em dado momento da audiência, o magistrado olhou firme para o réu e anunciou a sentença:

     – Condeno o senhor a dez anos de reclusão, porque ao atirar sua sogra pela janela do décimo andar, cometeu uma grande imprudência!

     O advogado de defesa pediu a palavra:

     – Como assim, excelência?

     – Imagine se nesse momento estivesse passando alguém embaixo da janela?!