Olívia Cerqueira

22 de abril de 2015

A descoberta…

Eu te procurei no tempo, em cada canto; um dia eu pensei que tivesse te encontrado, porque nos tornamos cúmplices na nossa intimidade. Mas a gente se engana muito quando o assunto é amor, principalmente eu, que sempre fui tão aberta ao diálogo, tão tola e tão frouxa nas minhas decisões.

Um dia eu revirei o fundo do baú da minha memória, para matar aquela saudade que eu sentia de você, porque eu achava que aquele sentimento era único, parceiro e indissolúvel. Mas que saudade era essa que eu sentia de você? Quanta tolice eu achava que era verdadeira em minha vida!

Para falar a verdade e muito francamente, agora, eu não sei o que eu estava procurando: se era um amor, uma parceria, um amigo, um amante ou todas as alternativas são verdadeiras.

Avalio agora, depois de sentimento passado e situação tão distante, que na verdade eu buscava uma pessoa que eu achava que conhecia: mas por triste ironia do destino, o engano foi maior quando descobri a verdade: a verdadeira personalidade de quem eu achava que já conhecia.

E a decepção e a mágoa que a gente sente quando gera tanta expectativa no outro são bem maiores. Chego á conclusão que tu eras uma grande fraude: alguém que só enganava e enganava, todos os dias da nossa rotina, como se me enganar fizesse parte de um acordo tácito: parece que era tudo de caso pensado, como se aquelas atitudes aliviasse a tua consciência no sentido contrário, se é que se pode definir isso.

E quando essas situações aparecem, quem age dessa forma começa a envolver outras pessoas nas mentiras e se enrolam cada dia mais e vai ficando mais feio o conceito que a gente tem dessa pessoa, porque cada dia é uma mentira nova que vai crescendo, crescendo até onde ninguém sabe.

Procurei refúgio onde sempre encontro: na literatura. E foi lá que me deparei com vários personagens que se mesclam com esse perfil, foi na literatura que me amparei, porque é meu porto seguro, onde me refugio para não cair de vez e não sucumbir ao sofrimento.

Ler é sempre a melhor saída, pode acreditar. Busquei explicação em Tostói, Dostoiévski, Colette Dowling, Rosa de Luxemburgo, Gabriel Garcia Marquez, Erico Verissimo e em vários teóricos e romancistas de época, ou nos romances mais água-com-açúcar que comecei a ler e devorar para entender melhor certas nuances do caráter humano. Boa noite!