Ailton Villanova

17 de abril de 2015

Muito além do limite da sacanagem

     Pago um milhão a quem encontrar o galego Álvaro Cleto sem aquele sorriso gaiato na cara outrora barbuda. Gozador ao extremo, irreverente e brincalhão por natureza, o colega aí está sempre aprontando alguma sacanagem. Faz alguns anos, ele se achava com uns amigos mais chegados, amolecendo o couro numa sauna que existia na Avenida da Paz. Ao seu redor, todo mundo ria com as suas tiradas humorísticas quando, ao dado momento, o celular ao lado começou a tocar. Álvaro atendeu:

     – Alô!

     Do outro lado da linha, falou uma voz feminina, toda melosa:

     – Amor, você ainda está na sauna?

     E o galego, mais melífluo ainda:

     – Estou, meu docinho. Não vou sair daqui tão cedo.

     Ela continuou, toda derretida:

     Sabe o que é, amor? Estou aqui no shopping, bem em frente a uma loja de roupas femininas. Olha, tem um vestido de noite lindíssimo. Posso comprá-lo?

     – Quanto custa?

     – Deixa ver… Hmmmm… Custa 10 mil reais.

     – Tá bom. Compre. Pode usar o meu cartão que está contigo. Não está?

     – Está sim, meu amor. Eu pensei em usar o seu talão de cheques, que também está comigo…

     – Não! Use o cartão, que é melhor.

     – Ah, que ótimo, meu amor. Tem outra coisa…

     – O que é?

     – Acabei de passar na concessionária, ali na Mangabeiras, e vi o modelo mais novo do nosso carro. É lindo, amor! E só tem dois únicos exemplares. O gerente me disse que, se a gente quiser, pode dar o nosso automóvel de entrada. Disse ainda que pode fazer um preço camarada!

     – Quanto é o preço camarada?

     – Cento e cinco mil cruzeiros. O que você acha?

     – Acho bom . Por esse preço pode fazer negócio. Peça todos os opcionais e… olha! Compre logo os dois carros. Duzentos e dez mil está dentro do meu orçamento. Um carro fica comigo e o outro contigo.

     Do outro lado, a mulher respirou fundo e gemeu, emocionadíssima:

      – Oooohhh! Eu não posso acreditar! Que emoção! Amor, antes de desligar, só mais uma coisinha…

      – Tu estás hoje com a carga toda, hein? O que é mais que queres?

      – Tá lembrado daquela casa sensacional, com piscina e três andares, que a gente viu lá no Aldebaran, semana passada?

      – Tô lembrado. O que é que tem?

      – Pois ela ainda continua à venda! Falei com o corretor Rui Costa e ele disse que a imobiliária resolveu financiá-la pela Caixa…

      – E por quanto vai ficar esse financiamento?

      – Uns 8 milhões… por aí.

      – Tá certo. Volte lá e feche a compra. Assine a sua parte nos papéis. Depois eu passo lá e assino também.

      – Oooohhh, amor! Estou tão feliz! Adorei você ter mudado de opinião em tudo! Beijão, viu?

      – Outro pra ti. Faz tudo como recomendei e não se fala mais nisso.

      A mulher desligou o telefone e o Álvaro, com a cara mais cínica do mundo, perguntou aos amigos:

      – Alguém sabe de quem é este celular?

 

 

Muito pior ficou o centroavante!

 

     Zezinho de Didó, lateral esquerdo de um time de futebol intitulado Brasil, que sobrevivia na periferia de Palmeira dos Indios, ingressou no hospital regional da cidade com o pé esbagaçado. Apesar disso, não parava de rir. O médico que o atendeu, ficou sem entender nada!

     O que foi que houve com esse pé, rapaz? Você com essa fratura exposta e ainda fica rindo!

     E o Zezinho, sem parar de rir:

     – A gente foi jogar em Quebrangulo, naquele campinho todo esburacado, sem alambrado, a torcida toda contra…

     – Ah, agora entendi. Eles quebraram o seu pé! Mas qual é a graça?

     – Calma aí, que eu explico, doutor. É o seguinte… Teve uma hora, no meio da partida, que eu fui bater o escanteio e um torcedor, muito  do filho da puta, trocou a bola por um paralelepípedo. Eu não reparei e mandei o pé pra frente. O resultado foi esse que o senhor tá vendo!

     – E você tá rindo do quê?

     – Do centroavante, doutor.

     – O que tem ele?

     – Fez o gol de cabeça!

 

 

Um “urubu” exibido e oportunista

 

     Ele não é preto. Muito pelo contrário. É galego. Mas o apelidaram de Urubu.

     Estou falando do Adalardo Ludovico, advogado sergipano, que jamais perdeu uma ocasião para se “amostrar”. Nem aquelas mais críticas. Um dia, ele se achava a bordo de um avião, com destino a São Paulo. No meio da viagem, uma pane na aeronave.

     Da cabine de comando, o piloto pediu às comissárias que preparassem os passageiros para uma aterrissagem de emergencia.

     Alguns minutos depois, o comandante chamou a comissária-chefe para saber se tudo estava bem com os passageiros.

     Então, ela informou:

     – Todos estão preparados com o cinto de segurança e na posição correta, menos um advogado que está entregando seu cartão aos passageiros!

 

 

Álcool puro também serve!

 

     Biriteiro contumaz, o Etanólio Alcolídio saiu arrastando os pés até o consultório médico do SUS. Assim que botou os olhos na figura, o facultativo foi logo diagnosticando:

     – Pela sua aparência, meu amigo, você está com o fígado em frangalhos. Mesmo assim, vamos aos exames.

     Horas mais tarde, os testes confirmaram: Etanólio tinha cirrose hepática das brabas.

     Mesmo sem ter dúvida alguma, o médico perguntou:

     – O senhor bebe, não bebe?

     – Aceito só um golinho, doutor…

     – Não é isso. Apenas gostaria de saber se o senhor consome álcool!

     E o Etanólio, meio constrangido:

     – Bem… serve, já que não tem outra coisa…

 

 

O argumento foi convincente!

 

     Por não aguentar mais a chatice da mulher Estriquinina, o Esmirnófio se mandou de casa com armas e bagagens. Por conta disso, ficou sendo odiado por ela. Pra se vingar, Estriquinina foi ao juiz e pediu a guarda definitica do único filho que teve com o marido.

     Discussões em juízo, apelações, etc. Até qie chegou o dia da audiência final. Tudo parecia estar pesando em favor da mulher. Seu advogado argumentava que ela, por ser mãe, era quem deveria ficar com a criança.

     Em dado momento da audiência, Estriquinina pediu a palavra e o juiz, muito humano, a concedeu. A mulher chamou na grande:

     – O meu filho tem que ficar comigo, excelência!  Ele foi gerado dentro de mim! Saiu do meu ventre!

     Mas Esmirnófio insistia no sentido de que o garoto deveria ficar sob sua tutela. Para ser imparcial, o magistrado pediu que, como a mãe, o pai argumentasse também. Depois de um breve silêncio, Esmirnófio mandou de lá:

      – Meritíssimo, quando eu coloco uma moeda na máquina de vender refrigerantes, a latinha que sai é minha ou da máquina?

      Ganhou a causa!

 

 

Matou a cantora a pau!

 

     O finado prefeito José Florisvaldo, mais conhecido como Zé Flor, era o rei da ignorância. Levado por um amigo famoso político das Alagoas, ele foi a Salvador pela primeira vez. Raparigueiro ao extremo, tal político apresentou-a à boemia soteropolitana. No rastro disso, foram bater numa boate famosa, onde estava se apresentando a belíssima Conchita, cantora de boleros, importada do México. A estrela abriu o show com um dos seus maiores sucessos: “Solamente Una Vez”. Mil aplausos.

     Depois disso, a platéia não se conteve e começou a solicitar outras composições musicais do vastíssimo repertório da artista.

     – Perfídia! – pediu um fã.

     Outro sapecou:

     – Pecadora!

     E mais:

     – Hipócrita!

     – Perversa!

     – Mujer Infiel!

     Ah! Zé Flor, que se achava caladinho no seu canto, não se  conteve porque, contagiado pela manifestação da platéia, lascou- lá:

     – Vaca! Piranha! Rapariga safada! Cretina! Cadela! Fia da puta!…