Ailton Villanova

15 de abril de 2015

Hora imprópria pra fazer cocô

     Três funcionários de uma empresa de conservação e limpeza de edifícios estavam executando serviços da lavagem de vidraças, pendurados num andaime no 9° andar de um edifício localizado num bairro finório da capital. De repente, um deles falou pros demais:

     – Pessoal, vou ter que dar uma paradinha! Acaba de me bater uma dor de barriga de lascar!

     – Aguenta aí, Agajoel! – disse um dos parceiros.

     – Não dá pra aguentar, Orégano! – replicou Agajoel. – Ai, meu Deus! Não vai dar tempo chegar lá em baixo! Acho que vou fazer cocô aqui mesmo!

     – Você tá louco, cara? Segure aí um pouco que vamos descer o andaime até uma janela mais próxima. Assim, você entra no prédio e vai despejar o seu barro tranquilo…

    E assim fizeram. Chegaram até uma janela do 7° andar e o Agajoel bateu no vidro. Uma senhora atendeu, ele não falou nada. Só fez invadir o apartamento e disparar para o toalete.

     No momento em que Agajoel satisfazia a sua necessidade fisiológica no sanitário alheio, eis que o andaime despencou do 7°  andar com os colegas Diagnósio e Siliconaldo, causando a morte  dos dois. Foi aquele drama.

     Na manhã seguinte, as respectivas famílias dos pranteados operários expeliam abundantes e copiosas lágrimas no velório de ambos. E o sobrevivente Agajoel, bom companheiro, também se fazia presente acompanhado de sua esposa Hipoclorita. Afinal, tinha o dever ético e moral de ser solidário com os familiares dos finados companheiros.

     Minutos antes do sepultamento, o dono da empresa onde trabalhavam as vítimas aproximou-se da viúva do Diagnósio e disse, com voz embargada:

     – Minha senhora, estou profundamente abalado com o que aconteceu com o seu marido, grande companheiro de trabalho. Não se preocupe. A casa própria que ele tanto almejava, eu compararei para a senhora e seus filhos. Quanto a educação das crianças, também não se preocupe: bancarei tudo até que se formem. E, como presente, estarei lhe entregando, na próxima semana, um carro zero, já que vocês também sonhavam com isso.

      O empresário fez a mesma coisa com a viúva do outro falecido, o Siliconaldo: ofereceu casa, carro, estudo… tudo!

      Ao escutar as promessas do patrão do marido, a esposa do sobrevivente Agajoel, não se conteve: olhou pra ele de cima a baixo e desabafou:

      – E você achou de cagar logo naquela hora, hein, seu engraçadinho?

 

 

Sacada inteligente do Euternúbio

 

     Empregado de certa desentupidora, o Euternúbio cumpria tarefa  específica num prédio de apartamentos, quando a tampa da fossa asséptica desabou. O infeliz caiu no meio daquela sujeirada do esgoto de mais de duzentos apartamentos e ficou entalado até o pescoço, no maior dos sufocos. E o pior é quanto mais ele se debatia, mais afundava na imundície. Desesperado, ele começou a gritar:

      – Fogo! Socorro! Fooogooo!

      Mais depressa do que imediatamente, o zelador do condomínio ligou pro Corpo de Bombeiros e em cinco minutos encostou lá um monte de barulhentos carros de combate a incêndio, de onde saltou uma porrada de bravos e destemidos “soldados do fogo”, prontos para debelar as chamas e prestar socorro a possíveis vítimas.

     Quando o comandante da guarnição desceu ao porão e examinou a área, constatou que não havia incêndio nenhum. Mais adiante, por deduração do zelador do prédio, ele viu um sujeito afundado na fossa e deu a maior bronca:

     – Ô rapaz, você está querendo brincar com coisa séria? Que irrresponsabilidade a sua! Não sabe que é crime dar alarme falso de incêndio? Por que gritou “fogo”, se não tem nenhuma labareda por aqui?

     E o Euternúbio:

     – E se por acaso eu tivesse gritado “merda!”, “merda!”, alguém teria vindo me socorrer?

 

 

O amante de papo furado

 

     Sem ter o que fazer na noite jatiuquense, o Batrúcio caminhava meio à toa, pelo calçadão da orla. Foi quando deu de cara com aquele baixinho bem conhecido do leitor: o Correínha.

     – Quê que você tá fazendo na rua a esta hora, ô cara?

     – Tô matando o tempo, até chegar a hora de ir pra casa.

     – Mas já passa das três e meia da madrugada, rapaz!

     – É que a minha mulher está lá com aquele amante dela…

     – Então, cara! Essa é que a hora de você ir pra casa. Chegue lá, meta os peitos na porta e entre botando banca!

     – Tá maluco, Batrúcio? E eu lá tenho saco pra escutar o papo furado daquele cara!

 

 

Amigo é pra isso mesmo!

 

    Barzinho da periferia, final de noite. Dois amigos um deles chamado Messias, e outro chamado Monsueto -, tomavam uns birinaites. Lá pelas tantas, desabafou o Monsueto:

    – Vou te contar uma coisa, mano velho… eu não sei mais o que fazer com a minha mulher!

     E o Messias, animadão:

    – Esquenta não. Manda ela lá pra casa, que eu sei o que fazer!

 

 

Problema muito mais profundo

 

     Moça bonita, muito prendada, Izildinha era portadora de sérios problemas cardíacos. Seu pai, o fazendeiro Osquépio Madeira, preocupado com o fato de que ela casaria dentro de pouco tempo, mandou chamar o furturo marido – que era um sujeito ignorantão -, para uma conversa em particular. O cara foi lá, e o velho foi objetivo:

     – Não sei se você sabe, mas minha filha tem uma angina profunda…

     O noivo sorriu e respondeu, muito confiante:

     – Claro que eu sei. E o cu também!

 

 

Todo bêbado é inconveniente

 

     Alta madrugada, lá no fundo da farmácia, dormia profundamente seu Coristino, o dono, depois de um estafante dia de trabalho. Lá pelas tantas, bateram violentamente na porta. Ele esperou um pouco, porque entendia que se fosse realmente um caso de urgência, bateriam de novo. E não demorou nem dois minutos, mais porradas na porta.

      Muito puto, seu Coristino se levantou e saiu arrastando os pés até a porta. Abriu-a e deu de cara com um sujeito biritadíssimo.

      – Ôba! – cumprimentou o bêbado.

      E seu Coristino:

      – Já sei. Quer um engove, não é?

      – Não sssenhor. Sssó quero me pezzar…