Ailton Villanova

9 de abril de 2015

O incansável doutor operário

     Exibindo olheiras profundas, o sergipano Sindulfo Bicalho entrou no consulltório do psicanalista Prolactino Ospernóbio arrastando os pés. Arriou numa poltrona, respirou profundamente e desabafou:

     – Doutor, eu não aguento mais!

     – Não aguenta mais o quê? Que problema o aflige? – indagou o especialista. – Me conte!

     – O caso é o seguinte, doutor… toda noite eu tenho um sonho terrível! Sonho que pego uma carreta aqui em Aracaju, e vou dirigindo até São Paulo. Passo a noite toda dirigindo. Quando chega de manhã, na hora de acordar, tô pregado! O que é que eu faço, doutor?

     – Vou aliviar esse seu sofrimento, com a sua colaboração, naturalmente.

    – Pode contar com isso, doutor. O que devo fazer? 

    – Você vai fazer o seguinte: sonhe até chegar em Salvador. Lá, você deixa a carreta no posto que eu levo até São Paulo pra você, tá combinado?

     – Combinadíssimo, doutor. O senhor é gente fina!

     Naquela mesma noite, Sindulfo Bicalho mal espichou-se na cama começou a sonhar. Quando o sonho chegou a Salvador, ele parou a carreta, esperou o psicanalista, mas este não apareceu. Então, ele teve que prosseguir até São Paulo.

     Bicalho acordou morto de cansado e quase não conseguiu chegar ao trabalho. De tarde, voltou ao psicanalista pra reclamar:

     – Mas doutor, o senhor não apareceu!

     – Ah, meu filho, não espera por mim. Deixa a carreta lá em Salvador com a chave na ignição e esquece. De Salvador pra lá o problema é meu.

     Na noite seguinte Bicalho fez assim e, realmente, acordou bem mais descansado. E como já não se cansava tanto, nem voltou mais ao doutor Prolactino.

     Passaram-se os dias, e aconteceu que Bicalho encontrou na rua um velho amigo, cuja cara demonstrava cansaço.

     – Quê que há, Aflaudísio? Você tá com uma cara terrível!

     – Cansaço, meu camarada! Cansaço! – respondeu o amigo, mal conseguindo falar.

     – Mas por que tanto cansaço? – quís saber o Bicalho

     – É a porra de um sonho! Eu não aguento mais, meu camarada! Toda noite, a mesma coisa. Tenho de dar conta de quarenta mulheres, já pensou? Quando acordo de manhã, estou um trapo!

     Bicalho apresentou pro Aflaudísio a solução pro problema dele:

     – Vai ao meu psicanalista. Ele te cura, na hora!

     Aflaudísio foi. Contou o seu drama para o doutor e ele prometeu: Deixe comigo que eu vou resolver o seu caso. Para isso, você terá que fazer o seguinte… pegue só vinte mulheres, certo? Deixe as outras vinte por minha conta.

     Aflaudísio fez conforme o doutor recomendou, e deu certo. Todas as noites ele só pegava vinte mulheres. Quanto ao psicanalista, este, coitado, apareceu dias mais tarde no consultório de um colega, acabadão:

     – Crisóstomo, você tem que me salvar. Não suporto mais. Estou um caco! 

     – Que diabos você tem, afinal?

     – Tenho um problemão, rapaz: toda noite comer vinte mulheres e depois levar uma carreta de Salvador até São Paulo!

     Pegaram o infeliz do doutor e internaram num hospital psiquiátrico.

 

 

Touros e vacas variadas

 

     Sujeito abonado, o Carmelino de Castro pegou a chatérrima da mulher Creolínea, e a levou para ver uma exposição de gado em Belo Horizonte, onde lá se encontrava o grande Arivaldo Maia, a grande atração do evento. Para quem não sabe, o Ari é o maior leiloeiro de gado do país.

     De braço dado com a fera, digo com a Creolínea, estava o Carmelino percorrendo a ala dos touros campeões, com a intenção de adquirir um deles, pelo menos. Cada exemplar taurino exibia uma placa enaltecendo as suas façanhas. O casal parou diante de um touro, cuja placa dizia: “Este touro acasalou 100 vezes no último ano”.

     – Cem vezes no ano, Melininho! Você bem que podia aprender com ele!

     Andaram mais um pouco e lá estava mais um belo animal, com outra placa: “Este touro acasalou 200 vezes no último ano”.

     – Puxa! Duzentas vezes em um ano! Bem que você podia fazer a mesma coisa! – foi a mulher de novo.

     Mais alguns passos, outra placa: “Este touro acasalou 365 vezes no último ano”

      – Meu Deus! Trezentas e sessenta e cinco vezes em um ano! Que emocionante, Melininho! Realmente, se você aprendesse com ele…

      E o Carmelino, apertando o braço da inconveniente esposa e encostando no touro:

      – Tá… então pergunta aí se ele faria isso com a mesma vaca!

 

 

Tarado em potencial

 

     Pretendente a um emprego em determinada empresa de comestíveis, um certo Epistácio Aruba submetia-se ao teste psicotécnico. O psicólogo mostrou-lhe um triângulo e perguntou:

     – O que você vê aí?

     – Uma fechadura. E lá dentro tem um casal transando na penumbra…

     – Hmmmmmm… E agora? – indagou o psicólogo, mostrando um círculo.

     – Um olho mágico. E dá pra ver dois caras mandando ver numa mulher… Ela está adorando!

     – Olha, realmente não dá pra você trabalhar conosco. Você tem problemas sexuais terríveis!…

     – Eu?! Mas o senhor é que fica me mostrando essa pornografia!

 

 

A vista é a culpada!

 

     Na clínica de olhos do oftalmologista Nairo Freitas, o paciente Aglinoberto Pacheco reclamava:

     – Vou ser bem sincero com o senhor, doutor… A minha vista está tão fraca que sou obrigado a trabalhar sem parar, que nem um louco!

     E o Nairo:

     – Que história absurda é essa, rapaz? Não estou lhe entendendo! Explique-se direitinho…

     – É que da minha mesa de trabalho, lá na repartição, não consigo enxergar se o meu chefe está me olhando ou não. Na dúvida, tenho que ir trabalhando, entendeu? Em assim sendo, eu quero que o senhor capriche no grau do meu novo óculos!

 

 

Chamem o médico, por favor!

 

     Em tradicional clube de lazer, a jovem e atenciosa atendente preenchia a ficha de inscrição do candidato a sócio Álvaro Cleto, outrora boêmio inveterado e hoje em dia meio santo. Em dado momento, a garota levantou a cabeça e falou pro galego barbudo:

    – Olha, senhor, este espaço aqui eu tenho que preencher com o nome da pessoa que deve ser notificada em caso de acidente. Quem gostaria que ficasse sabendo?

    – Pra começar, um bom médico!

 

 

A sacada malandra do Cacá

 

    Final de ano, na escola onde o Cacá estuda as provas estavam sendo realizadas numa boa. Uma das professoras do pentelho, a louraça Rose Lessa, optou por um tema atualíssimo na prova de redação: o futebol.

    A garotada meteu mãos à obra e num instante concluiu o trabalho, menos o Cacá.  A professora cobrou dele:

    – Cadê o trabalho, garoto?

    – Entrego daqui a pouco, professora.

    Cacá aproveitou uma distração da mestra, deixou a redação em cima do birô e se mandou sem dizer nada. A professora Rose leu o que estava escrito em letras garrafais, no papel largado pelo Cacá:

     “Jogo adiado por motivo de chuva”.

 

 

Como faz pro pinto entrar?

 

     Nozinho, inocente filhinho mais novo do Anthenor Leão, foi despachado pelos pais para passar o fim de semana na fazenda do avô Osquépio, em Campo Alegre. Feliz com a companhia do netinho, o vovô o levou ao galinheiro, onde ele assistiu ao nascimento de um pintinho amarelinho.

     Vovô Osquépio, então, especulou o netinho, que, abismado, não tirava os olhos do pintinho:

     – Não é uma maravilha como ele sai da casca?

     E o pentelhinho:

     – Ô vô, e pra entrar como é que ele faz, hein?