Ailton Villanova

2 de abril de 2015

Um remédio na medida… pra ela!

     Dona Hipotenilda Vilfreda era grandona – media 1m90cm e pesava 100kg -, possuía cabelo na venta, dispunha de barba rala e peitos aloprados. Parecia uma vaca. A madame em referência era casada com o baixinho Aguinomildo Matoso, mais conhecido como “Pichilinga”, que ela dominava na dureza, sob a seguinte justificativa:

     – É porque o amo demais!

     Mesmo “amando demais” esse infeliz, Hipotenilda jamais lhe concedeu o direito de sair com os amigos, para tomar uns grogues de cachaça, coisa que ele apreciava muito, ou bater uma bolinha no campinho de peladas conhecido como “Caco de Coco”, localizado na parte alta do Bom Parto, fronteira com o Farol, e onde hoje se localiza o Hospital Psiquiátrico Portugal Ramalho. De tanto submeter-se aos desejos sexuais da mulher, um dia Pichilinga pegou uma fraqueza tão grande que teve de cair de cama, “se queimando de febre”. Mais que depressa, madame pegou o coitado, botou no carro e levou ao consultório do doutor Byrne, que ficava na “Saúde Pública” (hoje I° Centro Estadual de Saúde “Noélia Lessa”), localizada na Praça das Graças, bairro da Levada.

     – O que o amigo velho está sentindo? – indagou doutor Byrne, assim que pôs os olhos na esquálida criatura.

     Aguinomildo Pichilinga abriu a boca para responder:

     – Eu…

     Mas foi interrompido pela mulher:

     – Doutor, o meu maridinho aqui não come direito, sente vertigens, dores de cabeça…

     O médico retomou a palavra, dirigindo-se ao doente:

     – Há quanto tempo o senhor vem sentindo esses problemas…?

     – Bem, deve…

     – Faz dois meses, doutor! – tornou a se antecipar a mulher. – É que ele não é de ficar reclamando muito e… 

     – Quantos anos o senhor tem?

     –  Cin…

     – Ele vai fazer cinquenta e cinco no mês que vem. – completou Hipotenilda.

    Terminada a consulta, doutor Byrne escreveu a receita, virou-se para a mulher e disse:

     – O seu marido precisa de repouso absoluto. Estou lhe receitando uma caixa de soníferos.

     – E quando é que ele pode começar a tomar esse remédio, doutor?

     E o médico:

     – Não é para ele. É para a senhora!

 

 

Que saco de secretária!

 

     Dois advogados tomavam uma cervejinha numa daquelas barracas da orla. Entre um gole e outro, um dedo de prosa. Em dado momento, um deles disse:

     – Sabe, Adalardo, vou acabar despedindo a minha secretária.

     – Aquela gostosa? Mas por que, Coriolano?

     – É que toda vez que eu peço pra digitar uma petição, ela fica a todo instante me perguntando como se escreve tal termo jurídico, o que um outro significa… É um saco!

     – Mas que coisa desagradável, né, rapaz?!

     – Pois é. Aí, eu sou obrigado a ficar consultando dicionários, os códigos de Direito e os livros da época de faculdade…

 

 

Viu apenas cuspindo…

 

     Convocado a depor, como testemunha, em inquérito que apurava a responsabilidade de um certo Jebão num caso de lesão corporal grave, o Lenolino era inquirido pelo delegado Macário, no cartório da Delegacia do 3° Distrito de Polícia da Capital:

     – O senhor presenciou mesmo o suspeito mordendo o nariz do vizinho?

     E a testemunha:

     – Bom, doutor, pra lhe ser sincero, ver mordendo eu não vi, não. O que eu vi foi ele cuspindo fora a venta do coitado!

 

 

Muito melhor a prisão!

 

     Rigorniberto Algofeu começou a tremer ao ver o seu advogado entrar na cela onde se achava recolhido.

     – Boas notícias, meu caro! – disse o causídico, cheio de euforia. – Embora você tenha empurrado a sua esposa do carro em movimento e, depois, tentado passar por cima dela, eu vou conseguir tirar você daqui!

     – Não, doutor! Não faça isso! Eu quero continuar preso!

     O advogado espantou-se:

     – Mas por quê? Ela não morreu!

     – É por isso mesmo!

 

 

O que fazer com o finado?

 

     A mulher entrou esbaforida na igreja, procurou pelo padre Agapito e foi encontrá-lo na sacristia, lendo o breviário. Aí, desabafou:

     – Padre, cometi um pecado! Eu e meu marido…  Bem… nós brigamos, ontem.

     E o reverendo:

     – Não se preocupe, minha filha. Fique tranquila que logo as coisas se acalmam.

     – Tá certo, padre. Mas, enquanto isso, o que é que eu faço com o cadáver dele?

 

 

Doença sem cura: esse o problema!

 

     O clínico Mediastino Costelo acabou de examinar o paciente e foi peremptório:

     – Olha, rapaz, você tem que deixar de fumar imediatamente!

     E o cara:

     – Mas eu não fumo, doutor!

     – Então, você deve deixar a bebida.

     – Eu também não bebo.

     – Nesse caso, passe uns dias sem tomar café e sem comer carne vermelha.

     – Mas eu nem bebo café e nem como carne vermelha. Sou vegetariano.

    – Deixe de andar com mulheres…

    – Faz um tempão que eu não saio com mulher alguma!

    Nesse ponto o doutor invocou-se:

    – Escute aqui, rapaz: não dificulte as coisas. Se não existe nada que eu possa fazer, então não vou poder lhe curar e você vai morrer!

 

 

 Acordo de cavalheiros

 

     O peão José Bisantino, empregado da fazenda de um certo doutor Febrônio, procurou-o indignado:

     – Num tô me cunformando, dotô… Eu sô preto e meu fío cabô de nacê branco!!!

     E o patrão:

     – Esse é um caso que só a genética pode explicar…

     – Gené… uquê, dotô? Eu num seio de nada disso!

     – Por exemplo… quantas ovelhas brancas você vê alí no campo?

     – Tem um montão!

     – E quantas pretas?

     – Pretas? Só trêis!

     – Viu só? Isso é genética.

     – Ah, apois tá. Agora eu intendí, dotô! Entonce, vâmo fazê um acordo: O sinhô num fode mais a minha mulé e eu num como mais as suas uvêia!