Olívia Cerqueira

2 de abril de 2015

Malhação do Judas

Olívia de Cássia – Repórter

 

O Sábado de Aleluia é o dia da ‘Malhação de Judas”, tradição em todo país, trazida pelos espanhóis e portugueses para toda a América Latina. Com o passar dos anos, a tradição foi desaparecendo em algumas comunidades.

O padre Marcio Roberto dos Santos, observa que a “Malhação de Judas” ou Queima de Judas é uma tradição vigente em diversas comunidades católicas e ortodoxas que foi introduzida na América Latina pelos espanhóis e portugueses. “É também realizada em diversos outros países, sempre no Sábado de Aleluia, simbolizando a morte de Judas Iscariotes, traidor de Jesus Cristo”, destaca.

A ação da “Malhação de Judas” consiste em surrar um boneco do tamanho natural de um homem, forrado de serragem, trapos ou jornal. Depois de o boneco passar pelas ruas de um bairro e algumas pessoas atearem  fogo nele ele, normalmente ao meio-dia.

Segundo o padre, geralmente isso acontece na frente de uma igreja ou em alguns lugares defronte do cemitério. “Atualmente, no boneco da figura de “Judas Iscariotes traidor” é colocado a máscara ou nome de político, técnicos de futebol ou qualquer pessoa não bem quista pelo bairro”, pontua.  

Padre Márcio diz ainda que algumas pessoas comentam também que a tradição começou num contexto europeu de perseguição aos judeus. “Se levarmos em conta isso, temos mais motivos para não aceitar a “Malhação de Judas”, pois Jesus pregou a tolerância entre os povos e caracterizou seus discípulos pela prática do mandamento do amor, do perdão e do serviço”, explica.

“A “Malhação de Judas” é mais uma tradição da religiosidade popular do que propriamente da Igreja. E se bem avaliada contraditória para os cristãos, pois Jesus pregou o perdão e a não vingança. No entanto, na dita “malhação do boneco Judas”, há uma motivação a se  fazer justiça com as próprias mãos e não aquela própria do cristã de depositar nossa confiança na justiça de Deus. Hoje, a tradicional “Malhação de Judas”, mesmo sendo em alguns lugares uma atração turística que atrai muita gente, tende a desaparecer por ser expressão de um ato de violência contra o ser humano”, ensina.

“Que o gesto de Jesus na cruz nos ensine a perdoar de coração, como ele mesmo nos exemplificou: ‘Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem’. O tríduo pascoal é justamente o tempo de olharmos os gestos e as palavras de Jesus. O amor é mais forte que a morte. A luz de Cristo gera no mundo filhos e filhas das luz, não das trevas. Pois a proposta cristã para a sociedade é a da cultura da vida, da paz e da solidariedade entre os povos e quem é cristão vive e convive com todos, mas sempre caracterizado pelo serviço à vida na sociedade”, ressalta.