Política

14 de Abril de 2018 16:56

‘Espaço de Rui será ocupado em breve’

Presidente do Democratas, José Thomaz Nonô diz que Rodrigo Cunha tem um perfil semelhante ao do prefeito

↑ José Thomaz Nonô argumenta que não havia um grupo de oposição ao governo Renan Filho (Foto: Reprodução)

Conversar. Esse é o lema do DEM em Alagoas nesse período de articulações para as eleições deste ano. Segundo José Thomaz Nonô, presidente estadual do partido, essa prática “não arranca pedaço” e é assim que ele conduz o futuro próximo da legenda. Em entrevista à Tribuna Independente, Nonô ressalta a importância de haver mais de uma candidatura competitiva ao Governo do Estado e afirma nunca ter existido um grupo de fato para a candidatura descartada de Rui Palmeira (PSDB), apenas uma “junção de pessoas” em torno do nome do prefeito de Maceió.

Segundo ele, este espaço não ficará vazio por muito tempo.

Tribuna Independente – Como está o DEM para esta eleição, já definiu seu arco de alianças ou vai esperar
até às convenções?

Nonô – Vou começar pelas [eleições] proporcionais. Nós fizemos uma série de reuniões aqui e teremos vários candidatos a deputado estadual e, além de mim, mais dois a deputado federal. Não os estou nominando porque as listas [pelo Tribunal Superior Eleitoral] só saem dia 17 e para evitar superexposição, mas teremos uma perspectiva boa em termos de nome. Sobre as majoritárias, é aquilo que venho discutindo. A renúncia do Rui Palmeira [PSDB] me pegou de surpresa porque o espera como candidato. Era esse o projeto. Mas uma vez que ele desistiu, não adianta ficar chorando sobre o leite derramado. E na busca por um candidato ao Governo, as tratativas não vão demorar muito. Acho que até o fim do mês se terá uma alternativa de candidato. Vamos aguardar e ver como se acomodam os partidos.

Tribuna Independente – Pela sua fala, o DEM segue nesse grupo de oposição ao governador Renan Filho (MDB)?

Nonô – Veja bem. É diferente. Nós vamos ver o que o partido faz. Eu ando procurando candidato. É importante que tenhamos candidatos. Nunca faço campanha contra, faço a favor. Sou presidente de um partido e tenho de ver o que é melhor para esse partido. Acho importantíssimo e tenho trabalhado para que tenhamos mais de um candidato [ao Governo do Estado].

Tribuna Independente – Até que ponto a saída do Rui da disputa afetou, não só o grupo, mas a eleição como um todo? Há quem diga que a disputa está dada em favor do governador?

Nonô – Não está nada dado. Veja bem, eu já vi candidato único perder a eleição. Edmundo Tojal Donato, ex-candidato único a prefeito em Porto Real do Colégio e perdeu eleição. Eu acho que eleição é um processo interessante, ao menos para quem faz política como eu. Para outros, nem tanto porque se trata apenas de uma maratona de gastar dinheiro. É uma oportunidade de contrapor ideias e modelos, principalmente para cargos executivos. Sobre a renúncia do Rui – e falo por mim e pelo DEM –, em primeiro lugar, acho que nunca houve um grupo de oposição, mas uma junção de pessoas em torno da candidatura dele, por força de seus méritos e qualidades. Mas grupo, grupo, eu acho que nunca houve. Isso é muito fácil de ver, pelo comportamento de alguns dos membros desse pretenso grupo. Na realidade, havia o projeto Rui e quando ele decidiu não ser candidato, evidentemente, houve uma alteração profunda. Estávamos trabalhando com um nome e uma perspectiva e de repente não ter mais essa perspectiva, é absolutamente natural que essas forças se rearrumem. Rapidamente alguém vai preencher o espaço.

Tribuna Independente – Por quem?

Nonô – Por quem eu não sei. Se me perguntarem o candidato que tenho simpatia, eu citaria o nome do Rodrigo [Cunha]. E por um motivo muito simples – há algum tempo dei declarações sobre Rui e Renan Filho, de que são da mesma geração e é natural que
disputem, até porque só um lugar na cadeira –, Rodrigo pode ter mais o menos o mesmo perfil.

Tribuna Independente – Mas é bem difícil construir uma candidatura em cima da hora…

Nonô – É, mas, acho que dá para construir. Se houve empenho e se a candidatura for essa. Na realidade, na pseudo-reforma [política] feita pelos senhores deputados, a única coisa que fizeram mesmo foi encurtar o período de campanha. Aí há uma vantagem para os nomes que já estão no mandato. Estou falando dos proporcionais.

Tribuna Independente – O senhor é candidato a deputado federal, acredita que haverá renovação nos parlamentos?

Nonô – Gostaria que tivéssemos, mas não tenho certeza. E isso dá uma reportagem inteira, mas o que há. A Câmara [dos Deputados] está muito ruim. É a pior Câmara que já vi. O debate político empobreceu, assim como o nível do debate político. Qualquer pessoa percebe isso. Piorou do lado ético, veja a quantidade de réus no parlamento. Parece que são 160, só envolvidos na Lava Jato. É uma quantidade de gente desonesta brutal, além de despreparada. Então, não sei o que vai acontecer, não tenho bola de cristal, mas sei que o Congresso hoje é altamente insatisfatório. Mas qual é a parcela da sociedade brasileira que percebe isso com clareza e vai votar de acordo com a percepção…

Tribuna Independente – E a campanha mais curta ajuda a não fazer esse debate…

Nonô – Ajuda. Se você perguntar por que sou candidato, eu digo que a primeira coisa é o que ouço todo dia, pelo menos 10 vezes: ‘não tem ninguém decente para votar. Seja candidato’. Ontem passou um cara por mim e disse: ‘eu votava até ontem no PT, mas não voto mais. Votarei no senhor porque olhei aí e vi que o senhor tem 35 anos na política e não tem crítica sob o ponto de vista ético’. Não se conhece falcatrua de José Thomaz Nonô e não tem mesmo. Já passei pelo crivo da imprensa nacional. Fui presidente da Câmara e não tem nada. Me orgulho disso. As pessoas podem divergir da maneira como penso, até porque sou muito transparente. Tenho horror a marqueteiro. Às vezes, o marqueteiro consegue transformar cocô em marrom glacê. Por isso que a gente tem aí muita gente mais para cocô que para doce fino. A gente deve ser o que é. Também tem os chamamentos do partido. O DEM dobrou a bancada. Tinha 21 deputados e fechou a janela com 44. E a direção do partido tem me estimulado muito, tanto o Neto [ACM] quanto o Rodrigo Maia [presidente da Câmara dos Deputados] porque acham que o DEM vai voltar a ser um partido importante numericamente no Legislativo, o que não foi nos tempos do Lula [PT] porque ele jurou exterminar o PFL [hoje DEM]. Ele está preso e o PFL dobrou de tamanho. As coisas não saíram como ele planejou.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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