Política

19 de Janeiro de 2018 08:02

Arnaldo Higino se entrega à polícia, acompanhado de advogado

Segundo Fábio Ferrário, prefeito afastado de Campo Grande foi à delegacia espontaneamente

↑ Arnaldo Higino está preso após se entregar à Polícia Civil na noite da última quarta-feira (17) (Foto: Roberto Baía)

O prefeito afastado de Campo Grande, Arnaldo Higino Lessa (PP), se apresentou espontaneamente à Polícia Civil na noite de quarta-feira (17), após ser inserida em seu processo a decretação de prisão expedida pelo desembargador João Luiz Azevedo Lessa, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL). Ao contrário do que fora veiculado na imprensa na tarde de ontem (18).

Segundo o advogado Fábio Ferrário, que defende o prefeito de Campo Grande, isso é prova de que o gestor não precisa ficar preso enquanto o processo tramita na Justiça. Ainda de acordo com ele, Arnaldo Higino Lessa se apresentou antes mesmo do delegado plantonista tomar conhecimento do mandado de prisão.

A informação de que o prefeito afastado de Campo Grande estaria foragido foi fornecida à imprensa pela assessoria de comunicação do Ministério Público Estadual (MPE).

“Me causa espanto uma informação dessa natureza [foragido] ter vindo do MPE. Existe informação nos autos de que ele se entregou espontaneamente ontem [quarta-feira, 17] à noite. Não precisou polícia. Ele quem levou o mandado para o delegado de plantão Guilherme Iusten. Não estou dizendo isso aleatoriamente. Quem o levou à Polícia fui eu, por volta das 21h30. Foi somente o tempo, depois que o mandado entrou no sistema, de ele vir para Maceió. Liguei e disse ‘pegue suas coisas e venha pra Maceió’”, diz Fábio Ferrário.

O advogado adianta que irá recorrer da decisão judicial da nova prisão do prefeito afastado de Campo Grande.

“Sua apresentação é prova cabal de que não existe motivação para sua prisão”, diz.

Para o advogado, o Judiciário está sendo induzido ao erro por notícias falsas espalhadas pela oposição ao prefeito afastado.

“O Judiciário está sendo induzido a erro por causa de fofocas paroquiais que estão sendo plantadas na imprensa. Grupos políticos derrotados na eleição passada estão se insurgindo com manifestações dessa natureza, as quais serão levadas ao crivo do Judiciário”, afirma.

A reportagem voltou a questionar a assessoria de comunicação do MPE sobre a situação de Arnaldo Higino, mas não houve resposta.

CASO

Arnaldo Higino Lessa foi preso no dia 24 de novembro de 2017, após ser flagrado recebendo dinheiro de um empresário que presta serviços à Prefeitura de Campo Grande. Em 26 de dezembro, ele foi solto pelo desembargador plantonista Celyrio Adamastor Tenório Accioly. Segundo o MPE, os desvios causados ao erário são de pelo menos R$ 500 mil.

FAMÍLIA

O sobrinho de Arnaldo Higino Lessa e ex-prefeito de Campo Grande, Miguel Higino, foi preso na quarta-feira num posto de combustíveis em Arapiraca. Ele é acusado de desvios dos cofres públicos durante sua gestão, entre 2013 e 2016.

Miguel Higino está preso em Arapiraca (Foto: Reprodução)

O pedido de prisão foi feito por Kleber Valadares, da Promotoria de Justiça de Girau do Ponciano.  “Eles são acusados de usurpar verba publica, utilizando um esquema de notas ‘esquentadas’ por empresários sem que houvesse o fornecimento real das mercadorias. O lucro para ambos sempre foi de 90%, enquanto os empresários rateavam os 10% restantes”.

 

 

ATUALIZAÇÃO

Após o fechamento da edição da Tribuna Independente, a assessoria de comunicação do MPE confirmou que Arnaldo Higino Lessa se entregou espontaneamente à Polícia Civil.

“Arnaldo Higino se apresentou ontem [quarta-feira, 17] à noite, acompanhado do advogado Fábio Ferrário, na Deic [Divisão Especial de Investigações e Capturas]. A ordem de prisão foi cumprida, mas a orientação da Delegacia Geral foi que o levassem para a carceragem da delegacia da Barra de São Miguel, onde se encontra”, explica.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

Comentários

MAIS NO TH