Política

Lava Jato cumpre mais nove mandados de prisão

Agentes cumprem 10 mandados de prisão; Desses, nove estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro e um em Pernambuco

Por G1 03/08/2017 07h48
Lava Jato cumpre mais nove mandados de prisão
Reprodução - Foto: Assessoria

O ex-secretário municipal de obras do Rio nas duas gestões do ex-prefeito Eduardo Paes, Alexandre Pinto, foi preso por agentes da Polícia Federal em mais um desmembramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira (3). Os agentes estão nas ruas, desde o início da manhã, para cumprir 10 mandados de prisão, sendo 9 mandados no Rio e um em Pernambuco, onde foi confirmada a prisão de Laudo Aparecido Dalla Costa Ziani, genro do ex-deputado Pedro Correa. A operação foi batizada de "Rio, 40 graus". Outro alvo da ação é a advogada Vanuza Sampaio.

Também há um mandado de condução coercitiva (quando alguém é levado para depor) contra o advogado Luciano Ramos Volk, em São Paulo, mas não tinha sido cumprido até as 7h45. A Polícia Federal entrou no prédio, mas não o localizou. Já o mandado de busca e apreensão foi cumprido no apartamento de Luciano. Todos os mandados são expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ªVara Federal Criminal do Rio. Segundo as investigações, os investigados teriam recebido mais de R$ 30 milhões em propina em obras públicas.

Essa nova fase da Lava Jato chegou à prefeitura através de investigações de contratos na gestão de Paes. Alexandre Pinto foi preso em casa, na Taquara, na Zona Oeste do Rio, em um condomínio de luxo da região. A PF também cumpre mandados em um condomínio no Pontal do Recreio, também na Zona Oeste da cidade.

Os procuradores do Ministério Público Federal têm como base a delação da empreiteira Carioca Engenharia e diz respeito a corrupção, com pagamento de propina e desvio nas obras do corredor de ônibus Transcarioca, que custou R$ 2 bilhões, e da drenagem de córregos da Bacia de Jacarepaguá. De acordo com as investigações, o ex-secretário cobrava propina de 1% no valor das obras.

A Lava Jato chega à prefeitura do Rio porque passa a investigar também não só a organização criminosa que, segundo os investigadores, era chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral, mas também a organização criminosa que teria ligações com o PMDB em todo o estado do Rio de Janeiro.

Entre os alvos da ação estão são lobistas e fiscais da prefeitura responsáveis pelas obras. Essa é a primeira vez que a Lava Jato fluminense chega na esfera municipal. Os agentes também cumprem mandado em um condomínio de luxo em Camboinhas, na Região Oceânica de Niterói, e no bairro de Boa Viagem, em um prédio que fica em frente ao Museu de Arte Contemporânea (MAC), também em Niterói.

Alexandre Pinto foi citado em delação da engenheira Luciana Salles Parentes, que trabalhava na Carioca Engenharia. A delatora disse que tomou conhecimento da exigência de pagamento por meio de Antonio Cid Campelo, da OAS. Ela afirmou que o então secretário de Obras do Rio exigiu 1% do valor do contrato.

De acordo com o site da prefeitura, a história do ex-secretário Alexandre Pinto começou no governo municipal em 1987, quando ingressou nos quadros como diretor da Coordenadoria Geral de Conservação (CGC). Ele também foi presidente da Rio-Águas e subsecretário de Águas Municipais, até chegar à Secretaria de Obras, onde assumiu a secretaria no segundo semestre de 2009.