Cidades

14 de junho de 2018 08:05

Novas rachaduras assustam moradores

Fissura mais recente se transformou em buraco na Praça Arnon de Mello

↑ Buraco apareceu há cerca de 15 dias em via do entorno da Praça Senador Arnon de Mello, segundo moradores (Foto: Adailson Calheiros)

Novas fissuras têm preocupado moradores do bairro do Pinheiro em Maceió. Segundo eles, uma das mais recentes apareceu há cerca de 15 dias na via de entorno da Praça Senador Arnon de Mello e virou um buraco, motivando a interdição da via.

O morador Alexandre Uchôa diz que o buraco, que surgiu em frente a garagem de sua casa, começou como uma fissura e foi aumentando. No último fim de semana a situação se agravou e foi necessário chamar o poder público.

“O buraco piorou de domingo para cá. Começou uma fissura e agora aumentou. A gente ligou para a Defesa Civil e depois a SMTT também veio e interditou a via. Na minha casa não afetou nada, mas está afetando a calçada já e eu tenho receio de tirar o carro para não piorar a situação. O que a gente teme é que possa comprometer a estrutura da casa, mas tem o transtorno de não poder entrar e sair. O medo é que isso aumente. A Defesa Civil está estudando e disse que está aguardando a equipe de Brasília, mas que provavelmente foi causado pelo rompimento da galeria de águas pluviais, houve algum deslocamento de solo e com a chuva a água erodiu o solo, mas tem relação com a falha, porque rompeu justamente onde tem a falha geológica. Especificamente o buraco tão grande assim e tão rápido deve ter sido pelo rompimento”, alerta o morador.

Alexandre diz ainda que apesar de sua residência não ter sido afetada, muitos vizinhos estão sofrendo com o problema.

“Graças a Deus na minha casa eu não tive problemas, mas na casa de vizinho há bastante avarias. São moradores com mais de 30 anos por aqui. E a gente nunca viu isso. O que surpreende é que é uma coisa nova, ninguém nunca tinha visto e ninguém dá uma resposta. Como não tem posição oficial, começa a surgir várias teorias… O chão está todo irregular. A calçada está baixando, o poste está cedendo… está uma coisa séria. O que a gente vê é que estão dando pouca atenção a isso. Quando acontece um episódio desse, as autoridade vêm, dão uma vistoriada e daqui a uma semana o assunto esfria e parece que ninguém toma providência nenhuma. Parece que só vão fazer algo quando acontecer uma coisa mais séria, um desabamento, um carro cair, um motoqueiro”, reclama o morador.

É o caso de dona Olívia Pedrosa, de 80 anos. A idosa mora com a filha com necessidades especiais em uma casa em frente à praça. Além da preocupação com a mais recente fissura, ela enfrenta a agonia de novas rachaduras no interior de sua casa. Um detalhe que chama a atenção é que a casa dela foi construída há cerca de nove meses.

Moradora do Pinheiro, dona Olívia Pereira mostra fissuras na casa construída há cerca de nove meses (Foto: Adailson Calheiros)

“Eu moro há mais de 26 anos aqui. Aí ano passado deu um problema de infiltração. Pegamos o terreno ao lado e construímos uma nova. O gasto ficou em torno de R$ 120 mil, tem uns nove meses que ela ficou pronta e está cheia de rachaduras desde o primeiro tremor. Eles dizem que não tem risco de desabar, mas eu tenho medo”, relata a senhora.

Dona Olívia mostrou à reportagem da Tribuna Independente a situação de seu imóvel. Logo na porta de entrada é possível ver grandes rachaduras no chão e nas paredes. Em outros cômodos também existem fissuras. “Será que tem risco de cair?”, questiona.

Segundo ela as rachaduras têm aumentado, crescendo também a preocupação. “A Defesa Civil diz que não tem problema, mas a gente vê que está piorando, que está aumentando. Quem não tem medo? Mas o que a gente vai fazer se não tem para onde ir? Eu moro só com a minha filha deficiente, não sei nem o que fazer”, lamenta.

Residente do local diz que situação “é um filme de terror”

 

Para Socorro Buarque, também moradora do bairro, já são quatro meses de “um filme de terror”. Ela afirma que tem usado medicamentos controlados para tentar aliviar o medo de algo mais grave acontecer em sua casa.

“É um filme de terror. Ninguém dorme, eu estou tomando rivotril. O que eu já chorei ninguém imagina. E ninguém toma providência. Desde Fevereiro está assim. Na minha casa a rachadura já chegou a dois dedos de distância entre a laje e a parede. As pessoas não estão nem aí. A gente não vê governante, esse povo do poder fazendo nada pela gente. Eles estão omissos nisso aí. Eles estão lidando com seres humanos. Se fosse na Ponta Verde eles já teriam resolvido. Quando o mar avança e destrói o calçadão, eles consertam logo, num instante resolve. Mas com a gente não. São vários imóveis, várias famílias, passando por essa situação. É difícil e ninguém fazer nada? Quatro meses e nada concreto e não tem prazo para dizer algo concreto para a gente. Disseram que vem uma equipe dia 22, mas essa equipe ainda vai fazer um estudo e esse estudo vai levar mais três meses. E o inverno agora? Como que fica? Será que vai ter que morrer pessoas?”, questiona a moradora.

Socorro diz que não dorme direito pelo temor de algo grave ocorrer (Foto: Adailson Calheiros)

Ela detalha que a situação tem sido difícil para diversos moradores do local. Na casa dela, especificamente, antes de fevereiro haviam rachaduras. No entanto, a família não tinha informações do que seria. De fevereiro para cá, a situação só tem piorado.

NOVAS FISSURAS

A Defesa Civil Municipal esclarece que tem acompanhado a situação e confirma a existência de novas fissuras na região. Sobre o aumento das fissuras já existentes, o órgão afirma que não haviam parâmetros que determinassem o aumento e que pretende intensificar a instalação de réguas e fará coleta diária de informações com a ajuda dos moradores.

“Não dá para afirmar se realmente aumentou. O que há é o surgimento de novas rachaduras. Sobre isso a Defesa Civil tem sido informada e está acompanhando. Mas não dá para saber se aumentou até porque não havia esse comparativo que agora está sendo feito. Em todas as casas registradas estão sendo instaladas as réguas e os moradores se comprometem a mandar diariamente essas informações”, argumenta o órgão.

Sobre os estudos nas fissuras em todo o bairro, a assessoria de comunicação da Defesa Civil informou que, a partir do dia 20 deste mês, técnicos da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) virão a Maceió dar continuidade nas pesquisas.

“Eles chegam na próxima semana para dar continuidade à coleta de dados. De acordo com o levantamento que eles vão fazer é que serão definidos quais equipamentos necessários. Como no primeiro estudo, feito por técnicos da UFRN não houve laudo conclusivo com a profundidade de 10 metros eles precisam fazer um levantamento de dados geológicos. Eles vão passar oito dias fazendo estudos de campo e emitir um relatório. Com base no relatório dizer quais equipamentos necessários para continuidade do estudo e a partir disso mobilizar todos os órgãos envolvidos, CPRM, ANM UFRN, Defesa Civil Nacional para a execução de fato do plano de trabalho”, explica o órgão.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra) informou que iniciará os serviços hoje (14). “Sobre a via ao lado da Praça Arnon de Melo, no Pinheiro, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra) informa que técnicos do órgão avaliaram a situação. Os serviços na região terão início nesta quinta-feira (14). O local foi sinalizado pela SMTT para evitar acidentes com motoristas e pedestres”, diz em nota.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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