Cidades

13 de junho de 2018 08:26

Alagoas registra 80 mortes por homofobia

Número foi contabilizado de 2015 até agora pelo Grupo Gay de Alagoas; este ano, já são oito casos deste tipo de crime

↑ Nildo Correia defende a criação de um observatório para coletar dados e ajudar na elucidação dos casos (Foto: Sandro Lima)

De 2015 até agora foram registradas 80 mortes por homofobia em Alagoas. O levantamento é do Grupo Gay de Alagoas (GGAL). No ano passado, o estado ficou na oitava colocação no país com o maior número de mortes, 23 no total. Este ano já foram oito registradas.

Entende-se morte por homofobia como o crime motivado por preconceito pela orientação sexual da vítima. O Brasil é o campeão mundial deste tipo de crime. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, divulgados no início deste ano, 445 mortes por homofobia ocorreram em todo país no ano passado, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. O que dá uma média de uma morte a cada 19 horas.

O presidente do Grupo Gay de Alagoas, Nildo Correia destaca que existe um padrão neste tipo de morte: são pessoas que vivem em situações excludentes, sem amparo do poder público ou da família.

“A homofobia não pode ser tratada apenas a partir do assassinato. Por exemplo, em caso de travestis alguns casos são emblemáticos, acerto por conta de tráfico de drogas, ponto de prostituição, mas a gente parte para o eixo da questão da vulnerabilidade social. Uma população que na maioria das vezes é empurrada para essas condições. A família não acolhe, empurra para a vulnerabilidade, porque não aceita a questão da orientação sexual e o jovem acaba se envolvendo em relações perigosas, se colocando em situações perigosas. É a mesma problemática do jovem, falta de oportunidade, de apoio familiar, de diálogo”, diz.

ELUCIDAÇÃO

Ainda segundo o levantamento nacional, a elucidação é outro complicador na questão. Mais de 70% dos casos ficam sem respostas oficiais. Nildo Correia defende a importância de um observatório no estado para reunir informações sobre os casos.

“A duras penas tentamos acompanhar os casos. No momento estamos trabalhando na questão da abertura da primeira casa de acolhimento e um dos objetivos dessa casa é, em parceira com duas Universidades do estado, trabalhar o monitoramento dos casos, a criação do observatório que fará um monitoramento, por exemplo, em quais distritos policias há mais ocorrências, em quantos casos existe o réu confesso preso, em quantos existe o réu confesso solto, quantos não há réu confesso, quantos à espera de julgamento… Fazendo o levantamento queremos identificar os dados, saber porque a grande maioria não é solucionada”, ressalta o ativista.

Segundo o presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Social da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL), Alberto Jorge, é preciso cobrar das autoridades a elucidação dos casos no que ele classifica como “dupla vitimização”.

“A gente tem que partir da localização do fato. Quem é a vítima? São pessoas sem assistência nenhuma da sociedade. Pessoas que já são vítimas da família que não aceita em casa, são vítimas da pobreza, vítimas do próprio local onde vivem, grotas, favelas… Elas têm uma vida diferenciada, e pelo simples fato de morrer, as autoridades pensam que morreu, pronto acabou, a existência dessas cobranças é por causa disso. É necessário que fique atento a essas situações e cobrar da Justiça agilidade maior em relação a esses crimes”, pontua o advogado.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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