Brasil

14 de Maio de 2018 12:00

Mãe de Marielle teme que mandante da morte da filha seja conhecido da família

Anistia Internacional e parentes da vereadora fazem ato para cobrar resultado nas investigações do crime; Vereador apontado por delator como mandante do crime deve ser ouvido esta semana

↑ Grupo protesta em frente à Secretaria de Segurança Pública do Rio (Foto: Henrique Coelho)

Durante ato de integrantes da Anistia Internacional para cobrar resultados nas investigações da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, na manhã desta segunda (14), a mãe da vereadora afirmou que espera que o crime esteja perto de ser solucionado e disse que, caso o mandante tenha sido alguém conhecido, será uma traição.

Esta semana, a Polícia Civil pretende ouvir um colega de trabalho de Marielle, o vereador Marcello Siciliano, e o miliciano Orlando Curicica. Ambos são apontados em delação como os mandantes da morte de Marielle e Anderson, o que negam. “O meu coração de mãe pede para que não seja ninguém que a gente conheça, pede que não seja ele. Se for, é uma traição”, afirmou Marinete Silva.

O pai de Marielle enfatizou que é inadmissível que o crime tenha sido planejado por alguém do convívio da vereadora. “Se realmente for confirmado, será uma indignação muito grande, porque uma pessoa que convive no dia a dia com ela cometer uma traição desse tipo é inadmissível. Uma pessoa dessas não pode nem exercer uma função na Câmara de Vereadores”, criticou Antônio Franco.

Nesta segunda-feira (14) completam dois meses das mortes de Marielle e Anderson. “Tô sobrevivendo dia após dia. A gente não se conforma e não vai se calar enquanto não tiver o resultado das investigações. A gente precisa de uma coisa mais concreta. A gente está aí, na expectativa. É claro que o nosso tempo não é o tempo deles, porque a investigação, além de sigilosa, é complexa. Mas não há crime perfeito. Eles vão chegar”, disse Marinete, que neste domingo (13) passou o primeiro Dia das Mães sem a filha.

De acordo com a Anistia Internacional, é fundamental que a investigação aconteça da forma correta. “A Anistia Internacional vem a público exigir que se pressione por uma correta investigação. A gente não pode aceitar que o assassinato da Marielle não tenha uma investigação correta. A sociedade precisa saber quem matou e quem mandou matar Marielle. Que elas durem o tempo que for necessário, mas que ocorram da forma correta”, disse Renata Neder, coordenadora da Anistia Internacional.

Escuta mostra conversa de vereador e miliciano

Neste domingo, o Fantástico revelou conversas gravadas pela polícia entre o vereador Marcello Siciliano e um miliciano. O delator forneceu à polícia o número de um celular que teria sido usado pelos assassinos no dia do crime. Segundo ele, Siciliano é um dos mandantes do assassinato. O vereador nega a acusação.

Dias após o atentado, a Polícia Civil recuperou dados das cinco empresas de telefonia que operam na região do crime. As informações coletadas são das 26 antenas de celulares do trajeto feito pelo carro da vereadora. Os agentes analisaram os sinais dos telefones celulares usados no percurso. O número de um deles foi passado semanas depois pelo delator.

Segundo matéria publicada pelo jornal O Globo semana passada, ele e Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando Curicica, tramaram a morte da vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros na noite de 14 de março.

Fonte: G1

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