Brasil

12 de janeiro de 2018 11:58

Jovem mandou áudios para o namorado dizendo que ia se matar após briga

Polícia em Bertioga (SP) investiga se jovem, de 20 anos, foi vítima de homicídio; Namorado, que não é considerado suspeito, nega que a tenha matado

↑ Gabrielly e o namorado na noite de Ano Novo em festa em Bertioga, SP (Foto: Arquivo Pessoal)

O advogado do namorado de Gabrielly Teixeira Santos, de 20 anos, que foi encontrada morta em um condomínio de luxo em Bertioga, no litoral de São Paulo, vai entregar à Polícia Civil, nesta sexta-feira (12), dois áudios em que a jovem afirma que iria se matar. O rapaz, que não é considerado suspeito, já foi ouvido e negou qualquer envolvimento com o crime.

O corpo de Gabrielly foi encontrado no sábado (6) com uma corda no pescoço, pendurada, mas não suspensa, no galho de uma árvore em um matagal na Riviera de São Lourenço. A polícia investiga a possibilidade de a situação ter sido forjada para simular um suicídio. O homicídio, portanto, não foi descartado.

Para a polícia, a jovem morreu nas primeiras horas do dia 1º de janeiro. Momentos antes, ela havia se recusado a subir ao apartamento de um hotel onde se hospedaria com o namorado, de 30 anos, que além de ser DJ, também é empresário e publicitário. Eles passaram a noite de réveillon juntos em uma festa.

No evento, ela comemorava o aniversário de 20 anos e ele havia sido contratado para se apresentar como DJ. No local, testemunhas afirmam que viram o casal brigando em diferentes oportunidades. Em depoimento à polícia, após o corpo dela ter sido localizado, o rapaz afirmou que os dois discutiram por ciúmes, mas que não a matou.

“Se essa menina foi morta, temos a certeza de que não foi por ele [pelo namorado]. Estamos com dois áudios que ela enviou ao rapaz naquela noite, via WhatsApp, avisando que ‘iria se matar’. A motivação dela ter tirado a própria vida não sabemos, mas também não foi por ciúmes”, afirmou o advogado do DJ, Mario Badures.

Conforme o defensor, o DJ ajudava a namorada. “Ele arrumou emprego e até uma escola para seus estudos. Eles brigaram, como em outras ocasiões, e ele a procurou após a menina ter saído do carro. Ele não teria motivo nenhum para matá-la, pelo contrário, está com o coração partido com tudo o que aconteceu”.

Os áudios serão entregues ao delegado Sérgio Nassur, responsável pelo caso e titular da Delegacia Sede de Bertioga. O advogado também informou que irá apresentar à autoridade policial os demais bens que tinham ficado com o cliente dele, depois que a jovem abandonou o carro, na madrugada do dia do ocorrido.

“Ele não acionou, de fato, a polícia nos dias seguintes, pois ela já havia feito isso antes. Ele achou que a menina tinha ido até São Bernardo do Campo (SP) encontrar uma amiga. Em outras brigas, a menina desaparecia e voltava a entrar em contato dias depois. Ele não acreditou quando soube da morte dela”.

A polícia ainda tem dúvidas de que Gabrielly Santos tenha se matado. O delegado aguarda o resultado dos exames no Instituto Médico Legal (IML) e o laudo da perícia científica, que vão apontar as reais causas da morte da jovem. A autoridade policial também vai ouvir outras testemunhas do caso.

O caso

Gabrielly ficou desaparecida por seis dias, mas o namorado, conhecidos e familiares não acionaram as autoridades. O corpo dela foi encontrado por turistas que caminhavam pela Alameda do Remo, na Riviera de São Lourenço, durante a noite de sábado, após sentirem forte odor proveniente do local.

A princípio, o caso era tratado como um suicídio, uma vez que a jovem estava com uma corda amarrada ao pescoço e parcialmente pendurada em um galho de árvore em meio a um matagal. Um possível afundamento do crânio foi registrado no boletim de ocorrência, mas o fato ainda não foi confirmado pelo IML.

“O nó da corda estava embaixo do queixo dela, mas, geralmente, teria que ficar atrás, na nuca. Os pés dela também tocavam o chão e ela não estava completamente suspensa. A cena que estava ali não é padrão de suicídio, por isso foi registrado como morte suspeita”, explicou o delegado.

A autoridade policial apurou, ainda, que a jovem não morava com os familiares desde os 15 anos e que passou a viver sozinha recentemente. A mãe dela é falecida e havia lhe deixado uma pensão, de onde tirava o sustento. O caso segue em investigação pela equipe da Delegacia Sede de Bertioga.

Corpo da jovem foi encontrado por turistas em condomínio de luxo (Foto: Reprodução/Aconteceu em Bertioga)

Fonte: G1